Neste início de ano, gostaria de expressar uma singela homenagem a um amigo que nos deixou precocemente. Estou me referindo ao jovem e combativo Alex Gasparini. Pois, quando de sua morte, não pude estar presente e, com esta carta, estou tentando compensar minha ausência num momento que precisaria estar presente. Um jovem com defeitos como todos os temos, mas com virtudes que faltam a muitos. Poderia me estender aos vários momento da história de Bauru com sua presença firme e combativa sem nenhum temor, mas quero resumir em um só episódio que, para mim, explica a todos os outros.
Lembremos da morte de seu pai, Edson Bastos Gasparini, líder político histórico da esquerda brasileira, que logo após ter sido eleito prefeito numa eleição inesperada quando a cidade de Bauru, a única no Brasil, e em pleno período ditatorial, elegeu um militante comunista ainda na clandestinidade, escolhido por uma sublegenda do PMDB, morte que veio de uma doença rápida e fatal sem nenhuma chance de cura. Vindo a falecer pouco tempo depois de sua posse.
No seu velório, a militância de esquerda estava toda na Câmara Municipal de Bauru prestando sua última homenagem ao velho combatente. Coroas de flores vindas de todos os cantos do Brasil nos levaram a questionar por que não a coroa de flores do PCB, o verdadeiro partido de Edson Bastos Gasparini. Foi aí então que começamos a recolher o que tínhamos no bolso e, como sempre, outro combativo militante, Antônio Pedroso Jr., foi à floricultura encomendar a coroa, que tempos depois relatado pelo dono da floricultura, um velho conhecido, que a polícia foi até lá para saber quem havia encomendado a coroa.
Ele, apesar de conhecer o Pedroso, falou que não sabia, pois a pessoa chegou com um monte de dinheiro trocado e encomendou. Estou contando esta parte para que possamos entender que, mesmo neste tempo, apesar de começar uma distensão da ditadura militar, ainda estávamos sobre a pressão da mesma.
E lá ficamos a noite toda para que ninguém retirasse a coroa. No dia seguinte, na hora do enterro, começaram recolher as coroas, acho que encheu dois caminhões delas, mas ninguém pegava a do PCB. Porém, a hora que estava saindo o féretro, a coroa ainda lá, eis que Alex, um menino que nem imagino a idade na época, pegou a coroa e foi carregando até o cemitério atrás da urna de seu pai, para mim um momento que resume sua vida.
Como disse, todos temos defeitos, porém existem virtudes que definem o Homem. Companheiro Alex, presente agora e sempre.