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Presidentes de Câmaras de quatro cidades viram prefeitos interinos

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 11 min

Em quatro cidades da região de Bauru as eleições municipais ainda não estão definidas e correm o risco de seus eleitores serem convocados para escolher em novo pleito o futuro governante. Enquanto tramitam recursos nas instâncias superiores, vereadores que se elegeram presidentes de Câmaras "ganharam" um mandato interino de chefe do Executivo até ficar definido quem será o prefeito do município. Os municípios de Bariri, Cafelândia, Reginópolis e Itatinga tiveram as candidaturas de prefeitos mais votados impugnadas pela Justiça Eleitoral. Em Iacanga, apesar de não haver a decisão final, o prefeito Ismael Boaini (PSB) foi diplomado no cargo com base em decisão monocrática que colocou sua candidatura na condição deferida com recurso.

O prefeito eleito de Bariri, Francisco Leoni Neto (PSDB), o Neto Leoni, teve a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em razão de condenações envolvendo o seu vice, Benedito Senafonde Mazotti, o Dito Mazotti. O vereador de primeiro mandato Paulo Henrique Barros de Araújo (PSDB) assumiu o cargo na segunda-feira. O tucano é de família de político: o pai José Aparecido Araújo foi prefeito de Bariri por dois mandatos (1983-1988 e 1993-1996) e ligado ao PMDB dos tempos de Orestes Quércia e do ex-deputado federal Antonio Tidei de Lima. Como tem recurso pendente, ainda há esperança que Leoni possa ainda assumir a prefeitura.

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Adilson de Paula discursa ao lado do ex-prefeito Luis Otávio

Já em Cafelândia, a população deverá retornar às urnas para escolher o novo chefe do Poder Executivo. O ex-prefeito Luís Otávio Conceição de Carvalho (PSDB), que recebeu mais de 50% de votos, teve a candidatura barrada no TSE. Com isso, o vereador com quatro mandatos Adilson Cirilo de Paula (PMDB) venceu a eleição a presidente da Câmara e administra a cidade desde segunda-feira. "Até quando não sabemos: se dentro de quatro, oito ou dez meses. Vamos fazer um planejamento inicial de três meses, porque pode ser que, dentro de 90 dias, poderemos ter novas eleições", afirma o prefeito interino Adilson de Paula, com uma Bíblia em cima da mesa, o seu guia nesse período à frente do Executivo.

Em Reginópolis, o veredor Ronaldo Correa (PSDB) conseguiu um apoio oposicionista que garantiu dirigir a Casa e assumir a cadeira de prefeito. A candidata à prefeita mais votada do município, Carolina Araújo de Souza Veríssimo, a Carola (PMDB), teve o registro indeferido pelo TRE por unanimidade e tenta reverter a decisão em Brasília. Se não conseguir, a cidade terá nova eleição.

Em Itatinga, região de Botucatu, o candidato mais votado Ailton Fernandes Faria (PSDB), teve registro indeferido pelo TSE. O presidente da Câmara eleito na solenidade de posse, José Geraldo de Oliveira (PSDB), assumiu o Poder Executivo.

Afinidade com ex ajuda interino

Vereador Adilson Cirilo de Paula (PMDB) à frente do Poder Executivo tem contado com a ajuda do ex-prefeito Luis Otávio que teve candidatura indeferida

Aurélio Alonso
Prefeito interino Adilson Cirilo de Paula faz questão de deixar a Bíblia aberta na mesa do seu gabinete

A experiência de três mandatos e indo para o quarto no Legislativo ajudou o vereador Adilson Cirilo de Paula (PMDB) conquistar os votos que deram a sua vitória como novo presidente da Câmara. O novo cargo possibilitou que ele seja o prefeito interino de Cafelândia até a Justiça Eleitoral marcar novas eleições no município. Quando entra no gabinete, a mesa do ocupante está limpa e só tem uma Bíblia aberta. Evangélico, Paula fez questão de deixar o livro sagrado como uma espécie de "proteção" espiritual. 

"Estou prefeito", emenda Adilson ao cumprimentar com gargalhada o repórter e resumir a sua situação inédita. O candidato mais votado da eleição, Luís Otavio Conceição de Carvalho (PSDB), teve o registro indeferido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e praticamente não tem mais chances de governar o município por mais quatro anos.

O tucano teve 60% dos votos válidos e saiu bem avaliado pela população, mas o sonho de mais um mandato já se dissipou com a última decisão do Tribunal.

O prefeito interino que está assumindo tem afinidade política com o candidato com o registro indeferido. O ex-prefeito fez questão de fazer a transmissão do cargo para o peemedebista.

Já no gabinete, Adilson de Paula antes de explicar as dificuldades de assumir o cargo faz elogios ao antecessor. "O ex-prefeito fez um mandato excelente em uma época difícil de muita crise", ressalta. Entre os investimentos estão a instalação de um Polo Pet, empreendimento de mais de R$ 4 milhões com recursos do Estado para instalação de empresas no ramo de produtos para animais domésticos que poderá alavancar a economia da cidade e gerar novos empregos. "Fora as duas creches que a última gestão construiu que praticamente zerou a demanda", diz.

O desafio agora é saber quanto tempo dura essa interinidade. A Justiça Eleitoral deverá marcar novas eleições num prazo de 90 dias. "Vamos fazer um planejamento inicial de três meses, porque não sabemos se ficarei 4, 6 ou 10 meses como prefeito", opina o chefe do Executivo interino de Cafelândia, que contou com apoio de seis dos onze vereadores na eleição interna de escolha da nova Mesa Diretora da Casa no último domingo.

Bem articulado e falante, Paula admite que apesar de toda essa experiência de três legislaturas o Executivo é bem diferente. "A gente recorre de vez em quando até ao ex-prefeito. Mas a minha permanência nesse período é de fazer a pavimentação para o próximo prefeito", explica.

Como tem mais de três mandatos na Câmara, Paula revela que pretende ainda conversar com todos os vereadores. "Sei da importância de conversar com a Casa", diz. Embora tenha apoiado a última gestão, o parlamentar já esteve na oposição a outras administrações.

Ao ser questionado se será candidato a prefeito, afinal essa possibilidade não está descartada, Adilson de Paula admite que caberá ao grupo político a escolha: "Pode ser eu ou outro para que continue o trabalho que vem sendo feito à frente da administração".

Vereador assume prefeitura de Itatinga e tem ligação com mais votado

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José Geraldo de Oliveira (PSDB) assumiu a prefeitura de Itatinga, mas município terá nova eleição

A situação de Itatinga não é muito diferente dos outros municípios que tiveram os candidatos mais votados impugnados pela Justiça Eleitoral. Apesar de cada cidade ter suas características locais, o clima não é muito diferente: incerteza, dificuldades de o prefeito interino tomar pé da real situação econômica e completa indefinição de quando será marcada a eleição. Por enquanto o vereador José Geraldo de Oliveira (PSDB), de 50 anos, assumiu o cargo de prefeito.

Logo após a posse dos eleitos e da eleição da nova Mesa Diretora, Oliveira conseguiu os votos que lhe garantiram a presidência da Casa. A votação foi acirrada: 6 a 5. Afinal é o quarto mandato e a experiência de já ter sido o presidente do Legislativo ajudou a ganhar apoio para ser o prefeito interino.

Em Itatinga, o candidato mais votado da eleição, Ailton Fernandes Faria (PMDB), teve o registro indeferido pelo TSE e não foi diplomado. "Aceitei o desafio. A máquina da prefeitura é diferente da Câmara e tem mais funcionários. Estou montando a equipe, sozinho não se consegue nada, tem que ter time", comenta o prefeito.

O primeiro dia foi bem tumultuado com o entra e sai de moradores vindo cumprimentar o prefeito interino. A situação inusitada de nomeação de um chefe do Executivo provisório sensibiliza os amigos. "A gente recebeu todos, mas agora tenho que colocar a máquina para funcionar", comenta Oliveira.

Enquanto a Justiça Eleitoral não marcar a data para a realização de nova eleição no município, o atual presidente da Câmara continuará à frente do Executivo. "A Justiça Eleitoral tem até dezembro deste ano para marcar as eleições. Isso pode demorar de três, quatro a cinco meses", estima o tucano.

Oliveira admitiu que esperava assumir uma prefeitura com mais dificuldades financeiras. Num levantamento parcial que teve acesso é de dívida total de R$ 7 milhões. "A dificuldade é que não teve transição de cargo. Não tinha contato político com o último prefeito, mas esperava até ser um valor maior. Não foi o que a gente pensava", contou.

O prefeito interino não esconde que pode ser o candidato a prefeito quando a Justiça Eleitoral marcar a data do pleito. Ele é professor da rede de ensino fundamental e tem atuação política de quatro mandatos na Câmara. "Não tinha nem intenção de ser vereador, mas acho que o cargo de prefeito caiu no meu colo". O tucano apoiou no pleito do ano passado o candidato mais votado que teve a candidatura impugnada.

Em Bariri, dificuldade no primeiro dia

Paulo Henrique Barros de Araújo (PSDB) conta com a experiência do pai, duas vezes prefeito, para superar as dificuldades e governar o município

 

Aurélio Alonso
Paulo Henrique Barros de Araújo (PSDB) enfrenta dificuldades no próprio grupo político

A rescisão de um contrato de limpeza pública no final do ano passado estava preocupando o prefeito interino Paulo Henrique Barros de Araújo (PSDB) no começo da semana. Também as nomeações do primeiro escalão não foram aprovadas pela Câmara em sessão extraordinária. O atual chefe do Poder Executivo se elegeu presidente do Legislativo com apoio da oposição e de integrantes do grupo político de Francisco Leoni (PSDB), que teve chapa impugnada pela Justiça Eleitoral.

O parlamentar tucano é filho do ex-prefeito de Bariri José Aparecido de Araújo por dois mandatos (1983-1988 e 1993-1996). "Vivo política desde a adolescência", conta. Araújo foi muito ligado ao PMDB nos tempos do governador Orestes Quércia e do deputado bauruense Tidei de Lima, mas atualmente apoia o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).

O vereador tucano derrotou na eleição da Mesa Diretora a chapa da vereadora Maria Pia Betti Pio da Silva Nary (PSDB) do mesmo grupo. Ao receber o JC na prefeitura nesta semana, o prefeito interino não escondia a condição de "governo provisório". "Espero que o Neto (Leoni) seja liberado e possa assumir a prefeitura", contou.

Há ainda um recurso especial pendente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ajuizado por Leoni que tenta reverter a impugnação. O tucano foi barrado pelo TRE em razão de condenações envolvendo o seu vice, Benedito Senafonde Mazotti, o Dito Mazoztti. Se for favorável, o candidato mais votado assumirá o cargo ou caso seja mantida a sentença contrária, é mais um município que terá novas eleições.

A cidade de Bariri vive nos últimos anos o impasse da interinidade. O último prefeito eleito, Luis Gonzaga Febraro, de 50 anos, morreu no início do mandato o que abriu a possibilidade para a vice,  Deo Marinho (PSB), administrar a cidade, mas não conseguiu se reeleger sendo a última colocada.

Como não houve transição, o prefeito interino teve que tomar conhecimento da situação já após tomar posse no cargo. Ele reclama que o contrato com empresa que prestava serviço de conservação e limpeza foi suspenso só depois das eleições. A ex-prefeita alegou que seguiu orientação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O vereador licenciado Armando Perazzelli, que foi chamado para ocupar a Diretoria Financeira, afirmou que o curioso é que a recomendação havia sido feita anteriormente ao pleito, mas a decisão só foi tomada no final do mandato.

Diante disso, o prefeito estudava a possibilidade de fazer uma contratação emergencial e preparar uma nova licitação. No gabinete havia mais quatro vereadores e novos assessores que estão auxiliando, porém não tinham ainda sido nomeados oficialmente, porque uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de julho do ano passado suspendeu a lei que criou os cargos porque foi ajuizada uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). Na quinta-feira à noite, o Legislativo não aprovou a regularização dos 74 cargos de primeiro e segundo escalões na administração direta e no Serviço de Água e Esgoto do Município de Bariri (Saemba).

Segundo o prefeito interino, caso haja impasse no Legislativo de aprovar algumas das medidas quem será prejudicado é o próximo prefeito. "Mesmo sendo em caráter provisório, queremos fazer uma gestão moderna nos moldes de empresa privada, enxugando o máximo possível", declarou Armando, que já foi diretor de Licitação e chefe do Setor de Fiscalização da prefeitura.

Prefeitura fica fechada nos primeiros dias

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Prefeito interino Ronaldo Correa recebe a chave do Paço das mãos do ex-prefeito de Reginópolis, Marco Antonio Martins Bastos, na manhã de domingo 

O prefeito interino de Reginópolis, Ronaldo Correa (PSDB), contou com apoio da oposição e do grupo político da candidata mais votada que foi indeferida pela Justiça, Carolina Araújo de Souza Veríssimo (PMDB), a Carola, para vencer a eleição à presidência da Mesa Diretora do Legislativo.

Com experiência de dois mandatos, o peemedebista é apresentador há nove anos do programa "Semente da Fé" na rádio comunitária Educativa do município. A primeira medida foi fechar a prefeitura nesses dias para tomar conhecimento de como estão as finanças do município. "Tivemos dificuldade, porque não teve transição com o último governo. Já estamos conseguindo caminhar. Há contratos que eram para ser interrompidos em dezembro e ficaram para esta gestão além de cargos comissionados que vamos cortar", contou.

O peemedebista anunciou que, na próxima semana, o setor de saúde terá médico atendendo de domingo a domingo. O atendimento até o ano passado era de segunda a sexta das 8h às 16h. "Inicialmente o atendimento médico será até as 22h, todos os dias. Os exames de utrassonografia e de raios X voltarão a ser feitos. Antes dependia de Pirajuí. Tudo isso com recursos próprios", declarou.

O prefeito interino disse que quer passar uma visão de que os "patrões" estão nas ruas. "Quero que as pessoas entendam que estamos nas condições de servos. Alguém  que está no posto, mas estou prefeito e os nossos patrões estão nas ruas. Nem todo político é corrupto e bandido. Quero mostrar às pessoas que a política é boa".

Sobre a possibilidade de Carola perder o recurso e ser realizada novas eleições em Reginópolis, Correa afirmou que, momentaneamente, só quer desenvolver um bom trabalho como prefeito interino. Sobre ser candidato, ele alegou que prefere pensar isso posteriormente.

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