| Malavolta Jr. |
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| Nalbert durante bate-papo com espectadores, nesse domingo (8) no Sesc, quando falou sobre sua experiência no voleibol e contou histórias |
O ex-atacante da seleção brasileira de voleibol Nalbert foi destaque do Sesc Verão 2017, nesse domingo (8), em Bauru. No evento, o ex-jogador falou sobre sua carreira e participou de um bate-bola com os presentes.
Ao JC, declarou apoio à permanência de Bernardinho na seleção, e, caso o treinador entregue o cargo, não vê ninguém preparado para assumir o posto. Também revelou preocupação com as categorias de base, por causa dos resultados negativos. “O Brasil estagnou”, critica. Confira abaixo trechos da entrevista com Nalbert.
Jornal da Cidade - Qual a sua opinião sobre a projeção do time feminino de Bauru (Genter) na Superliga?
Nalbert - O projeto está crescendo. Neste ano, sem dúvida, é um time mais bem estruturado. Conseguiram trazer algumas estrangeiras (as dominicanas Brenda Castillo e Prisilla Rivera). O técnico Marcos (Kwiek) é o grande responsável por isso, trabalhou com elas durante bastante tempo. O time também tem uma boa base de jogadoras brasileiras, como a Mari, campeão olímpica. Claro que tem muita coisa para se jogar ainda nessa Superliga, mas vejo Bauru com boas possibilidades de chegar longe no campeonato.
JC - Hoje é rentável uma empresa custear um time de vôlei? Seria a única saída, já que os clubes faliram?
Nalbert - Sempre é interessante e produtivo para uma empresa patrocinar o vôlei, que há algumas décadas traz grandes resultados. Mais do que isso: traz bons valores de um Brasil que todo mundo queria ver, do conjunto, de trabalhar em equipe, ter disciplina, ter preparação e treinamento sempre como um grande pilar. Qualquer empresa que se associar a um time de vôlei certamente vai estar tendo grandes lucros. Eu só acho que, do ponto de vista da Confederação Brasileira de Vôlei, poderia mudar alguma coisa no sistema para que as empresas possam durar mais. A gente vê que elas entram com muita motivação e paixão, duram um certo tempo e depois não veem mais por onde seguir. Precisa ter, principalmente no sistema de clubes da Superliga, um pouco mais de apoio para que as empresas entrem e durem mais, para que projetos como o de Bauru possam durar mais tempo. A gente não pode ficar dependendo só do apoio do presidente de uma empresa e, de repente, ele diz que não quer mais continuar. Vemos que isso acontece muito por aí.
JC - Bernardinho e Zé Roberto ainda devem continuar na seleção? Se saírem, temos substitutos?
Nalbert - O Zé já confirmou que vai continuar. Já o Bernardinho está indeciso ainda, senão ele já teria dado a resposta. Substituto sempre tem, tanto para a seleção masculina quando para a feminina. Porém, eu acho que o trabalho a ser feito é para dar continuidade. Essa sucessão tão difícil do Bernardinho e do Zé Roberto, que são dois dos maiores técnicos da história, já deveria estar sendo feita. Os substitutos já deveriam estar sendo preparados para que o trabalho continuasse. Eu não vejo ninguém sendo preparado. Então, eu me preocupo um pouco. No masculino, por exemplo, quem seria o técnico amanhã? Por mérito, o argentino Marcelo Mendes, do Cruzeiro, diante de tudo o que ele ganhou nos últimos sete anos no Brasil. No entanto, seria um trabalho completamente diferente do que o do Bernardinho. Ele iria começar do zero. Mas se for por meritocracia, deveria ser ele. Mas se fosse para continuar o trabalho, há alguns anos já deveria ter alguém pronto para substituir, por conta desta indecisão do Bernardinho, que ainda não sabe se vai continuar.
JC - Qual a sua avaliação das seleções hoje e como deve ser a renovação pós-Olimpíadas?
Nalbert - Eu acho que as seleções adultas ainda vão conseguir grandes resultados, porque estão bem estruturadas. Preocupa a categoria de base, porque tanto no feminino quando no masculino, os resultados caíram bastante e a gente escuta os gestores falando: “o objetivo na base não são os resultados”. Mas os resultados aconteciam nas categorias de bases e, com o prosseguimento de todo esse trabalho, chegavam no adulto também. A gente vê com uma certa preocupação o que está acontecendo na categoria de base, porque o Brasil não tem mais a hegemonia nem na América do Sul. No masculino, a gente vê seleções de base perdendo para a Argentina. Isso era inimaginável. A minha geração e as gerações que antecederam a minha e um pouquinho à frente passaram sem perder um jogo sequer para a Argentina. E isso a gente levou para o adulto também. Então, a gente vê uma evolução nos outros países, enquanto o Brasil estagnou um pouquinho. Algo tem que ser feito para que esse caminho que não está tão limpo, em relação a resultados, possa melhorar.
| Sesc Divulgação |
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| O eterno capitão da seleção brasileira interagiu com o público em vivência na quadra |
JC - No feminino, o que aconteceu com o favoritismo das nossas meninas no Rio, que acabaram não conseguindo nem pódio?
Nalbert - Acho que foi a conjuntura de Olimpíadas, que tem um sistema de jogo muito perigoso. Me preocupava um pouco ver o Brasil na chave mais fraca. São duas chaves na Olimpíada, seis times em cada, e sempre tem uma chave mais forte do que a outra. E na maioria das edições olímpicas, os medalhistas sempre saíram da chave mais forte, porque na primeira fase os times já se enfrentam num nível superior, já criam aquela “casca”, aquela força para, na hora do mata-mata, estarem preparados para as dificuldades que vão enfrentar, mas que já enfrentaram na primeira fase. Estava perigoso demais a seleção brasileira não perder um set sequer na primeira fase, não teve muitas dificuldades, não teve resistência nenhuma. E, depois, pegou uma China que é sempre perigosa, tem muita tradição e que se preparou para aquele momento. Tanto é que ganhou do Brasil e foi campeã olímpica.
JC - E o masculino, que estava sem crédito e acabou levando o ouro?
Nalbert - Eu acho que foi uma tremenda demonstração de superação. Foi surpreendente. O caminho do ouro começou a ser conquistado no jogo contra a França, logo na fase preliminar, pois de todos os resultados que tinham acontecido, aquele jogo era de vida ou morte para as duas equipes. O Brasil conseguiu passar aquele jogo e a França, que estava cotada para o ouro, ficou fora dos oito. Uma situação inusitada. Eles (brasileiros) ganharam força ali. No mata-mata, o Brasil estava bem mais forte. O Lipe, que trouxe uma vibração e energia muito grande, o crescimento do Walace, o Bruninho sempre liderando muito bem, a experiência do Serginho... Isso tudo fez com que o Brasil chegasse cada vez mais forte durante a competição. Na final, foi o último passo. Eles conseguiram quebrar aquele estigma de todos os anos de vice-campeonato, que a gente tinha visto até então.
Saretta
Quem também esteve nesse domingo (8) no Sesc Bauru, pela manhã, foi o ex-tenista Flávio Saretta, um dos dez maiores nomes do tênis brasileiro. Ele ministrou uma apresentação esportiva de tênis de quadra, interagiu com os presentes e posou para fotos. O ex-atleta fez carreira profissional entre 1998 e 2009, chegou a ser o número 44 do ranking mundial da ATP, em 2000, e foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, no torneio de duplas.
| Sesc Divulgação |
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| O ex-tenista Flávio Saretta fez carreira profissional entre 1998 e 2009 e foi o número 44 do ranking mundial da ATP, em 2000 |


