Bairros

'Alagou tudo pelo quinto ano seguido', diz bauruense

Tisa Moraes, Vinicius Lousada, Heitor Carvalho e Redação
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David Macedo/Divulgação
Estação Ferroviária de Bauru foi invadida pelas águas: "nada feliz"

Pelo quinto ano seguido a moradora Lucilene Sanches teve a casa alagada na rua Aviador Gomes Ribeiro, 1-7, próximo ao Sesi Altos, durante forte chuva da noite de segunda-feira em Bauru.

"Ainda sigo com os móveis todos para cima, onde deu pra proteger", disse nesta terça. "É a quinta vez consecutiva do mesmo problema. Sempre alaga e a gente se vira como pode".

Lucilene é só uma das bauruenses que sentiram na pele os transtornos do temporal. Apesar disso, trânsito flui, mas motorista deve ter cautela na avenida Nações e outros trechos atingidos.

Velha cena

Bauru registrou, nesta segunda-feira (9), sua primeira grande chuva de 2017 e o novo governo já sentiu o tamanho do problema que terá de enfrentar.  

O temporal, que teve quase uma hora de duração, inundou tradicionais pontos de alagamento da cidade, arrastou carros, deixou dezenas de pessoas desabrigadas, fez o Rio Bauru transbordar e interrompeu o fornecimento de energia elétrica a 20 mil imóveis.

Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos quatro árvores caíram devido aos ventos, que chegaram a 48 quilômetros por hora. As equipes precisaram resgatar 18 pessoas que ficaram ilhadas em veículos, casas e uma igreja.

Apesar dos inúmeros estragos, ninguém ficou ferido. Na manhã de hoje, o prefeito Clodoaldo Gazzetta realiza reunião emergencial com o objetivo de discutir as estratégias para a recuperação da cidade (leia mais abaixo). Até 8h40, a reunião prosseguia.

Histórico

A chuva começou por volta das 19h10. Em pouco tempo, a Nações Unidas foi transformada em rio e um carro foi arrastado. A cancela existente na altura da rua Aparecida foi acionada pelas equipes da Defesa Civil e Emdurb para impedir o tráfego em direção à baixada sob o viaduto da antiga Fepasa.

David Macedo/Divulgação
Avenida Rodrigues Alves foi invadida pela enxurrada

Um veículo insistiu em tentar atravessar o trecho e sofreu danos, assim como a cancela, que ficou amassada. Na Alfredo Maia, Vila Falcão, outros dois carros foram arrastados. No mesmo local, um caminhão ficou parcialmente submerso.

A Praça Paradesportiva, na Vila Seabra, ficou alagada, assim como o prédio da antiga Estação Ferroviária, em frente à Praça Machado de Melo, na região central.

Na avenida Comendador José da Silva Martha, segundo o coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues, carros chegaram a transitar pela calçada para escapar do acúmulo de água na rotatória que dá acesso à avenida José Vicente Aiello. Também houve registro de inundações no viaduto da Rodrigues Alves sobre a Marechal Rondon, e no trevo da avenida Nuno de Assis que dá acesso ao Núcleo Mary Dota, onde o Rio Bauru transbordou.

Desabrigados

De acordo com Rodrigues, a força das águas arrancou boa parte do asfalto em frente à UPA do Ipiranga. Ao longo da avenida Nações Unidas, várias peças de concreto, como tampas de boca de lobo, se soltaram e invadiram a pista.

Aceituno Jr.
Na avenida Alfredo Maia, na Vila Falcão, dois carros foram arrastados e ficaram submersos

"Já a avenida Waldemar Guimarães Ferreira, região da Nova Esperança, recebeu grande volume de areia, que foi arrastada pela chuva, e precisou ser interditada", observa.

A chuva também causou danos nas pontes da avenida Daniel Pacífico, que faz a ligação entre a região da Vila Falcão e o Jardim Bela Vista, e da rua São Sebastião, que liga a região da Falcão com a Vila Nova Esperança.

"O trânsito não foi impedido, mas será preciso realizar reparos com urgência nos dois locais, para não correr o risco de perder as pontes", alerta o coordenador da Defesa Civil.

Na favela São Manoel, seis famílias, totalizando cerca de 25 pessoas, ficaram desabrigadas e foram alojadas no CSU do Jardim Bela Vista. Na Vila Ipiranga, na rua Lourenço Rodrigues, outras duas famílias também tiveram de ser removidas.

Aceituno Jr.
Velho problema: mais uma vez, a avenida Nações Unidas se transformou em um verdadeiro rio

No Jardim Ferraz, moradores ficaram ilhados dentro de casa, na rua Cyro Wenceslau, e precisaram ser resgatados pelos bombeiros. No mesmo bairro, o muro de um condomínio residencial desabou. Já no Parque Paulista, outro imóvel foi inundado e os moradores perderam tudo o que tinham.

Também houve registro de problemas em semáforos na região central, o que tornou o trânsito ainda mais complicado. Até o fechamento desta edição, equipes da Emdurb trabalhavam para normalizar o sistema.

Pelo menos 20 mil imóveis sem energia

Em decorrência do temporal, o fornecimento de energia foi interrompido em diversas regiões da cidade. Engenheiro da CPFL Paulista, Carlos Eduardo Madi admitiu que, por volta das 20h, cerca de 20 mil imóveis estavam sem luz.

As regiões da Vila São Francisco, Mary Dota/Chapadão, Camélias, Pagani, Vila Universitária, Villagios, Centro e imediações da Duque de Caxias e da Saint Martin foram algumas das afetadas, segundo relatos de internautas e leitores que acionaram a redação do Jornal da Cidade.

Para reduzir o tempo de respostas, a concessionária de distribuição de energia quadruplicou o número de equipes de manutenção de plantão. Além das quatro rotineiras, mais 12 veículos extras foram levados às ruas na noite de ontem.

Ainda assim, a CPFL não conseguia estimar prazos para que o fornecimento fosse restabelecido, até mesmo em função das condições de circulação nas vias públicas.

A reportagem recebeu um vídeo com um fio de alta tensão em chamas, caído no chão, em frente a uma das portarias do residencial Camélias.

Tudo perdido

Fernanda Simioni/Divulgação
Vários carros quase foram levados pela força da água na rua Joaquim da Silva Martha, nas proximidades do Parque Vitória Régia

A chuva de ontem causou prejuízos materiais a famílias que tiveram suas casas invadidas pelas águas. Nelma Aparecida Rodrigues de Deus, 52 anos, vivenciou essa traumatizante experiência pela segunda vez, oito anos após a primeira ocorrência.

"Acabou com tudo. Nem os medicamentos que tomo [para uma doença crônica] sobraram. Quando aconteceu da outra vez, fui atrás da prefeitura, mas ninguém ligou. Os carros do meu filho e do meu marido também foram embora", relata a moradora da região da Vila Ipiranga, na quadra 6 da rua Lourenço Rodrigues.

Prefeito e secretariado 

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) estava, desde 7h30 desta terça-feira, em reunião com seu secretariado para que os estragos da tempestade sejam avaliados e medidas emergenciais, definidas.

"Não houve vítimas, mas famílias podem ter ficado desabrigadas e precisam de assistência", pontuou.

Na noite de ontem, o chefe do Executivo esteve na avenida Nuno de Assis, onde constatou o nível do leito do Rio Bauru e, pessoalmente, orientou motoristas para que não seguissem na direção do Mary Dota, por conta da inundação no bairro.

"Ajudei a sinalizar enquanto os bombeiros não chegavam. Aqui é um dos pontos mais críticos e os carros estavam entrando", relatou.

Na semana passada, uma reunião multissetorial do governo discutiria, entre outros assuntos, estratégias para situações como a da noite desta segunda-feira. O mutirão contra a dengue, porém, foi priorizado.

Gazzetta afirmou, porém, que todos os procedimentos pactuados no governo anterior foram executados.

"A nomeação do Sidnei Rodrigues [que era secretário de Obras] para a Defesa Civil foi providencial porque ele já estava a par disso tudo".

Areiópolis

A rodovia Marechal Rondon (SP-300) está interditada nos dois sentidos no quilômetro 278, no município de Areiópolis (69 quilômetros de Bauru) devido a forte chuva que atingiu a região. Segundo a Polícia Rodoviária de Botucatu, um rio que fica próximo à estrada transbordou e a água invadiu as quatro pistas. Não há previsão de quando o trânsito será liberado.

 

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