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Fifa aprova maior reforma da história dos Mundiais


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Arnd Wiegmann/Reuters
Infantino havia prometido, para ser eleito presidente da Fifa, que abriria espaço para novas regiões do mundo

De olho em lucros inéditos e de consolidar o futebol como o principal esporte no planeta, a Fifa promoveu a maior reforma da história de quase cem anos da Copa do Mundo. Além de uma expansão para incluir 48 seleções, a entidade mudou as regras do torneio e abriu a possibilidade de que continentes possam repartir os jogos em diversos países. Nessa terça-feira (10), o Conselho da Fifa aprovou a mudança de forma unânime, incluindo 16 novos países no Mundial.

Na preparação para a decisão, a entidade havia realizado dez mil simulações apontando que, em termos de qualidade, o melhor seria manter a Copa com os atuais 32 países. Mas, para atingir seu objetivo de expandir o futebol e a renda da entidade, a única opção encontrada pelos cartolas foi a de abrir mais vagas.

A projeção é de que a renda salte em 35%, com uma audiência recorde em novos territórios que jamais sonhariam em se classificar, principalmente na Ásia. Com a expansão, existem boas chances de que a China também entre na Copa, um sonho de Pequim e dos dirigentes na Fifa.

Pelo projeto aprovado, serão 80 jogos e pelo menos seis horas de futebol por dia. Com quatro partidas por dia, a própria entidade admite que será “um desafio” erguer uma infraestrutura capaz de acomodar o projeto.

Para que isso seja possível, a Fifa vai promover mudanças radicais nas regras do jogo. O primeiro é o fim do empate, com todos os jogos sendo definidos em pênaltis em caso de as partidas não tiverem um vencedor durante o tempo de bola rolando. Além disso, até 2026 a esperança é de que a tecnologia já esteja avançada e de que polêmicas possam ser facilmente resolvidas por meio vídeo ou outros auxiliares. Estão ainda em estudos medidas como a autorização de um maior número de substituições, na esperança de manter elevado o ritmo de jogo.

CONTINENTAL

Para garantir ainda que o novo projeto possa encontrar uma sede capaz de ter 12 estádios novos, 64 campos de treinamentos e uma segurança reforçada, a Fifa vai abrir a possibilidade de que diversos países se apresentem de forma conjunta para sediar a Copa.

Um dos temores das federações era de que, com o novo projeto, as futuras sedes se limitassem a grandes países como Estados Unidos, China, Alemanha ou Japão. Mas a Fifa, a partir de 2026, permitirá que uma Copa possa ocorrer em mais de três países ao mesmo tempo. Isso, segundo a entidade, reduzirá o custo para cada uma delas.

RISCOS

Entre os críticos das propostas, o principal temor é de que o que parece ser um salto na renda acabe sendo um tiro no pé na qualidade do torneio. Patrick Nally, o homem que montou o esquema de marketing da Copa nos anos 1970, alertou que a expansão pode acabar reduzindo o valor do torneio. Em 2016, pela primeira vez em 30 anos, houve fatiga na audiência na Inglaterra em relação ao futebol. A conclusão foi de que havia “muitos jogos” ao vivo. Para a Fifa, isso seria compensado por novos territórios e populações que passariam a fazer parte da “festa”. A meta também é de ter 60% da população mundial envolvida no futebol nos próximos dez anos, consolidando a modalidade como o esporte mais popular - e rentável - do mundo.

PODER

Outro impacto será na divisão de vagas por cada continente. Infantino havia prometido, para ser eleito, que abriria espaço para novas regiões do mundo. A tática foi a mesma usada por João Havelange nos anos 70 para conseguir se consolidar no poder. Com a aprovação, Infantino tem grandes chances de se eleger uma vez mais em 2019.

Nos próximos meses, haverá um debate sobre como serão repartidas as vagas para o torneio. Mas tudo indica que a América do Sul possa ter 6,5 vagas, contra 9,5 para a África, 8,5 para os asiáticos, 16 para europeus, 6,5 para Concacaf e uma para a Oceania. Com a expansão, a Fifa ainda vai distribuir US$ 1 bilhão às federações a partir de 2026 e apenas por entrar no evento um país pode ficar com pelo menos US$ 8 milhões.

Inchaço exigirá ‘futebol sem fim’, com quatro partidas por dia em duas semanas

O inchaço da Copa do Mundo para 48 seleções vai exigir a realização de quatro jogos de futebol por dia, durante duas semanas. Só assim é que a Fifa conseguirá cumprir sua promessa aos maiores clubes do planeta de que o novo Mundial será realizado com 16 seleções extras e, mesmo assim, não ultrapasse 32 dias.

A entidade admite que a qualidade vai cair. Mas a renda vai sofrer uma explosão, com 35% de aumento em comparação à receita da Copa de 2014 no Brasil. Para o novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, trata-se de seu maior teste como chefe da entidade máxima do futebol. Por meses, ele tem costurado a ideia com emissoras, federações, clubes e patrocinadores.

Maior audiência, maior marketing e mais venda de ingressos, porém, exigirão um acúmulo de jogos por dia, com um total de seis horas de futebol diariamente. Isso se as partidas não forem para os pênaltis. Uma das propostas é de que não haja empates e que todos os duelos nessa situação sejam definidas por pênaltis, o que aumentaria ainda mais as horas de futebol na TV.

“Será um mês de um futebol sem fim nas televisões do mundo”, alertou um dos cartolas em Zurique, na condição de anonimato e admitindo que, no médio prazo, isso pode afetar o valor da Copa. “A Fifa não entende a lei do retorno”, alertou Patrick Nally, homem que desenhou o sistema de marketing da entidade nos anos de 1970. “Um modelo com 48 seleções vai diminuir o valor das Eliminatórias e da Copa”, disse.

Para que todos esses 48 jogos possam ocorrer em duas semanas, quatro partidas serão disputadas diariamente. Não haverá nem mesmo como ter a abertura da Copa do Mundo sendo realizada com um jogo único. Já no dia inicial de competições, seriam quatro partidas.

O número representa o acréscimo de um jogo por dia, em comparação ao atual modelo, com 32 times. Na segunda fase, com 32 times em um mata-mata, o mesmo ocorreria: quatro jogos por dia. “Enquanto formatos de expansão com quatro jogos por dia gerariam mais valor de transmissão, isso também aumentaria os custos operacionais”, indicou a Fifa.

RENDA

Em sua avaliação interna, a entidade deixou claro que, apesar do maior custo e do futebol praticamente sem interrupção, a superlotação de jogos compensaria em termos financeiros, principalmente se as TVs entrarem em um acordo com os organizadores para transmitir os jogos nos horários nobres dos países envolvidos nas partidas.

Para que o novo formato funcione, a Fifa estima que pelo menos 12 estádios sejam necessários para que o calendário funcione e, mesmo assim, cada um deles terá de comportar um jogo a mais, o que também colocará pressão sobre o gramado.

Para cada seleção, a média será de um jogo a cada quatro dias, número considerado como o mínimo necessário para garantir a qualidade do torneio com jogadores que já vêm de longas temporadas.

Um dos problemas registrados é o de que não haverá um equilíbrio entre os dias de descansos entre as seleções. Outra questão é que não haverá forma de realizar disputas simultâneas nas últimas rodadas da fase de grupos, medida adotada para evitar que seleções combinem resultados.

Com esse calendário sobrecarregado, a Fifa espera conseguir evitar que a competição dure mais dias, uma promessa que Infantino havia feito aos grandes clubes europeus que já criticam o calendário.

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