Tribuna do Leitor

Com assim abster-se?

José Luiz de Oliveira Prata
| Tempo de leitura: 2 min

Abster-se é não tomar partido. É não expressar opinião. É não ser a favor nem contra. Acredito que muitos de nós, em certas situações, já nos vimos nessa situação onde, por falta de conhecimento, achamos melhor não emitir nossa opinião sobre determinado assunto. Isso pode acontecer por medo de ferir sentimentos alheios, por puro preconceito, por falta de conhecimento sobre o assunto ou simplesmente porque o assunto não lhe interessa.


Qualquer cidadão comum sempre teve esse direito, embora, com o crescimento da consciência política, esse tipo de posicionamento venha diminuindo gradativamente.


Nas nossas reuniões sociais, redes sociais, festinhas, mesas de bar, grupos de igreja, reuniões familiares é cada vez mais comum as discussões sobre política e sobre os assuntos de interesse coletivo. O “eu acho que deve ser assim” tem cada vez mais ganhado espaço e isso é extremamente salutar para o crescimento e desenvolvimento de nossa cidade e do bem estar da população.


Quanto mais pessoas expressando sua opinião e apoiando outros que pensam de maneira igual melhor é para que ações sejam tomadas nesse ou naquele sentido.


O que não dá é para ficar reclamando que a vida não é boa enquanto não me posiciono diante dela. Quando não digo claramente o que eu penso que seja uma “vida boa”.


Agora, é estarrecedor ver um político propor o direito de abster-se em assuntos que vão direcionar os rumos de uma cidade. Decisões que vão afetar diretamente 370 mil pessoas. Ora, foram eleitos para não opinar? Para dizer “eu não sei se isso é bom ou ruim”? Para dizer “o que vocês decidirem, para mim está bom”?


Onde está a representatividade dos votos recebidos na urna? Onde está a honra e a coragem? Desculpem-me os que pensam ao contrário, mas eu não posso abster-me sobre esse assunto. Não posso deixar de dar minha opinião.


Políticos legitimamente eleitos para representar o povo devem fazê-lo, obrigatoriamente. Espero que os novos eleitos, eleitos principalmente pela esperança de um nova maneira de fazer política, não se abstenham desse assunto e, principalmente, não se deixem contaminar pelo ranço da velha política que ainda perdura em muitos municípios pelo Brasil afora.


Seja nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas ou no Congresso Nacional, abster-se é não dar a cara a tapa. É não querer desagradar interesses. É não ter coragem de assumir responsabilidades. É, principalmente, não se importar com quem os elegeu.

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