Um ano atrás, na tarde chuvosa do dia 21 de dezembro de 2015, um terrível incêndio atingiu um dos principais cartões postais de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa. Há poucos dias, tive a honra de anunciar junto com o Governador Geraldo Alckmin o início do processo de restauro, reinstalação e modernização do museu.
O trabalho começa numa condição inédita: os R$ 65 milhões necessários às obras já estão mobilizados, metade garantida pela indenização do seguro contra incêndios e a outra assegurada pela iniciativa privada, reunida em uma aliança solidária coordenada pela Fundação Roberto Marinho.
Parte dos recursos de patrocínio será aportada por meio a Lei Rouanet. Tão atacada recentemente, ela será fundamental na recuperação do Museu, assim como já o é no dia a dia de importantes instituições culturais, como Pinacoteca, Osesp, Masp, Fundação Bienal e Mostra Internacional de Cinema.
É natural que a Lei Rouanet precise de ajustes. Mas condená-la sem reflexão é desconsiderar seus benefícios. A cultura recebe apenas 0,48% de todos os incentivos fiscais oferecidos pela União. Apesar da minguada proporção, entre 2010 e 2015 mais de 109 milhões de ingressos foram distribuídos gratuitamente por projetos apoiados.
Em São Paulo, a atualização do incentivo estadual - o ProAC - é rotina há várias gestões. Continuamente adaptado às necessidades dos produtores e às orientações dos órgãos de controle, o ProAC nos permite voltar os olhos ao que realmente interessa: o produto cultural gerado e sua contribuição para o desenvolvimento social.
Esta, aliás, deveria ser uma preocupação compartilhada por todos: triste do povo cuja força criadora se resumisse às limitações do poder público. Há inúmeras formas de contribuir, a começar pelo patrocínio direto, que floresce com vigor.
A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa chama a atenção para um dos caminhos possíveis de engajamento da sociedade civil. Que ele inspire outras iniciativas em prol da cultura brasileira.