Duas coisas são de estarrecer perante a notícia trombeteada pelo Ministro da Educação: (1) que o piso salarial dos professores passaria para R$ 2.298,80; (2) muitos estados sequer pagam o piso.
Com salário mínimo fixado em R$ 937,00, tem-se que o piso aumentado representa apenas 2,45 salários mínimos.
Justificam-se os Estados que pagam não o piso, mas seu subsolo, alegando falta de recursos orçamentários para cumprir a obrigação.
Não cola. É o mesmo que dizer não se ter tempo para praticar determinado ato. Ora, é sabido que ter ou não ter tempo é apenas uma questão de preferência.
Se fosse priorizado no orçamento que os gastos com educação e saúde deveriam ser preferenciais, far-se-ia (com perdão da mesóclise temeriana) a opção igual à do tempo: uma questão de preferência.
Entretanto, o que ocorre na ordem das prioridades do Estado (se é que se pode, hoje, na situação em que estamos, chamar o Brasil de Estado), é dar preferência aos gastos com pessoal, e após, com o que sobrar, atender o resto, tanto quanto se possa, ou seja, igual a quase nada.
O que esperar do futuro de um país, quando seus professores, sob cujos ombros recai o peso do futuro dos alunos, recebem remuneração tão baixa, e em muitos estados, nem mesmo isso?
Visto dessa perspectiva, fica muito difícil crer que este país deixará de ser ainda uma colônia subdesenvolvida, ainda que para todos os efeitos seja independente, enquanto não puder contar com um futuro promissor na figura dos que hoje estarão nas escolas. Futuras gerações, uma vez que a atual, a nossa e de nossos filhos, infelizmente, faz parte do grande imbrógio sócio-econômico, instaurada desde que deixou de ser império e tornou-se república, a coisa pública no latinório. Tão pública que se confunde de há muito o público com o privado, vítima de uma doença lusitana chamada "patrimonialismo", para a qual ainda não se inventou vacina.
Por isso, o que vai se pagar como piso, se receberem, não merece nome melhor do que aquilo que efetivamente é: mero subsolo.