| Douglas Reis |
![]() |
| Arte sustentável: Hoje, o escultor Leandro Prado tem priorizado as esculturas em madeira com material de descarte natural |
O trabalho manual vem ganhando espaço e caindo de vez no gosto do consumidor, principalmente pela exclusividade que representa. E artistas e artesãos talentosos estão espalhados pelos bairros afora.
Leandro Prado é morador da região conhecida como Popular Ipiranga e carrega anos de experiência, dom e amor pela arte. Tudo começou em sua cidade natal, Embu das Artes, quando ainda era somente Embu.
"Eu morava na região central da cidade e tive contato com muitos artistas. Ficava encantando com o trabalho deles. O tempo foi passando, cresci, estudei ajustagem mecânica, trabalhei com comércio... até que me rendi e hoje vivo somente das esculturas, já há uns 15 anos", narra.
Atualmente, Leandro dedica a maior parte do seu tempo às esculturas em madeira. Uma arte sustentável, já que o material vem de podas e cortes de árvores que ele encontra pelo caminho, em calçadas, caçambas, bueiros, mato, ecoverdes...
"São madeiras descartadas naturalmente, que virariam lixo ou lenha. Depois de uma tempestade, por exemplo, o material é abundante. Ver esse descarte ser transformado no belo por minhas mãos é algo muito gratificante, principalmente quando a criação é minha. E, quando alguém se encanta com meu trabalho, é transformador", enfatiza o artista, que expõe suas peças também na internet, na página do facebook "Ledo Ateliê", além de também vendê-las no site Elo7.
O feminino como inspiração
Para o escultor Leandro Prado, que também trabalha com outros materiais, como a pedra-sabão, a mulher é a principal inspiração. O feminino, com seu colo, proteção e aconchego, o lado maternal da mulher, são evidenciados e eternizados em sua arte. "Faço por inspiração e por encomendas. Além das peças femininas, os clientes costumam pedir itens em madeira como carrancas e imagens de São Francisco", acrescenta (Leia outras histórias nas próximas páginas).
Criatividade reina no ofício manual
Muitas vezes, o que era para ser passatempo faz sucesso e ganha cada vez mais clientes
Um pingômetro feito pelo eletricitário aposentado José Carlos Dias tem caído no gosto de quem vê. O passatempo acabou ganhando espaço entre familiares e amigos e, hoje, já é vendido como presente, principalmente.
"Eu vi em algum lugar e achei um objeto bem bolado, muito bacana mesmo, principalmente para ser colocado em áreas de lazer, como cantinho de churrasco em casa, na chácara ... Então resolvi adaptar a peça e fazer do meu jeito, com minha criatividade", grifa.
Assim nasceu o já famoso pingômetro de José Carlos.
Feito basicamente com garrada e madeira, tudo reaproveitado. Ele começou a confecção há uns dois anos e meio, já aposentado, quando buscou fazer algo prazeroso para fazer no dia a dia.
A primeira foi para ele. Depois, o objeto criativo passou a ser feito para presentear os amigos, que gostaram tanto do mimo que passaram a comprar também para presentear.
Terapia
"Eu gosto de trabalhar com madeira. E estou sempre fazendo uma coisa ou outra para a minha casa, para a residência de familiares... Eu acredito que o artesanato seja relaxante. Para mim é. Esse tipo de ocupação esfria a cabeça. Eu não faço para economizar ou gerar renda, mas sim para não ficar ocioso ", defende o morador do Jardim Estoril.
É preciso acreditar e investir na arte, orienta instrutor artístico
O instrutor artístico Gastão Debreix começou a trabalhar com artesanato ainda jovem, com o pai, que era professor de marcenaria em uma escola industrial em Pirajuí, cidade onde também mantinha uma pequena oficina nos fundos de casa. Já na década de 1990, Gastão veio para Bauru cursar artes plásticas na Unesp, ficou por aqui e criou a empresa Lapispau.
Com a Lapispau (www.lapispau.com.br), ele produz jogos e diversos objetos em madeira: dominós, bilboquês, fruteiras, porta-retratos, brindes institucionais e alguns projetos sob encomenda.
"Compartilho conhecimento através de cursos semestrais sobre marcenaria e marchetaria, crio arte enquanto artista plástico e poeta visual. Posso dizer que meu trabalho transita entre o design e o artesanato. Faço sempre em série, que pode ser um número pequeno ou grande de objetos, mas que acabam sempre se transformando em peças únicas, exclusivas, pela própria característica da técnica de marchetaria", define.
Pesquise
Acreditar e investir em máquinas e ferramentas. Estas são as principais dicas do instrutor artístico para quem tem talento e quer viver da arte.
"Às vezes sou requisitado a dar conselhos, dicas ou avaliar trabalhos de artistas iniciantes ou coisa parecida, fico sempre apreensivo. Mas minha resposta é quase sempre a mesma: estamos na era da informação, pesquisem sobre a história da arte, pelo menos do modernismo para frente, da virada do século XIX para o XX, do impressionismo, onde tudo começou", pontua.
Segundo ele, ainda é preciso ter noções de estética e desenho técnico, conhecer os materiais, ter capricho e paciência, principalmente para trabalhar com marchetaria e marcenaria.
Atualmente, Gastão é instrutor artístico na Divisão de Ensino às Artes (DEA) da Secretaria de Cultura de Bauru, onde ministra uma oficina de brinquedo em madeira no Projeto Girassol do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), além de lecionar no curso de design da Uniesp/Bauru.
"Também ofereço cursos no ateliê-marcenaria Lapispau, sobre marcenaria e marchetaria. Sou artista plástico e poeta visual, crio, exponho e comercializo meus trabalhos artísticos. Vivo e respiro arte", define.
Feira Ubá é reduto de artesãos
Tradicional em Bauru, a Feira Ubá reúne artistas do artesanato de Bauru e região e oferece diversos produtos à comunidade. Instituída pela Lei nº 4958, de 24 de março de 2003, ela busca a valorização e a comercialização da arte e do artesanato, expressões populares que são materializadas das mais diferentes maneiras pelas mãos de artistas e artesãos.
O nome da feira (Ubá) tem origem indígena e remete ao nome de uma gramínea com a qual os índios da região trançavam suas fibras para fazer os tradicionais cestos de frutas.
Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, para participar da Feira Ubá é necessário fazer um cadastro, relatando o tipo de artesanato produzido, os materiais utilizados e as peças que serão comercializadas.
Para a realização da feira, é oferecido apoio da Secretaria Municipal de Cultura, que atua na organização do local com banheiros químicos, equipamento de som e água aos participantes. Existem também barracas que vendem alimentos.
É possível encontrar diversos produtos, como filtros dos sonhos, toalhas e tapetes de linha e barbante, almofadas e colchas bordadas, arte indígena como colares e pulseiras de sementes, plumas e cipó, cocar, flauta em bambu, jogos de banheiro e cozinha, porta objetos em madeira, caixas personalizadas para joias, bandeja, cesta, baú, toalhas pintadas e bordadas, enfeite de parede, além de obras de arte com diferentes suportes, em tela, papel e eucatex, trançados, pintura em tecido e madeira.
Por amor ao artesanato
| Aceituno Jr. |
![]() |
| O tempo livre da educadora social Adriana Wenceslau é dedicado à arte, que é hobby, renda extra e terapia para ela |
O artesanato é um ofício tido como hobby para muita gente. Para a educadora social Adriana Wenceslau, a arte é paixão. E basta surgir um tempinho livre entre o trabalho e os cuidados com a família para que a moradora do Núcleo Geisel se dedique às peças que produz em casa.
"Desde pequena eu gosto muito de tudo o que se relaciona com as artes. Na escola, minha matéria preferida era educação artística. E quando criança, eu confeccionava as roupas das minhas bonecas. Lembro-me que minha mãe ficava enlouquecida comigo, pois eu andava pela casa com retalhos de tecido, tesoura, agulha e linha", recorda Adriana.
Atualmente, ela faz diversos tipos de artesanatos com materiais variados: E.V.A, TNT, MDF, Feltro, tecido (costura), crochê e tricô. Boa parte das técnicas, ela aprendeu sozinha, principalmente com a internet, que é sua atual fonte de pesquisa e divulgação. O trabalho manual para Adriana é mais do que amor, é também uma renda extra e terapia.
"Divulgo meus trabalhos pelo facebook em uma página criada especialmente para a venda de minhas criações (Artesanatos da Dri), além do tradicional boca a boca. Não tenho um público-alvo específico", explica.
De casa para o trabalho
A educadora social trabalha com crianças de 8 a 9 anos de idade e, segundo ela, o dom para o artesanato tem contribuído também com seu lado profissional. "Por trabalhar com crianças eu pude confeccionar materiais pedagógicos, o que me ajudou muito. Trabalho em no Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips), onde uma das atividades realizadas é a oficina, desenvolvida com diversos tipos de artesanatos", finaliza.
Quando o hobby vira profissão
O prazer proporcionado pelo trabalho artesanal é tanto, que não é difícil encontrar quem opte por deixar um emprego tradicional para se dedicar a ele. É o caso, por exemplo, de Clélia Andreaça José, moradora da Vila São Paulo.
Enfermeira por formação, ela deixou o trabalho no hospital há cerca de três anos para ter mais tempo para se dedicar ao ateliê montado em casa. Em sua oficina, ela produz o que chama de itens práticos para o dia a dia da mulher, principalmente. São objetos organizadores, bolsas, coisas de bebê (fraldas personalizadas, entre outros), porta maquiagem...
E tem valido a pena, acredita a artesã. "Eu não me arrependo mesmo dessa troca. Não posso dizer que a renda já seja alta, mas ganho praticamente a mesma coisa que eu ganhava como enfermeira. Além disso, tenho toda a comodidade de trabalhar em casa. Faço os meus horários, saio quando quero ou quando preciso...", enumera.
Criatividade nata
Clélia faz artesanato desde criança. Aprendeu vendo modelos em revistas, fez alguns cursinhos com pessoas mais experientes e foi se aprimorando sozinha ao longo dos anos. Hoje ela trabalha com o chamado bordado computadorizado. Embora seus peças sejam confeccionadas praticamente todas por encomenda, ela já planeja aumentar a produção e ter produtos para pronta-entrega. "Eu amo produzir arte. É uma realização pessoal, que também está na internet com minha página do facebook: Ateliê de Artesanatos Clélia Andreaça", defende.
Serviço
A Feira Ubá acontece nos primeiros e segundos sábados de cada mês na Praça Anacleto Chaves; no segundo domingo do mês, o endereço é o Parque Vitória Régia. Já na Rui Barbosa, a feira é realizada aos terceiros sábados.
Mais informações
(14) 3232-9493.
.jpg)
.jpg)