| Divulgação |
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| A rachadura na parte externa do prédio no bloco 28 é maior que a espessura de um dedo |
Nas últimas semanas, um temor tomou conta de moradores dos blocos 28 e 31 do residencial Três Américas 1, construído por meio do programa "Minha Casa, Minha Vida" (MCMV), no Bauru 16. Os prédios de quatro andares começaram a apresentar rachaduras externas pelo bloco e fissuras variadas internas nos apartamentos, cerca de três anos após sua ocupação por dezenas de famílias.
Nas últimas semanas, técnicos da Caixa Econômica Federal teriam realizado uma análise do local, mas o laudo deve sair em, aproximadamente, 30 dias. O problema é que a espera tem aumentado a expectativa e a apreensão dos moradores, que temem pela segurança de suas famílias diante da situação. Algumas rachaduras existiam desde o ano passado, mas teriam aumentado consideravelmente com as últimas chuvas, conforme os relatos.
BLOCO 31
Segundo contam os moradores, no bloco 31, as fissuras e rachaduras teriam tomado o prédio do lado externo e interno.
"As rachaduras são grandes. O próprio técnico comentou que era arriscado ficar lá. Estamos todos com medo desde então", afirma Danieli Cristina de Mello Souza, 30 anos, que mora com os dois filhos, de 3 e 9 anos, no bloco 31. "Não tem indenização que pague se vier uma chuva forte e algo grave acontecer com a gente lá dentro", completa.
A informação é confirmada por Juliane Cristina, de 36 anos, moradora do mesmo bloco. "Tem apartamento com rachadura de um dedo. Desde o ano passado elas estão ali, mas aumentaram com as últimas chuvas. Não podemos nem lavar o chão que a água desce para o andar de baixo. Parece que a parede está desencostando do piso", pontua Juliane.
BLOCO 28
No bloco 28, moradores apontam que as rachaduras tomaram conta da parte externa do prédio. "Dá a impressão de que o prédio está afundando de um lado", afirma Karen Margariso, de 23 anos.
Fotos registradas pelos próprios condôminos mostram, por exemplo, a casinha de depósito do gás de cozinha do bloco, que é de concreto, se desencostando do prédio. Outra cena mostra a calçada ao lado do bloco completamente rachada.
Ainda não se sabe, porém, se os problemas em questão são locais, ou seja, provocados por falhas pontuais na construção, ou se demonstrariam falhas na fundação do prédio.
"Não tenho a impressão de que o bloco está caindo, mas sim de que o prédio tem se deslocado por conta de uma erosão que existe ao lado", opina Vanessa Ribeiro, de 37 anos, também moradora do bloco 28. "Não há rachaduras nos apartamentos, somente do lado de fora do bloco", ressalta a moradora.
MINA DE ÁGUA?
Nos últimos dias, um boato se espalhou pelo local com a informação de que os blocos teriam sido construídos sobre minas de água e que por isso os problemas estariam acontecendo. A afirmação, contudo, teria sido desmentida pela síndica do local em uma reunião organizada pelos moradores na última semana.
Durante o encontro, uma turma formada por condôminos de ambos os blocos teria combinado de registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil para resguardarem seus direitos quanto aos problemas apontados.
O OUTRO LADO
A reportagem contatou a assessoria de imprensa da Caixa na última sexta-feira para obter mais detalhes sobre o problema, saber se realmente há riscos, e para um posicionamento sobre a situação. Até o fechamento desta edição, na noite de anteontem, contudo, o JC não obteve respostas.
Coordenadora do MCMV em Bauru, Silvia de Deus disse desconhecer o problema, mas afirmou que algumas falhas de construção têm sido verificadas em algumas unidades, mas nada que coloque em risco os moradores. Ela ressalta que a responsabilidade sobre a construção é da Caixa e da construtora. "Isso não quer dizer que a prefeitura se exime do problema. Iremos ajudar e apoiar naquilo que for necessário, inclusive, ligarei hoje (sexta-feira) para a Caixa para saber detalhes do que está ocorrendo por lá", afirma.
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