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| Victor, fundador do Trio José, como gosta de estar: bem à vontade ao violão e em plena fase de divulgação do primeiro CD solo |
Natural de São José dos Campos, Victor Mendes está bem à vontade em seu primeiro álbum solo, "Nossa Ciranda". Cantor, instrumentista e compositor, ele passeia por essas três áreas com desenvoltura após um histórico que começou na infância.
Sem ter tido nenhuma influência específica em casa - a não ser a mãe que ouvia músicas variadas para sua distração -, seu contato com um instrumento musical começou quase por brincadeira, aos 11 anos de idade.
Sua mãe comprou um violão para se divertir e foi o filho quem se encantou pela novidade. Começou a dedilhar as cordas por curiosidade e nunca mais largou o instrumento. Juntou-se a amigos no prédio onde morava para tocar até que decidiu aprender de verdade com Marcílio, um professor conceituado em São José.
A partir dos 15 anos, Victor ganhou uma guitarra do pai e montou sua banda de rock, a Ethama (terra, em tupi), onde também era baterista e cantor. Apesar de gostar do que fazia e de ter gravado dois CDs independentes, o objetivo do grupo não era ganhar dinheiro. Valeu como uma superexperiência que durou três anos.
A banda de rock durou até 2006. Victor deu adeus a São José dos Campos, fez as malas e foi morar em São Paulo. Aluno de História na USP, deixou a música de lado. Mas os seus caminhos se cruzaram com duas pessoas muito interessantes ainda na USP: Paulo Nunes, livreiro e poeta, e Saulo Alves, compositor. A amizade, que representou um divisor de águas na vida do estudante, fez voltar a vontade de retornar à música.
Mais: abriu seus horizontes, aprendendo a tocar viola caipira e mergulhando fundo na música popular brasileira. Foi nessa época que Victor foi "apresentado" à obra de Milton Nascimento, que se tornou uma referência.
Embora tenha pensado desde sempre em fazer carreira como historiador, a música falou mais alto. Passou a musicar os poemas e as letras dos amigos e teve a certeza de que fez a melhor opção para a sua vida.
LAÇOS DE FAMÍLIA
Filho de Júlio, engenheiro, e de Márcia, professora de inglês, Victor dividiu sua vida com a irmã Lígia, que é administradora de empresas. Pai e mãe deixaram a critério do filho a escolha profissional.
No entanto, os pais não se entusiasmaram quando Victor falou do curso de História - mas não se importaram com o caminho da música, assim como algumas outras pessoas, entre as quais a avó de uma namorada.
"Quando fui apresentado à família, a avó da garota se mostrou claramente preocupada com o futuro da neta caso se casasse comigo, um simples professor de História. Ela me questionou e eu me saí com essa: 'Ah, mas eu sou violeiro...' Acho que minha reputação não ficou das melhores naquela casa", diverte-SE Victor, que passou de namorado a apenas amigo.
Depois de formado, o músico trabalhou no Museu do Futebol como educador. Em 2009, fundou o Trio José, com Danilo Moura. No início, o grupo de música raiz se apresentava em quermesses em São José dos Campos e em bares de várias cidades do Brasil. Em 2014, o grupo lançou o disco "Puisia".
A experiência de cantar na noite serviu como uma boa escola que o ensinou escolher repertório, a se sair bem em qualquer situação - como conseguir se concentrar no palco apesar do barulho da plateia de um bar -, ou apenas perder a natural timidez.
O DISCO
A ideia de fazer um disco solo ficou ainda mais forte depois da gravação do CD do Trio José. "Com a experiência adquirida durante o processo de gravação, decidi continuar no estúdio e dar início à gravação do primeiro trabalho solo", enfatiza Victor Mendes.
O músico, que ganhou traquejo durante o ano de estúdio tanto para tocar quanto para cantar, se sentiu à vontade para produzir e dirigir o seu disco solo. Apesar da total liberdade para escolher o repertório, Victor sempre compartilhou as ideias com os amigos. Ele quis, por exemplo, gravar músicas mais antigas, que já tocava em shows, para poder divulgar o seu trabalho.
"O olhar de músicos próximos sempre foi importante para a tomada das minhas decisões. Achei relevante convidar as intérpretes Karine Telles, Paola Albano e a Roberta Oliveira, para dar um colorido especial ao CD", define.
Neste primeiro trabalho solo, Victor investe nas suas mais diversas referências: músicas como Rio Manso, que dialoga com o jazz, o folk americano e a tradição caipira. Em A mais triste canção, a tônica é o encontro das referências regionais de Paulo Nunes e Saulo Alves, autores da canção, com a vida urbana em São Paulo. Essas duas obras exemplificam a união entre arranjos modernos e instrumentos da música regional brasileira, como a viola e a rabeca, evidenciando o forte diálogo entre a tradição e a inovação musical, presente em todo o disco, destaca via assessoria.
'BALEIRO'
Com 13 músicas, "Nossa Ciranda" mescla samba, canção de amor, influências de folk e de ritmos latinos. E o resultado foi além do esperado. "Apesar de levar dois anos para ser concluído, o trabalho ficou ainda melhor do que eu imaginava. Isso porque a contribuição dos músicos foi incrível. Eles entraram com o talento e com muita inspiração, o que deu uma cara mais coletiva ao CD. Estou muito feliz com o desfecho", conclui Victor.
O projeto independente já ganhou seu primeiro prêmio: o edital para a circulação de espetáculos de canção do ProAC 2016 (Programa de Ação Cultural, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo), possibilitando dar início em meados de 2017 a turnê de lançamento do álbum "Nossa Ciranda".
Você sabia?
Milton Nascimento, Gilberto Gil, Dércio Marques, Renato Teixeira, Almir Sater, Vitor Ramil, Jorge Drexler, Dori Caymmi e o rock americano dos anos 90 são influências de Victor.
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