| Douglas Reis |
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| Augusto Remoli Filho explica que excesso de umidade prejudica o plantio de alguns itens básicos |
A chuvarada que atingiu a cidade e região neste início de ano já começa a influenciar os preços de hortifrútis na Central de Abastecimento (Ceasa) de Bauru. Nesta segunda-feira (16), cinco itens básicos que compõem a mesa da população registraram alta de preço.
Nas verduras, o alface passou de R$ 15,00 para R$ 17,00 a dúzia de maço; a couve foi de R$ 12,00 para R$ 18,00 a dúzia de maço; e a rúcula de R$ 18,00 para R$ 24,00 a caixa com três quilos.
O acréscimo atingiu ainda o tomate, que custava R$ 30,00 e agora é vendido por R$ 40,00 a caixa com 24 quilos; e a vagem, que apresentou a alta mais significativa entre os produtos: saltou de R$ 40,00 para R$ 60,00 a caixa com 15 quilos.
No varejo, o consumidor deve ficar atento aos preços desses itens em específico, uma vez que o reflexo do aumento pode chegar aos supermercados muito em breve. Mesmo assim, os estabelecimentos tentam adotar estratégias para não repassar toda essa alta aos clientes (leia mais abaixo).
As intensas chuvas das últimas semanas foram determinantes na alta dos preços, explica o técnico operacional da Ceasa, Augusto Remoli Filho. "O excesso de umidade faz apodrecer a rama (que segura as verduras, legumes e frutas). Isso significa que a produção cai e, consequentemente, os valores se elevam", aponta.
O empresário Paulo Vitor Gonçalves Rodrigues, 27 anos, foi pego de surpresa com o aumento. "Vai complicar as vendas", lamenta ele, enquanto comprava tomates ontem na Ceasa, para abastecer supermercados da cidade e região.
"A qualidade do produto também cai com o excesso de chuvas. Na quinta-feira passada, precisei jogar 400 caixas de tomates, que estavam sem condições de consumo. Hoje (ontem), terei de me desfazer de cerca de 100 caixas", destacou.
PREOCUPA
Remoli se mostrou preocupado diante da alta dos itens, uma vez que as vendas, segundo ele, ficaram aquém do esperado em dezembro do ano passado. "Nesta época do ano, espera-se vender mais em razão das festas, porém, o consumo caiu em torno de 30%, se compararmos com o mesmo período de 2015".
Ele atribui a queda à crise econômica e acrescenta que, em razão da retração, não houve reajuste em nenhum produto, no mês passado. "A ameixa, o pêssego e a uva, normalmente, sobem um pouco no final do ano", discrimina.
O técnico operacional frisa que as frutas foram as menos atingidas. "A uva niágara, por exemplo, segue sendo vendida a R$ 35,00 a caixa com cinco quilos", finaliza Remoli.
No varejo
O gestor de compras de uma rede de supermercados, Alexandre Fátimo, confirma que, assim como ocorre em todo início de ano, o setor de legumes e verduras (principalmente folhagens) sofre com o aumento considerável no volume de chuva.
“Aqui em nossa região, até o dia de hoje, já choveu o que era esperado em todo o mês de janeiro. Essas fortes chuvas danificam as plantações. E o que sobra nos canteiros sofre com o sol forte que sai logo após fortes pancadas”.
Segundo ele, a produção diminui nesta época do ano em mais de 40% e as plantas que sobram não se desenvolvem como deveriam. “Estamos registrando aumentos desde o mês de dezembro. Porém, temos bons parceiros, que, nesta época, recorrem a produtores de outras regiões, como a de Ibiuna. Se não fosse essa parceria, as verduras já estariam com preços mais altos”.
“A estimativa é que ainda devemos ter, em média, mais de 30% de aumento em alguns itens. Trabalhamos em conjunto com nossos parceiros para não repassar todo aumento para nossos clientes, trabalhando assim com margens mais reduzidas”, conclui Alexandre Fátimo.
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