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Entra ano, sai ano e entrega de remédios 'derrapa' em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Em falta: Josephina Moretti e Antonio Moretti foram atrás de clonazepam, mas viagem foi em vão

O ano de 2017 nem bem começou e a notícia da falta de medicamentos na rede municipal de Saúde já se repete. Há aproximadamente duas semanas, conforme o JC apurou, o estoque das farmácias municipais está baixo e faltam alguns remédios básicos, como omeprazol, e outros mais específicos, como o anticonvulsivo clonazepam, o antidepressivo amitriptilina, ansiolíticos e medicações para diabéticos. A prefeitura afirma que o estoque será normalizado em 30 dias.

Por acaso ou ironia do destino, há exatamente dois anos, no dia 17 de janeiro de 2015, o JC publicava matéria tratando do mesmo assunto. Na ocasião, uma lista pregada nas portas das unidades de distribuição da rede de Saúde municipal informava o desabastecimento de 19 medicações.

Recém-empossado, o secretário José Eduardo Fogolin confirma o problema e atribui o baixo estoque, tanto da rede básica quanto da rede de urgência, à administração anterior. Ele ressalta que sua equipe tem dispensado esforço para normalizar a situação o mais rápido possível, inclusive, emprestando medicação de municípios vizinhos (leia mais abaixo).

'NÃO PODE FICAR SEM'

O fato é que o desabastecimento tem gerado preocupação e problemas aos pacientes, principalmente aos usuários de medicações como o clonazepam e amitriptilina, que não podem ter a interrupção abrupta do tratamento.

É o caso dos aposentados Antônio Moretti, de 57 anos, e sua mãe, Josephina Moretti, de 77. Eles estiveram, na última sexta, na farmácia municipal do Centro, localizadana quadra 4 da rua Quintino Bocaiuva. A viagem, porém, foi em vão.

"Não tem clonazepam e nem previsão da chegar. Em casa, tomamos até quatro pílulas dessa medicação por dia e não podemos interromper o tratamento. O jeito é comprar", comenta Antônio. "Desde a semana passada, faltam algumas medicações. Ouvi algumas pessoas reclamando disso enquanto esperava o atendimento na farmácia", completa Josephina.

A notícia se repetiu para Pâmela Leticia Dias, 23 anos, que está desempregada e também foi até a farmácia municipal do Centro para retirar medicações de sua avó, de 75 anos. "O omeprazol está em falta e ninguém sabe quando chega", reclama Pâmela, com o filho Jhonny, de 8 meses no colo. "Pelo menos, consegui a carbamazepina (para epilepsia)", acrescenta.

Prefeitura pega remédio emprestado na região

"Desde quando assumimos, corremos para conseguir reverter a situação dos estoques, tanto da rede básica quanto da rede de urgência, que estavam quase zerados", alega o secretário de Saúde José Eduardo Fogolin.

Segundo ele, 72% do total dos itens, ou seja, 182 medicamentos, já foram adquiridos pela pasta e têm sido distribuídos nos treze postos de saúde e na farmácia municipal da cidade. Ainda faltam 50.

Na rede de urgência, 86 medicamentos também já foram adquiridos e entregues, o que corresponde a 90% do estoque abastecido. Faltavam, até ontem, nove medicamentos. 

Segundo Fogolin, a previsão para normalização do estoque de toda a rede é de 30 dias.

"Estamos em contato, diariamente, com todos os municípios e hospitais da região para emprestar essas medicações que ainda faltam", ressalta o secretário.

A pasta lançou, nos últimos dias, uma orientação para todos os funcionários da rede básica a fim de que adequem as receitas dos hipertensos e diabéticos. Assim, as medicações ainda em falta podem ser retiradas na Farmácia Popular.

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