| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Exemplo do problema está na Cussy Júnior, próximo ao cruzamento com a Gerson França |
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| Eric Fabris explica procedimentos para que asfalto não se quebre em tão pouco tempo |
Quase todos que vivem em Bauru têm alguma história a contar sobre buracos abertos pelo DAE para o conserto de vazamentos, que, pouco tempo após a recuperação do asfalto, voltam a incomodar motoristas, pedestres, moradores e comerciantes.
O Jornal da Cidade já trouxe a público a disposição do novo governo em reduzir o tempo-resposta aos chamados para esse serviço. Outro e não menos importante desafio, porém, mostra-se urgente: dar fim à necessidade do retrabalho, que consome mais tempo e também mais dinheiro, dos cofres públicos.
Presidente da autarquia, o engenheiro Eric Fabris admite que a raiz do problema está na forma inadequada em como são recuperadas essas valas, mas acredita que, em curto prazo, consiga mudar e acertar os procedimentos.
“O que deixei montado 20 anos atrás [quando foi presidente do departamento, durante a gestão Tidei de Lima] foi abandonado. Ainda estou me colocando a par das questões macro. Não me debrucei sobre como o serviço tem sido feito. A princípio, no entanto, não tem sido feito da forma ideal”, pontua.
Fabris explica que, depois de aberta a vala e consertado o encanamento, deve ser utilizada terra de boa qualidade e seca para a recomposição do solo, que, por sua vez, precisa ser devidamente compactado. Esse procedimento aumenta a densidade do material, tornando-o mais resistente à carga à qual será submetido.
Depois disso e antes da massa asfáltica, o DAE deveria aplicar uma base, seja de solo-cimento em dias secos ou de brita graduada (pedrinhas) quando está chovendo.
PROBLEMAS
Hoje e nos últimos anos, porém, a prática tem passado longe do modo ideal. Fabris revela que, em casos extremos, servidores do DAE chegam a utilizar para a recomposição do solo a própria terra removida da abertura do buraco.
Esse material não é apropriado porque, normalmente, está úmido em razão do contato com a tubulação rompida. A compactação do solo também não é feita de forma adequada.
“De fato, leva mais tempo. Por outro lado, os cuidados que apontamos como necessários evitam que o asfalto venha a se quebrar novamente. Quando não são tomados, há, inclusive, o risco de novos problemas na rede, o que é ainda mais grave”, explica o engenheiro.
Fabris diz ainda ter tomado conhecimento de que, em alguns casos, a sub-base (de solo-cimento ou brita graduada) também deixa de ser providenciada.
Metas do governo
Como revelado no último 7 de janeiro, Clodoaldo Gazzetta (PSD) pretende estipular metas com prazo máximo para que o asfalto seja reposto onde é necessário.
Para isso, o prefeito encomendou ao presidente do DAE, Eric Fabris, e ao secretário de Obras, Ricardo Olivatto, um estudo para ser elaborado em curto prazo que aponte a demanda média de serviços e o tempo de resposta da administração para os chamados.
A partir do diagnóstico, a proposta de Gazzetta é definir um prazo máximo que seja factível, mas inferior ao praticado atualmente. Na ocasião, Eric Fabris externou a intenção de que esta janela não seja superior a 24 horas.
O avanço das chuvas e a necessidade de uma série de intervenções urgentes deve, no entanto, atrasar o estudo e até mesmo exigir mais tempo de adequações.
Mas é possível mudar?
Um dos milhares de exemplos desse retrabalho em reposição asfáltica está no Centro da cidade, na esquina entre as ruas Cussy Júnior e Gerson França.
O último reparo foi feito pouco tempo atrás, mas comerciantes vizinhos relatam que, no ano passado, camas de asfalto foram jogadas sobre o local em pelo menos quatro ocasiões.
Para ao menos minimizar a recorrência de casos como este, Eric Fabris fala na necessidade de “mudança gradativa de cultura” e até na necessidade de ampliação de equipes de rua do DAE.
“Mas, em curto prazo, dá para melhorar com a estrutura e os materiais que já temos. Vamos melhorar as orientações, ter mais cuidado com o serviço. É algo lógico: fazer melhor para não ter que voltar para tapar o mesmo buraco”, afirma o presidente.
FALTA TERRA
Fabris pondera que uma grande dificuldade para viabilizar a execução desse serviço de forma adequada é a baixa disponibilidade de terra vermelha em Bauru. “É enorme a disputa entre o DAE, a Prefeitura e a iniciativa privada”.
Mesmo nas situações em que a autarquia consegue retirar gratuitamente o material, quando do interesse de proprietários, não dispõe de local adequado para estocá-lo.
Descoberta, a terra fica exposta à chuva e, saturada, perde a qualidade para a compactuação adequada. “Talvez a intenção seja até de construir um galpão para resolver essa parte do problema”, pontua o presidente do DAE.

