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Cadeia completa 7 dias sob controle dos presos e Estado do RN improvisa muro

Marco Antônio Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Léo Carioca/Estadão Conteúdo
Movimentação de parentes de presos na região da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Natal

O governo do Estado começará neste sábado (21) a colocar contêineres que servirão de barreira improvisada para a construção de um muro de concreto que vai separar o Primeiro Comando da Capital (PCC) do Sindicato do Crime (SDC) na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal. De acordo com o Executivo, logo após a instalação dos contêineres terá início a obra do muro. O local está há uma semana sob controle dos presos. Agentes penitenciários ameaçam fazer greve a partir de quarta-feira.

Durante a manhã e a tarde dessa sexta-feira (20), os presidiários se mantiveram calmos dentro da unidade. Os presos feridos durante o confronto de anteontem foram levados para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. A exemplo do que aconteceu anteontem - quando os socorristas não entraram na cadeia, mas ficaram na entrada, esperando os detentos que precisavam de atendimento -, os agentes não ultrapassaram os muros da unidade.

Segundo a assessoria de Comunicação do governo do Estado, os presos que saíram feridos foram alçados por cordas nas macas colocadas para dentro da unidade carcerária pelo Corpo de Bombeiros. Ainda de acordo com informações do Executivo, a medida visou a garantir a segurança dos profissionais que atuaram na ação de resgate em Alcaçuz.

Já os corpos dos presidiários que morreram durante este segundo embate ainda não foram retirados do estabelecimento prisional. A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) confirmou que há pelo menos duas mortes, mas evitou ser mais precisa. No sábado, dia em que começou a rebelião dos presos, 26 foram assassinados - a maioria acabou decapitada.

O motim foi retomado após a saída da maior parte dos policiais de batalhões de operações especiais, que haviam entrado no local no fim da tarde da última quinta-feira (19). Com o término da operação, os pavilhões das unidades prisionais voltaram a ser controlados pelos detentos. A circulação livre dos presos pelos pavilhões podia ser vista por vizinhos e por todos que observavam a cadeia a distância. Alguns deles voltaram a ocupar o teto dos pavilhões, ainda com as bandeiras hasteadas e com celulares nas mãos.

AÇÕES PONTUAIS

Desde o sábado passado, os batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) entraram na cadeia mais de três vezes, realizando revistas e retirando presos para transferências. As operações, no entanto, não se estenderam por mais de cinco horas em nenhuma das oportunidades. Logo que os homens de preto deixam a unidade, a rebelião é retomada.

O major Wellington Camilo, comandante do policiamento das guaritas, havia citado a pouca luminosidade no momento inicial da rebelião para justificar a falta de ação policial no interior da cadeia logo no primeiro dia. O dia amanheceu e a corporação interveio, o que permitiu a contagem inicial de 26 mortos. De lá para cá, porém, apesar de confirmar novos mortos no conflito da quinta-feira, a administração não estima quantos são. Fazer essa nova contagem pressupõe, segundo o comando da PM, entrar novamente e controlar, ainda que momentaneamente, a unidade, o que ainda não aconteceu.

O governo afirma que a prioridade agora ainda é evitar fugas em massa e para isso mantém com ocupação total as dez guaritas do presídio. É de lá que costumam partir as intervenções mais efetivas da administração, com os disparos de armamento não letal, visando a impedir os avanços das facções no território para eventual retomada de conflito.

Após mais de 170 horas de motins, a falta de uma ação mais incisiva das tropas estaduais divide especialistas em segurança (mais informações nesta página). Questionado sobre a forma de atuação no presídio e o prazo para retomada da unidade, o governo do Estado disse que essas informações são restritas “porque envolvem a estratégia do setor de inteligência e por questões de segurança”.

Além disso, a retirada de presos esbarra nas estrutura das demais unidades prisionais do Estado e no poder das facções. A transferência de detentos do SDC de Alcaçuz detonou uma série de ataques no Estado desde quarta-feira. “Encontramos mensagens nos celulares de suspeitos presos com as ordens para o ataque. Em Parelhas (no interior), o pedido era para que o CDP (Centro de Detenção Provisória) e a delegacia móvel da cidade fossem atingidos”, disse o delegado-geral adjunto, Correia Júnior.

Greve

Como uma tentativa de solução para a crise, o governador Robinson Faria anunciou a convocação de 700 agentes temporários e de policiais da reserva para atuarem. O anúncio repercutiu negativamente entre os agentes penitenciários. O sindicato que representa a categoria enviou nota informando que entrará em greve por tempo indeterminado a partir de quarta, caso o governo não retroceda na medida.

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