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Criado por Jânio há 61 anos, IPA já foi modelo para a ressocialização

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Eder Azevedo/JC Imagens
Antes da rebelião: fotografia de 2002 mostra horta do IPA com o complexo ao fundo

O antigo IPA, que originou o atual CPP 3, foi criado em julho de 1955, por um decreto assinado pelo então governador Jânio Quadros. O ato transferiu os prédios de uma antiga escola agrícola para a Secretaria da Justiça e Negócios do Interior, abrindo espaço para a criação da primeira unidade prisional de Bauru. Em 2015, sob o nome de Centro de Progressão Penitenciária, a instituição completou 60 anos. A arquitetura do prédio é de Ramos Azevedo. Ele foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Município (Condepac).

O IPA e o CPP 3 teriam como essência ajudar na ressocialização dos reeducandos através de atividades agrícolas e de trabalho interno e externo em empresas privadas e públicas conveniadas. Alguns, inclusive, já fizeram até faculdade.

A história da CPP 3 começa em meados da década de 1940, com a inauguração da Escola Prática de Agricultura “Gustavo Capanema”, na zona rural de Bauru, próximo à atual rodovia Bauru-Marília. A instituição  funcionou até 12 de julho de 1955, em 576 hectares, quando o decreto do governador Jânio Quadros autorizou o uso dos prédios pelo Departamento Estadual de Presídios. No ano seguinte, um novo decreto batizava a unidade com o nome que até hoje é lembrado pelos bauruenses: Instituto Penal Agrícola (IPA). A denominação de Centro de Progressão Penitenciária “Professor Noé Azevedo” veio em 2011.

No período do IPA, o trabalho no campo foi o principal elemento usado para ressocializar. “Ainda hoje, muitos dos nossos reeducandos trabalham no manejo do gado ou no cultivo das nossas hortas. Além de criar gado e carneiros, produzimos milho, cana, mandioca e outros produtos, a maior parte para consumo próprio. O restante é vendido e o dinheiro, reaplicado na unidade”, explicou, em matéria veiculada pelo JC em 2015, o diretor do CPP-3, Alex dos Santos Souza.

De acordo com a aptidão, os detentos podem ainda trabalhar na oficina mecânica ou no setor de limpeza dos prédios.

REDUÇÃO DA PENA

Além da remição da pena - um dia a menos para cumprir a cada três trabalhados, os reeducandos recebem uma remuneração de, aproximadamente, um salário mínimo. Outros ainda prestam serviços para parceiros da penitenciária, como secretarias municipais.

Em setembro de 2013, o JC fez reportagem com um trio de reeducandos que tentava uma nova vida nos bancos das universidades. O CPP-3 é uma das 136 unidades prisionais e um dos 15 centros de progressão penitenciária do Estado.

‘PRESOS FAMOSOS’

O CPP 3 já abrigou detentos “famosos”. Um deles foi o chinês Law Kin Chong, considerado o maior contrabandista do Brasil. Outro condenado “ilustre” que passou pela unidade foi o ex-cirurgião plástico Hosmany Ramos. O médico foi preso em 1981 com aviões roubados e acabaria condenado pela morte de um piloto.

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