Cultura

Estreia hoje "Quatro Vidas de Um Cachorro"

Marina Galeano
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Dennis Quaid e Bailey em uma das cenas do filme que estreia hoje

Era para ser mais um (adorável) filme sobre cachorros. Daqueles de sair do cinema enxugando os olhos, com vontade de abraçar o primeiro peludo que passasse na rua. Mas, na semana anterior à estreia, um vídeo divulgado pelo site TMZ e compartilhado à exaustão desencadeou uma chuva de críticas ao longa “Quatro Vidas de Um Cachorro”. Ativistas acusaram a produção de maus-tratos aos animais e lançaram uma campanha de boicote à obra.

Visivelmente assustado com a correnteza da piscina, o pastor alemão Hércules resiste às tentativas do treinador de colocá-lo na água durante as filmagens. Na cena seguinte do vídeo editado, o cão parece submergir e precisa ser auxiliado pela equipe do set.

Depois de tanto barulho, a Universal se pronunciou, afirmando que “seguiu rigorosamente” os protocolos para garantir um ambiente “seguro e ético” e que está “analisando as circunstâncias mostradas na filmagem editada”.

Polêmicas à parte, é quase impossível não se deixar envolver pela trama de Bailey e de suas quatro vidas. Mais um ponto para Lasse Hallström, diretor que já havia feito muita gente chorar em “Sempre ao Seu Lado” (2009), com Richard Gere, também sobre a relação entre humanos e cães.

Baseado no livro homônimo de W. Bruce Cameron, o filme se desenrola a partir do ponto de vista (e da voz interna) do cachorro, que busca entender o sentido de sua missão na Terra.

A filosofia canina rende diversas situações divertidas e passa perto de uma versão adulta e elaborada da animação “Pets - A Vida Secreta dos Bichos” (2016).

Outras tantas cenas, porém, são de provocar nó na garganta, especialmente àqueles que tiveram um amigo de quatro patas. Afinal, para reencarnar, o animal precisa morrer antes...

Na primeira e principal jornada, ambientada em meados da década de 1960, Bailey é adotado pela família do jovem Ethan (K.J. Apa), com quem constrói uma parceria afinada e cheia de cumplicidade.

Não sobra muito tempo para desenvolver as demais histórias do cão. À certa altura, a narrativa fica um tanto atropelada. Sem truques mirabolantes, o longa cativa na inversão de perspectiva, nas expressões irresistíveis e na familiaridade. Cada dono deve enxergar um pouco de seu animal ali na tela. Inevitável fazer associações.

Apesar de alguns dramas desnecessários e de arranjos fáceis de prever, “Quatro Vidas de Um Cachorro” consegue ser mais um adorável filme sobre cachorros.

Vídeo de supostos maus-tratos causa ‘barulho’

Pouco antes da data de estreia do filme “Quatro Vidas de Um Cachorro”, um vídeo das gravações divulgado pelo site TMZ em 18 de janeiro deu a entender que um pastor alemão foi obrigado a entrar na água para gravar uma cena.

Logo em seguida, o Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) e outros grupos de ativistas por direitos dos animais reagiram com uma campanha para que o filme fosse boicotado. A pré-estreia chegou a ser cancelada.

Com a polêmica instalada, a Birds and Animals Unlimited, responsável por fornecer os animais e treinadores para o filme, se pronunciou na última segunda (23), negando as suposições de que houve maus-tratos.

Segundo o comunicado, o vídeo foi editado maliciosamente. Ou seja, cenas que não tinham relação umas com as outras foram colocadas em sequência para passar outra impressão, segundo a empresa.

Ainda de acordo com a instituição, a voz que aparece dizendo “Apenas jogue ele na piscina” não pertence aos responsáveis pelos cuidados com o cão, e que a ideia de lançá-lo na água nem sequer foi cogitada.

O ator Dennis Quaid declarou: “Estava lá e, se tivesse acontecido [algum abuso], teria desistido”.

Comentários

Comentários