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| Dennis Quaid e Bailey em uma das cenas do filme que estreia hoje |
Era para ser mais um (adorável) filme sobre cachorros. Daqueles de sair do cinema enxugando os olhos, com vontade de abraçar o primeiro peludo que passasse na rua. Mas, na semana anterior à estreia, um vídeo divulgado pelo site TMZ e compartilhado à exaustão desencadeou uma chuva de críticas ao longa “Quatro Vidas de Um Cachorro”. Ativistas acusaram a produção de maus-tratos aos animais e lançaram uma campanha de boicote à obra.
Visivelmente assustado com a correnteza da piscina, o pastor alemão Hércules resiste às tentativas do treinador de colocá-lo na água durante as filmagens. Na cena seguinte do vídeo editado, o cão parece submergir e precisa ser auxiliado pela equipe do set.
Depois de tanto barulho, a Universal se pronunciou, afirmando que “seguiu rigorosamente” os protocolos para garantir um ambiente “seguro e ético” e que está “analisando as circunstâncias mostradas na filmagem editada”.
Polêmicas à parte, é quase impossível não se deixar envolver pela trama de Bailey e de suas quatro vidas. Mais um ponto para Lasse Hallström, diretor que já havia feito muita gente chorar em “Sempre ao Seu Lado” (2009), com Richard Gere, também sobre a relação entre humanos e cães.
Baseado no livro homônimo de W. Bruce Cameron, o filme se desenrola a partir do ponto de vista (e da voz interna) do cachorro, que busca entender o sentido de sua missão na Terra.
A filosofia canina rende diversas situações divertidas e passa perto de uma versão adulta e elaborada da animação “Pets - A Vida Secreta dos Bichos” (2016).
Outras tantas cenas, porém, são de provocar nó na garganta, especialmente àqueles que tiveram um amigo de quatro patas. Afinal, para reencarnar, o animal precisa morrer antes...
Na primeira e principal jornada, ambientada em meados da década de 1960, Bailey é adotado pela família do jovem Ethan (K.J. Apa), com quem constrói uma parceria afinada e cheia de cumplicidade.
Não sobra muito tempo para desenvolver as demais histórias do cão. À certa altura, a narrativa fica um tanto atropelada. Sem truques mirabolantes, o longa cativa na inversão de perspectiva, nas expressões irresistíveis e na familiaridade. Cada dono deve enxergar um pouco de seu animal ali na tela. Inevitável fazer associações.
Apesar de alguns dramas desnecessários e de arranjos fáceis de prever, “Quatro Vidas de Um Cachorro” consegue ser mais um adorável filme sobre cachorros.
Vídeo de supostos maus-tratos causa ‘barulho’
Pouco antes da data de estreia do filme “Quatro Vidas de Um Cachorro”, um vídeo das gravações divulgado pelo site TMZ em 18 de janeiro deu a entender que um pastor alemão foi obrigado a entrar na água para gravar uma cena.
Logo em seguida, o Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) e outros grupos de ativistas por direitos dos animais reagiram com uma campanha para que o filme fosse boicotado. A pré-estreia chegou a ser cancelada.
Com a polêmica instalada, a Birds and Animals Unlimited, responsável por fornecer os animais e treinadores para o filme, se pronunciou na última segunda (23), negando as suposições de que houve maus-tratos.
Segundo o comunicado, o vídeo foi editado maliciosamente. Ou seja, cenas que não tinham relação umas com as outras foram colocadas em sequência para passar outra impressão, segundo a empresa.
Ainda de acordo com a instituição, a voz que aparece dizendo “Apenas jogue ele na piscina” não pertence aos responsáveis pelos cuidados com o cão, e que a ideia de lançá-lo na água nem sequer foi cogitada.
O ator Dennis Quaid declarou: “Estava lá e, se tivesse acontecido [algum abuso], teria desistido”.