Política

Gazzetta começa com caixa 10 vezes menor que o de Rodrigo

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Demarchi diz que ‘dinheiro herdado’ deve ser reservado ao PS

Ao deixar o governo em dezembro, Rodrigo Agostinho (PMDB) avisou: a escassez de recursos será o principal desafio para a gestão Clodoaldo Gazzetta (PSD). O fechamento do balanço das contas de 2016 reitera este apontamento. O novo governo começa com R$ 3,5 milhões em caixa. Considerando as devidas correções da inflação registrada no período, o montante é 10 vezes menor do que o deixado por Tuga Angerami na transição entre 2008 e 2009.

Quando Rodrigo assumiu a prefeitura, deparou-se com R$ 23 milhões na conta da administração, valor equivalente a R$ 35 milhões nos dias de hoje. A gordura foi possível graças à política austera de seu antecessor, que organizou as dívidas e abdicou de realizações, obras ou demais investimentos.

O “caixa gordo” impulsionou a primeira leva do plano de asfalto de Agostinho, que, em seu primeiro mandato, ainda surfou na carona do boom econômico da era Lula, quando a arrecadação anual registrava incrementos percentuais de dois dígitos.

Com 10% do ponto de partida de Rodrigo, Gazzetta tem pela frente uma cidade cheia de desafios, desde os estruturais, passando pelos milhares de buracos, até os estragos causados pelas chuvas de janeiro, até semana passada, estimados em R$ 2,2 milhões.

PROJETO MARRETA

O prefeito já solicitou, no entanto, que o dinheiro deixado por seu antecessor seja reservado para o projeto que deve ser a vitrine de seu governo: a demolição do PS Central para viabilizar a construção de um novo Centro de Referência de Urgência.

Os R$ 3,5 milhões bancam pouco mais de 25% do custo estimado da virtual obra (R$ 12 milhões), para a qual Gazzetta ainda busca recursos externos, inclusive privados.

Na véspera de sua posse como chefe do Executivo, foi divulgada, inclusive, a imagem de uma marreta que será o “símbolo” do projeto de reconstrução.

Conta fechou por causa de R$ 15 milhões extras

Secretário de Finanças, Everson Demarchi, que respondeu pela pasta da Administração no fim do governo Rodrigo Agostinho, ressalta que, apesar do “aperto financeiro”, o ex-prefeito deixou todas as contas pagas, além do lastro financeiro para os contratos em andamento.

Considerando o tamanho da crise e comparando com a situação de milhares de municípios Brasil afora, é um mérito da gestão anterior, que só fechou as contas, porém, graças a cerca de R$ 15 milhões extras. Foram R$ 7 milhões dos recursos repatriados pelo governo federal e R$ 8 milhões resgatados dos depósitos judiciais.

Na ponta do lápis...

Everson Demarchi elenca alguns fatores que podem complicar o controle das finanças municipais. “Se o mercado não reagir, pode ser que não cumpramos as metas orçamentárias do ICMS e ISS”.

Os impactos ainda desconhecidos na folha de pagamento, em função do primeiro quinquênio dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCSS), também preocupam, já que alguns servidores terão direito a correção de até 15%. “Também vamos discutir a possibilidade de reposição geral pela inflação com a comissão de negociação permanente que está sendo criada pelo prefeito”, pontua.

O começo do ano, aliás, deve ser marcado pelo aumento das despesas com horas extras, em razão dos estragos da chuva. Por outro lado, o secretário espera impulsionar os protestos de devedores e diz que a contratação de um novo sistema para o ajuizamento de ações de execução também deve aprimorar a cobrança a devedores.

A revisão do cadastro municipal e avanços em parcerias com a União para a fiscalização de empresas cadastradas no Simples Nacional são outras ações previstas.

O governo também estuda como colocar em prática o plano de contenção de gastos anunciados por Gazzetta, que chegou a falar no corte de R$ 25 milhões em despesas.

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