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Nossa educação tem futuro?

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

Sem dúvida, o futuro passa pela educação e se a educação pode mudar o destino deste país, os políticos e as universidades têm papel fundamental na valorização e na formação do professor. Hoje não há incentivos para a formação de professores em qualquer nível e a principal causa é a falta de uma política pública para o setor.


O ensino básico é uma necessidade social imediata para elevar o nível cultural da população, no entanto, as escolas padecem de infraestrutura e o magistério é muito mal remunerado, o que faz com que as licenciaturas sejam relegadas pelos alunos.


Só a expansão do ensino público com qualidade e sem a falácia da progressão automática, garante a disseminação do conhecimento e, portanto, o alargamento dos horizontes com igualdade de oportunidades. A análise da evolução dos índices de inadimplência mostra que a capacidade de expansão de vagas no ensino privado está no limite suportado pelo poder aquisitivo da população, portanto, somente a escola pública terá condições, doravante, de suportar o crescimento requerido pelo país. Sem um ensino público de qualidade baseado na meritocracia, deve-se perguntar aos gestores do Estado e do País, seriamente, quais serão as chances de milhões de brasileiros que, de algum modo, terão de competir nesse mercado internacionalizado e pragmático.


Este país não terá futuro sem uma inflexão na atual política de educação que passa por um ensino fundamental fortalecido e esse fortalecimento implica, primeiro, na consagração do dever do Estado em valorizá-lo e proporcioná-lo com qualidade.


Por outro lado, as universidades públicas não podem deixar de refletir e propor políticas públicas voltadas para os grandes temas de interesse nacional, como o da preservação ambiental, o desenvolvimento sustentado, a segurança, a gestão urbana, a incorporação de tecnologia aos produtos agrícolas, a geração de softwares, a qualificação profissional e o emprego.


O abandono do ensino e de políticas de interesse nacional é talvez o maior dos sintomas de equívoco de uma universidade pública que, fora de sintonia, olha muito mais para o exterior do que para o interior do país. E como formadora de mentalidades a academia deve fazer, sempre, seu próprio julgamento sobre o valor social de qualquer missão ou tarefa que ela venha a ser chamada a realizar. Seria desonroso para uma universidade pública tornar-se uma agência do Governo ao perder o direito ao exercício ativo do seu poder de gestão e de avaliação independentes.


As grandes universidades públicas deste Estado são instituições possuidoras de suficiente autoridade moral e intelectual para gritar “não” quando os políticos dizem “sim”. As grandes universidades públicas deste Estado são instituições fortes o suficiente para gritar “qualidade” quando os políticos dizem “quantidade”.


É preciso esclarecer que é errado entender como universidade pública aquela que pertence e deve favores ao Estado. A universidade é pública quando ela se insere na sociedade através do estabelecimento de políticas de interesse coletivo.


Ela é pública quando prepara seu aluno – independentemente de sua origem ou cor – para cumprir, antes de tudo, uma função social.


O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru

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