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| Programa Chuchu Beleza está em mais de 90 emissoras, chegando a quase mil cidades brasileiras |
Homem-Cueca, Incrível Rosca, Super Shana, Cigana Catita, Doutor Pimpolho e sua secretária Cileide... Esses e muitos outros personagens nasceram na mente criativa do paulistano Felipe Xavier, de 45 anos.
Seu programa, o Chuchu Beleza, está em mais de 90 emissoras, chegando a quase mil cidades brasileiras. Em Bauru, há 16 anos é transmitido pela 96FM com grande repercussão entre os ouvintes.
"Fico agradecido de vocês ouvirem o programa. Isso me motiva a continuar na missão de me renovar sempre, para surpreender e deixar a vida das pessoas mais divertida", diz, por telefone, ao JC.
Satirizando o cotidiano, o trabalho de Felipe já virou animação na TV, foi parar no Netflix, está na internet e em aúdios nas redes sociais.
"Eu me sinto bem à vontade na rádio, onde tudo começou, mas também como ator e na direção das animações. Cada projeto tem sua cara e o que une tantos trabalhos é o humor".
JC - Formado em arquitetura, como foi você parar no humor?
Felipe - Ainda no tempo de escola, fazia com amigos sátiras de programas de TV na rádio do colégio, veiculada para os alunos no pátio. Em 1991 fui para a rádio com o grupo Sobrinhos do Ataíde. Com o fim do grupo em 1999, criei o programa Chuchu Beleza com minha própria produtora, a Galáxia.
JC - Qual é segredo para estar em tantas emissoras?
Felipe - Esse trabalho que eu faço, com o humor do cotidiano, satirizando situações comuns, gera muita identificação com os ouvintes. O Doutor Pimpolho, por exemplo, todo mundo já teve um dia um chefe parecido com ele ou conhece alguém que teve. A Sandra, socialite, muita gente comenta que tem uma amiga que fala do mesmo jeito. Essa é a grande sacada do humor e faz com que o programa já tenha tantos anos, continue se renovando e se mantendo no Brasil inteiro.
JC - Como é seu contato com o público?
Felipe - Tenho um contato mais de responder mensagens dos fãs. Só no Facebook são cerca de 600 mil usuários. Eu procuro ler os comentários e me baseio um pouco por ali, também no retorno do pessoal da rádio, nos ouvintes e no meu juízo, porque a gente tem que tomar cuidado com o que considera ou não. A internet pode gerar falsas impressões. Quanto do público um comentário representa? Se você começa a levar tudo muito a sério, corre o risco de direcionar seu trabalho por algo que não espelha a opinião da maioria. Olho um pouco de tudo, escuto meus amigos e os amigos dos meus filhos e formo minha opinião.
JC - Qual o desafio de fazer humor hoje?
Felipe - Desde que eu comecei na rádio com o grupo Sobrinhos do Ataíde, a gente já tinha como critério fazer humor com bom-senso, sem baixarias. Nunca tive nenhum problema nem fui processado. Tenho um crivo pessoal de fazer um humor que não seja ofensivo. Fazer humor apelativo é fácil, mas o risco de fazer rir uns e desagradar tantos outros é grande. O desafio é agradar a gregos e troianos. A natureza da rádio exige isso, porque num carro, por exemplo, às vezes estão ouvindo os pais e a criança. Não posso dizer coisas que o pai se sinta na obrigação de mudar de rádio. Também não posso fazer um humor muito bobinho, senão ele vai se encher e trocar.
JC - Como é o dia a dia do seu trabalho?
Felipe - Tenho um estúdio em casa e outro na produtora, gravo nos dois e faço todas as vozes. Isso facilita a vida, porque encaixo tudo no meu ritmo. Tem o cara que é editor, mas às vezes também edito e faço a sonorização, principalmente de personagens novos, para dar a cara deles. Tenho um parceiro de criações, o Ricardo Grynszpan, e a gente conversa toda segunda na reunião de pauta para discutir os assuntos e fazer a sinopse das histórias. Com base nisso escrevo os roteiros e gravo na quarta para serem editados na quinta e entregues para as rádios na sexta. É uma rotina semanal de trabalho, em que fazemos seis histórias inéditas, um número bom, para não ficar repetitivo. Tenho que estar ligado nos assuntos do momento, nos jornais, no que está pegando na internet... Isso deixa o programa mais atual. Mas não é só isso, vou anotando histórias que ouço, ideias, comentários...
JC - E você, é bem humorado?
Felipe - Sou tranquilo... Uma pessoa absolutamente normal! Tem gente que não acredita que sou eu na rádio. É um trabalho como outro qualquer, só que o produto é uma coisa divertida, que faz as pessoas rirem. Tem que ter disciplina e rotina. Só dá certo se for assim. Não posso levar só no impulso criativo, na inspiração. Dessa forma não teria durado tanto. Brinco que a criatividade é um músculo: se não utilizar, atrofia; se usar com regularidade, fica forte. Sou bem caxias nesse ponto.
JC - Como você vê o papel das rádios hoje?
Felipe - Quando comecei a trabalhar com rádio, as pessoas ouviam muito por causa das músicas e das novidades, era uma ponte de ligação com o mundo e novas bandas. Com a internet, a rádio deixou de ser a principal fonte para ouvir músicas. Hoje é preciso um conjunto de coisas, sendo que a principal é uma boa comunicação. Tem que ter notícias, bons comunicadores, informação, opinião, humor... A rádio tem que ser muito dinâmica; ela não perdeu importância, só se modificou. Ainda é o veículo mais ao vivo que existe e pode estar com você em qualquer lugar, sem exigir atenção total.
Para saber mais acesse: www.chuchubeleza.com.br. Já site da 96FM é o www.96fmbauru.com.br.
