No Brasil, um terço das empresas fecham as portas após um período de apenas dois anos. Entre os especialistas, existe o consenso de que a grande responsável pela alta taxa de mortalidade das companhias é a falta de planejamento.
"O brasileiro não gosta de planejar. Vai fazendo e consertando à medida que algo dá errado. Isso é perda de tempo e de dinheiro", diz o professor de empreendedorismo da Business School São Paulo (BSP) Alessandro Saade.
Abrir um negócio de sucesso, porém, está longe de ser impossível. Um planejamento consistente e precoce é a chave para não se tornar mais uma estatística negativa do cenário empresarial brasileiro.
Antes mesmo de dar forma à ideia do negócio, fazer uma autoavaliação é importante, segundo a coordenadora do Centro de Desenvolvimento de Empreendedorismo da ESPM, Letícia Menegon. "Vale fazer uma reflexão interna para avaliar as próprias competências e o perfil, não só técnico, mas gerencial", diz ela. "Assim, a pessoa consegue enxergar se tem algumas das características essenciais do empreendedor, como a resiliência para lidar com adversidades."
Diretora de Cultura Empreendedora da Endeavor, Camilla Junqueira aconselha os futuros empresários a não se distanciar radicalmente do universo ao qual já estão habituados. "Comece por uma área que você conhece. Um negócio que surge assim tem mais chance de dar certo. Afinal, quem tem familiaridade com determinada área sente na pele os problemas nela existentes e pode arriscar propor uma solução."
Também é determinante para o sucesso do empreendedor sua capacidade de administração. Para adquirir esse know-how, frequentar palestras, cursos e obter material online podem ser extremamente útil.
Caso a imersão não seja suficiente, buscar um sócio é uma opção. Em última instância, recorrer a uma consultoria também pode resolver. "Se for contratar, não terceirize todo o trabalho; participe de todos os processos com a consultoria. Isso será muito útil", alerta David Kallás, professor de gestão estratégica do Insper.
Regina Pires, 41 anos, sentiu as consequências de não ter feito essa imersão, quando abriu uma agência de comunicação, há dez anos. "Uma amiga sempre me chamava para fazer os cursos do Sebrae, e eu sempre dizia não ter tempo, não dava muita atenção", diz ela. "Descobri na prática que é imprescindível arranjar esse tempo, porque, no futuro, ele faz muita falta." A agência de Regina fechou dois anos depois - dentro da média das empresas brasileiras fundadas sem o devido planejamento.