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Adriele, mais um número na estatística do desemprego

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
Adriele dos Santos Theodoro de Almeida é um dos moradores de Bauru que engrossam a fila de desempregados no País

Toda vez que Adriele olha para a despensa e a geladeira vazias, não consegue enxergar horizontes. Desempregada há nove meses e com renda de pouco mais de R$ 400,00 para sustentar dois filhos, ela só encontra desespero nos espaços vazios onde deveria haver alimento.

O breve fôlego só vem quando ela recebe ajuda de parentes, o dinheiro do Bolsa Família ou a pensão do pai já falecido do filho mais velho. É o período em que consegue garantir mais tranquilidade para as crianças, de 6 e 2 anos, que precisam fazer as refeições sentadas no chão, já que faltam sofá e mesa com cadeiras na sala e na cozinha.

A auxiliar de limpeza Adriele dos Santos Theodoro de Almeida, 30 anos, é um dos moradores de Bauru que engrossam a fila de desempregados no País. Somente no último ano, a cidade fechou 3,5 mil postos de trabalho com carteira assinada. Outros 4,3 mil foram extintos ao longo de 2015, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

No Brasil, a situação não é diferente: foram 1,5 milhão de vagas fechadas em 2015 e 1,3 milhão em 2016. Efeito da crise econômica, esta realidade provoca consequências cruéis em uma legião de pessoas com renda comprometida.

Adriele conta que nunca ficou tanto tempo sem trabalho. Desde que perdeu o emprego com carteira assinada como auxiliar de limpeza, em abril do ano passado, nem mesmo "bicos" conseguiu encontrar.

"Sempre trabalhei como faxineira, babá, sem carteira, mesmo. Agora, eu tento, gasto com transporte para deixar currículo, divulgo no Facebook e não consigo arrumar nada. É sempre aquela expectativa, mas, assim como eu, tem muita gente lutando por uma oportunidade. A concorrência é grande", observa.

SEM SOFÁ

A única boa notícia neste período foi ter conquistado um apartamento por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, no Núcleo José Regino, onde vive com os filhos. Ela diz que vem conseguindo quitar as parcelas do financiamento, de R$ 25,00, mas o pagamento do condomínio, de R$ 150,00, invariavelmente atrasa. "É muito difícil dar conta de tudo. Não recebo nada do pai do meu caçula e sempre estou dependendo de ajuda", lamenta.

As restrições financeiras também impedem Adriele de mobiliar a casa. Para dar mais conforto aos filhos, durante as férias escolares ficou na casa da mãe, que vive em outro bairro. "Voltei por causa da proximidade da escola e minha mãe ainda me deu um pacote de arroz. Mas o leite, por exemplo, já está acabando", cita.

Para piorar, a auxiliar de limpeza precisa lidar com as fortes dores nos pés provocadas por nódulos no tendão de Aquiles, que surgiram nos dois calcanhares e ainda não foram tratados. "Mas, mesmo com dor, eu não tenho preguiça trabalhar. Eu preciso de emprego, pelos meus filhos", diz.

Interessados em oferecer oportunidades de trabalho ou doações de móveis e alimentos podem entrar em contato com Adriele pelo telefone (14) 99703-6420.

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