| Malavolta Jr. |
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| Evite o excesso de opinião, textos que contêm discursos de ódio a um ou outro grupo |
Atire a primeira pedra quem nunca passou para a frente um boato. Ou, se não passou, ao menos acreditou numa dessas inverdades que rondam as redes sociais. Por mais que se ligue o chamado 'desconfiômetro' há boatos com cara tão séria, tão plausível que fica difícil achar aonde está a mentira. Um caso recentíssimo aconteceu em Bauru semana passada, com a rebelião do antigo IPA. Houve quem jurasse que vários reféns foram feitos na Nações Norte, tiroteios de todos os tipos, uma escola havia sido invadida, um hipermercado tomado de assalto e tantas outras 'barbáries'. Mas dá para se prevenir.
"Boato não é fato e pode ser provocador do caos", diz professor
Telejornalista, radialista, professor e doutor em comunicação, Willians Cerozzi Balan, da UNESP/Bauru sabe o que é o compromisso com a informação precisa. Para ele, a cobertura do Jornal da Cidade, a semana passada, no caso da rebelião do presídio CPP 3, o antigo IPA - preocupada em desconstruir os boatos que levaram pânico à cidade, demonstrou o deve realmente ser feito. "É o que sempre tenho dito a muitos: a verdadeira informação deve ser creditada ao jornalismo sério que apura as informações antes de levá-la ao conhecimento público. Redes sociais devem ser conceituadas como comunicação interpessoal ou como entretenimento, sem a pretensão de serem difusores oficiais de notícias. Pela facilidade de difusão das redes sociais, qualquer pessoa, sem qualquer formação ética e jornalística, pode ser provocadora do caos", diz ele.
Pânico coletivo
Mesmo que distribua informações com o pensamento de cumprir um dever de cidadão, ou mesmo difundir uma “brincadeira”, quem recebe tem a “sensação de verdade e importância”. E este receptor, também na “expectativa de ajudar”, redistribui para seus contatos, que repetem o encaminhamento. E em poucos instantes a notícia, verdadeira ou não, toma conta do pensamento comum das pessoas, lembra o professor Willians Balan. "Como a origem da informação não foi apurada e a veracidade do fato não foi confirmada, esta se torna perigosa e pode conduzir ao pânico do coletivo", avalia. De fato isso já ocorreu e ficou na história. Foi nos EUA há quase 80 anos com uma falsa invasão alienígena difundida pelo rádio (leia mais abaixo).
Não que a internet seja totalmente pernóstica. Nada disso. "Em alguns casos, essa estrutura viral proporcionada pelas redes sociais pode ser útil", concorda o professor. "Mas é fundamental que o originador da informação tenha discernimento e responsabilidade do que pode ou não divulgar. Precisa ter consciência das consequências que pode provocar no coletivo. Informação não é entretenimento e quando mal difundida pode causar grandes problemas". "As informações divulgadas nas redes sociais não podem ser consideradas como fato verdadeiro. Antes, se deve consultar os veículos de comunicação, que têm profissionais competentes, que apuram os fatos e difundem o que deve e pode ser divulgado".
Invasão alienígena
Notícias sobre a morte de alguém famoso, cura de doenças até hoje incuráveis, ou aparecimento de outras doenças raras, já existiam antes do surgimento da internet. Em de outubro de 1938, marcianos teriam invadido a Terra. Pelo menos em uma transmissão de rádio que disseminou preocupação e até pânico entre os milhões de ouvintes da Columbia Broadcasting System (CBS) nos Estados Unidos. Às 21h, uma mulher entrou apavorada na 47ª delegacia de polícia de Nova York. Carregava duas crianças pequenas, roupas e mantimentos. “Estou pronta para deixar a cidade”, anunciou para os policiais, segundo relato do New York Times do dia seguinte. Acontece que o noticiário veiculado naquela estação de rádio era uma adaptação do livro A Guerra dos Mundos , de H. G. Wells, narrada por Orson Welles e pela companhia teatral Mercury Theatre on the Air. No início do texto, uma mensagem avisava que a peça se constituía de ficção. Mas e daí? Quem ligou o rádio e ouviu o programa em andamento, entrou mesmo em pânico, né?
Boato não é palhaçada e é diferente de fofoca
Thiago Rodrigo Alavarce, é técnico em Enfermagem e trabalha no SAMU, onde o telefone 192, está à disposição da população, em linha direta, para o socorro de quem está precisando de atendimento urgente, é alvo de um monte de trotes e boatos. Uma tristeza isso. Mas Thiago confirma que os boatos, os trotes existem sim. E não deveria ser assim, diz com pesar. Thiago é também neuropedagogo, ator circense, usa técnicas do riso para ajudar a recuperação emocional dos doentes. Além disso ele trabalha com palestras motivacionais e treinamentos na área da neurociência e neupedagogia e precisa estar bem antenado, separar os boatos, as fontes confiáveis, até para desenvolver suas atividade lúdicas. "Utilizo da ludicidade do circo nas palestras e treinamento como metodologia de ensino", diz Thiago e ter a informação correta é mais do que fundamental.
Vale lembrar que o boato não é fofoca. A fofoca é feita na surdina, em tom mais baixo, meio que na calada, quase sempre precedido por um "não diga que eu falei" . O boato tem características de verdade. É para ser difundido mesmo. Thiago, por exemplo, no momento dessa entrevista vivia um episódio desses, estava empenhado em desmistificar uma notícia: "a possível cobrança de anuidade da CNH. Isso está amplamente divulgado via Whatsapp, mas até o momento não achei nenhuma fonte que confirme".
Todo o cuidado é pouco
1. "Quem somos" é importante
Desconfie de notícias que levam a páginas que não identifiquem seus administradores
2. Notícias sem assinaturas
Se não tem o autor, caia fora. Se tem, desconfie também. Como assim? E mesmo informações prosaicas, precisam ser bem checadas. Um exemplo: todo mundo está cansado de ler as crônicas do escritor Luis Fernando Verissimo. Ele próprio declarou já ter se deparado com textos que gostaria mesmo de ter escrito; só que não.
3. Tudo muito cheio de opiniões
Evite o excesso de opinião, textos que contêm discursos de ódio a um ou outro grupo, tomando partido de uma ou outra causa. Em geral, quem é dono da verdade está pregando uma causa e não dando uma informação.
4. Massificação
É preciso cuidado também com a intensiva publicação de novas "notícias" a cada poucos minutos ou horas. Sempre há algo por trás do excesso
5. Igual, mas diferente
Atenção: páginas dos falsos sites possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos e sérios. Seus lay-outs também são deliberadamente poluídos e confusos para tentar lhes dar um "ar de credibilidade", confundindo os leigos
