Cultura

Cantora Emília Monteiro vem a Bauru pela primeira vez


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Cantora Emília Monteiro: mineira "por acaso" e mapaense "por tudo"

Emília Monteiro encara com alegria o que considera ser uma missão: ajudar na difusão de ritmos do Amapá e redondezas. Parte dessa riqueza cultural será compartilhada com o público de Bauru, amanhã, em show gratuito no Sesc.

"É a primeira vez que estarei não só aí, mas nas demais cidades desse circuito", diz a artista, por telefone, de Brasília, onde mora. Ela se refere a apresentações nas unidades do Sesc em Bauru, Campinas, Santos e São José dos Campos. Também retornará a São Paulo, capital, onde já se apresentou.   

"Fico muito feliz e vejo que o Sesc democratiza o acesso a novos artistas. Satisfeita por estar contemplada. Meu trabalho é independente e não chegaria diretamente às pessoas de outra forma", avalia.

Ela, "amazonicamente festiva e caribenha", acrescenta que a apresentação promete "mexer com nosso ser primitivo". "Tem muita percussão, vai envolvendo... Não é show pensado para teatro. É para ficar bem à vontade mesmo".

Emília apresenta ritmos amazônicos diferenciados com destaque para o marabaixo (principal da capital Amapá) e batuque.

"O Amapá é o estado mais negro da Amazônia. Ali, na fronteira com a Guiana Francesa, somos mais influenciados pela cultura africana", resume.

Com banda completa, incluindo adição de trompete, Emília também apresentará "Veneno de Cobra" - música composta pela paraense Dona Onete e calcada em outro ritmo a ser "desvendado" pelo sudeste: o zouk, originário das Antilhas. 

A canção integra o primeiro CD de Emília, "Cheia de Graça" (2013), em fase final de turnê.

"Aliás, nesses shows agora, vou apresentar um novo single, 'Livre Para Amar', que já é embrião do próximo álbum", antecipa.

Enquanto o segundo disco não chega, uma dica é espiar pelo YouTube o clipe de "Veneno de Cobra" e músicas do trabalho de estreia: basta digitar o nome Emília Monteiro no canal.

Ao que parece, conhecer a artista em disco, vídeo ou show também é um convite a ficar assim: cheio de graça. 

Impacto bom

“É um show que transforma o estado de espírito das pessoas. Sorriem e se entregam..."

Emília Monteiro

'Liquidificador'

Emília nasceu em Poços de Caldas, mas foi "por acaso". "Só nasci. Nunca estive por lá", conta. Sua primeira infância foi toda em Macapá, capital amapaense. E, depois, Brasília, onde mora. Lá, a mistura de influências conferiu um charme contemporâneo a seu trabalho, mas sem distanciamento das raízes. Em 2016, levou sua arte ao Carnaval de Olinda. "É uma cultura riquíssima e quase nada reconhecida a do Amapá", avalia. "Minha missão é contribuir para que o Estado entre, não como um modismo, mas para valer e definitivamente no cenário da música popular brasileira". 

Na hora certa

"Emília Monteiro é uma dessas cantoras que faltavam no mercado fonográfico para falar do povo do Norte, cantar suas referências e seus estilos e nos mostrar seus mantras."

Marcelo Teixeira, do blog "maisculturabrasileira.blogspot.com.br" 

SERVIÇO

Emília Monteiro e banda levam ritmos como marabaixo e batuque ao palco da área de convivência do Sesc Bauru: 1-2, quarta-feira, às 21h, com entrada gratuita. (14) 3235-1750.

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