Tribuna do Leitor

Agradecimento

Alvaro José de Brito - Bauru
| Tempo de leitura: 5 min

Ao completar 22 anos como coordenador da Defesa Civil em Bauru, algumas considerações tenho que tecer. O periodo chuvoso que atravessamos é cíclico, ou seja, acontece todo ano, de dezembro a meados de abril, quando se concentram as tempestades, alagamentos, vendavais e transbordamentos dos córregos de nossa cidade. Portanto, os episódios recentes vão ocorrer novamente nos mesmos cenários e muitas vezes com os mesmos atores.

Nessa jornada, foram 13.800 procedimentos de defesa civil onde atendemos 75 mil pessoas diretamente, não só nas enchentes mas em acidentes, incêndios, vistorias, ações sociais,etc Participamos de 204 cursos na área de Defesa Civil, inclusive em outros países, patrocinados pela ONU.

Estivemos também nos Estados Unidos, na Universidade do Texas, onde tambem fizemos uma apresentação sobre as atividades do órgão em Bauru, para uma platéia selecionadíssima de 60 pessoas de 14 países. Não esperavam uma cidade como Bauru, num país como o Brasil. Tiveram a impressão que eu estava mostrando uma cidade européia e olha que só mostrei 4 slides panorâmicos!

Realizamos 70 simulados, onde foram treinadas todas as possibilidades de ocorrência de alguns desastres em nossa cidade, onde seria necessária a ação conjunta dos vários segmentos que atuam na ação de socorro para conhecimento das potencilidades de cada órgão e também suas carências. E o aprimoramento do trabalho em conjunto participamos em mais de 1.000 ocorrências com o Corpo de Bombeiros, pois estamos na atividade desde 1982 como voluntário e a partir de 93 como coordenador municipal. Também estivemos no cargo de coordenador adjunto para a 7ª região do Estado por 17 anos, portanto, completamos 39 anos de Defesa Civil. Não foi um caminhar solitário, nessa jornada tive o apoio de vários segmentos públicos e privados como a Secretaria de Obras, Semma, DAE, GOT da emdurb, Sec. da Saúde, Sear, Sebes, Daesp, Cetesb der, Codasp, Cesp, CPFL, Instituto de Pesquisa Tecnológica, Infraero, Rede Integrada de Emergência (Rinem), Ciesp etc...

Destaco o apoio dos meios de comunicação como o Jornal da Cidade e ao JCNet pela diviulgação dos alertas e as dicas da Defesa Civil para o período, trabalho realizado em parceira com o IpMe, a 96 FM, 94 FM, Unesp FM, 87 FM, Bauru Rádio Clube, Auri Verde, TV Tem, TV Unesp, SBT, TV Bandeirantes, TV Preve, TVC, TV Record, ao Centro de Operações da Polícia Militar, ao Centro de Operaçãoes do Corpo de Bombeiros. Defesa Civil no século 21 tem que ter tecnologia, videomonitoramento de áreas de risco, painéis digitais nas vias, réguas medidoras de volume e transbordamentos nos córregos da cidade (hoje o Rio Bauru possui uma em convênio com o Cemanden e Ministério da Integração). Hoje temos 7 pluviômetros automáticos em vairos pontos da cidade dando uma visão mais detalhada das chuvas que atingem o solo. Porém, precisaríamos da mais 15 para um melhor detalhamento. Hoje temos que falar em central integrada de emergência, ma qual todos os órgãos que atendem emergência no município funcionem numa única central linkada com o Copom da Polícia Militar, precisamos de informações georeferênciadas e monitortamento a distância por tablet, celular e em painéis, numa central 24h atendendo pelo fone 199 e 156. Não dá mais para o coordenador sair as 3 da madrugada e ir lá na Favela São Manoel para ver se o rio está enchendo, temos que saber qual o impacto de cada gota d'agua na contribuição para enchentes, precisamos de um sensor dentro do canal da av. Nações Unidas para acompanhar a dinâmica das cheias nesse local e, a médio prazo, melhorar o ângulo de confluência do Córrego das Flores com o Rio Bauru e estudar a possibilidade de alargamento do canal do Rio Bauru em pelo meno 3 metros em cada lado, já que existe espaço para isso com o mínimo de intervenção nas duas pistas da Nuno de Assis...

O fechamemto das vias das cidade tem que ser eletrônico, pois haverá momentos que as equipes não conseguirão chegar aos locais. Também precisamos dragar os principais córregos da cidade, inclusive o Rio Bauru pelos menos uns 10 km após o Mary Dota, enquanto as grandes obras não chegam...

Bauru hoje participa do programa Cidades Resilientes, da ONU, que certifica os municípios que têm condição de dar uma resposta agil, rápida e eficiente nas ações de socorro público, além de preservar a vida o meio ambiente e o patrimônio das pessoas nas ações de Defesa Civil. A propósito, tem empresas que para se instalar na cidade buscam essa certificação e a cidade de Bauru tambem conta com vários especialistas nessa área, como o cel Eclair, cel Cação, cel Messias, além do cel Airton e cel Meira (hoje vereador), que ocuparam o cargo mais alto da Defesa Civil no Estado e tiverem acento no Conselho Nacional do Ministério da Integração, em Brasília. Portanto, podem dar uma consultoria de alto nível nessa área.

Tenho que agradecer aos meus 2 funcionários - Tania Fonseca e Josue Gomes de Moraes pelo profissionalismo, carinho e dedicação nos momentos mais difíceis em campo e na retaguarda. Não poderia deixar de agradecer ao Ipmet, ao Dido, Cassio, Vinícios, Irineu, aos meteorologistas André, Figueiredo, Zildene, Rita, Thiago, Fernando, ao Carlinhos, Sandra, Bruno, Demilson, a Georgia e ao Hermes, que me ensinaram muito sobre o funcionamento do radar, à minha esposa e família, agradeço pela compreeção e pela ausência dos momentos do convívio familiar, aos amigos, estou voltando... Ao encerrar, agradeço a Deus por chegar nessa etapa da vida com saude. Deixo uma frase que dedico ao Ipmet, Corpo de Bombeiros e à Polícia Militar: 'Vivemos um momento de incertezas.... Onde a insegurança passou a fazer parte do dia a dia das pessoas... Entretanto, é maravilhoso poder contar com as mãos estendidas daqueles que salvam. Obrigado.'

 

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