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Ponte, pinguela e caminho para o Brasil

Caio Coube
| Tempo de leitura: 4 min

O ano de 2016 ficará marcado na história política do Brasil como o fim da era petista. Saiu de cena o populismo demagógico, a gastança irresponsável e as ideias equivocadas de gestão da economia. O novo governo, liderado pelo presidente Michel Temer, tem compromisso com o equilíbrio fiscal e por não ter o viés ideológico de esquerda, sabe que a economia precisa ser administrada com racionalidade. Além disso, tem demonstrando ser um governo que reconhece os problemas e os enfrenta propondo medidas e soluções. Na realidade, o governo do presidente Temer, em que pese seu curto tempo no comando do país, já possui um conjunto de medidas e decisões que vão exatamente ao encontro das reformas estruturais que o país precisa para reencontrar o caminho do crescimento econômico e do desenvolvimento social.

Está aí a PEC do Teto dos Gastos, fundamental para o equilíbrio fiscal do governo federal. Está aí mudança do sistema de exploração do pre-sal, desobrigando a endividada Petrobrás de participar com 30% da exploração de todos os poços. Está aí a mudança do curriculum do ensino médio que permitirá ao aluno escolher parte das matérias que sejam de seu interesse. Está aí um novo conjunto de regras para a nomeação de diretores das estatais (vide a qualidade dos escolhidos para a presidência da Petrobrás, da Eletrobrás e do BNDES). E vêm por aí as reformas da Previdência, fundamental para a solvência do sistema a médio e longo prazo, e a tão necessária reforma trabalhista que contemple ideias mais modernas na relação entre empresas e trabalhadores, que não pode permanecer amarrada à CLT do século passado.

Também na administração da economia o governo Temer já obteve conquistas significativas como a queda da inflação (10,5% em 2015 para 6,5% em 2016), cuja meta para 2017 é 4,5%. A queda da inflação abriu espaço para a redução da taxa de juros (14,25 a.a. em 2015, 13,0 a.a. em janeiro 2017) que deverá continuar caindo, na medida em que as reformas sejam aprovadas e a inflação continue a perder força. Estes indicadores - queda da inflação, queda da taxa de juros - combinados com aprovação das reformas provocarão em 2017 uma grande mudança na percepção dos agentes econômicos; no Brasil e no exterior, sobre os rumos do país e trarão de volta o investimento e o início da recuperação do mercado de trabalho.

Na área social, que é também muito importante em um país com as desigualdades do Brasil, o governo Temer manteve os principais programas sociais da era petista como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Fies, sem abrir mão de uma revisão crítica dos cadastros de acesso a estes programas. Como disse o economista Ricardo Paes de Barros; especialista neste tema: tem muita gente que recebe algum tipo de benefício indevidamente. Por último e não menos importante, o governo Temer possui apoio político tanto na Câmara como no Senado que se manifesta através dos votos necessários para aprovar no Legislativo as matérias propostas pelo governo. No presidencialismo de coalizão; que é característica do Brasil; este apoio do Congresso é fundamental para governar o país.

Apesar de todas estas mudanças, todas as realizações, a reação da sociedade em termos de apoio ao governo Temer é muito tímida. O efeito Lava Jato fortalece o clima de desconfiança total da sociedade em relação à classe política. Nunca é demais lembrar; para os simpatizantes do campo político contrários à esquerda; que foram estes políticos que estão aí - senadores e deputados federais - que afastaram o PT do poder e que estão aprovando as reformas estruturais que o Brasil tanto precisa, ou seja, algum reconhecimento, algum crédito estes políticos merecem.

A minha preocupação é com a eleição de 2018. Este caminho de reformas estruturais, racionalidade econômica, equilíbrio fiscal e responsabilidade nos programas sociais não pode ser interrompido. A coalização partidária que afastou o PT do poder precisa permanecer unida e com isto aumentar as chances da vitória eleitoral em 2018. Todas as forças políticas contrárias ao pensamento de esquerda precisam estar conscientes da missão maior que é evitar a volta do protagonismo político do PT e de seus simpatizantes e também alertar a sociedade; especialmente os mais jovens; sobre o perigo de caos político representado pela chamada 3ª. via, cuja candidata a presidente é de um partido que possui a "expressiva bancada" de cinco deputados federais de um total de quinhentos e treze...

Pode ser ponte ou pinguela; como disse o ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não há dúvida que temos um bom caminho para o Brasil. Precisamos continuar percorrendo-o e estarmos unidos em 2018.

 

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