| Fotos: Douglas Reis |
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| Michael Douglas e Sidnei Rodrigues negociaram uma solução: por enquanto, o morador permanece no imóvel |
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| Moradores e funcionários da prefeitura carregam colchões durante a mudança |
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| Barracos em área de risco no Jardim Marise foram demolidos nesta terça |
Logo nas primeiras horas da manhã dessa terça-feira (31), Michael Douglas Viana Gonçalves, 23 anos, acordou com a demolição das casas em área de risco do Jardim Marise. Ao saber que seu imóvel seria derrubado, ele subiu ao telhado para impedir a ação. “Eu não tenho para onde ir. Terão que demolir comigo dentro”, protestou.
O início da transferência de famílias para moradias do Minha Casa Minha Vida (MCMV) foi marcado ainda por inseguranças. Aflitos, alguns moradores relutavam a sair porque não sabem como pagarão contas mensais como financiamento do imóvel e taxa de condomínio, drama noticiado pelo JC anteontem.
O cronograma das mudanças, que inclui um total de 157 famílias, segue até a semana que vem (leia mais abaixo). Entretanto, não descartam-se novas “polêmicas” como a desta terça-feira. Michael Douglas, atualmente desempregado, não integrava a lista das 14 famílias que começaram a se mudar para os residenciais Chácaras das Flores 1 e 2, do MCMV.
Isso porque os dois cômodos em que ele vive fazem divisa com a casa de uma família que já havia recebido as chaves de um dos apartamentos subsidiados pela União.
Acontece que, no cadastro levantado pelo município, constava apenas esta família como moradora do imóvel. “Eu paguei R$ 3 mil a uma mulher para morar aqui”, afirma ele.
A Coordenadoria Municipal do Programa Minha Casa Minha Vida informou, por meio da assessoria de comunicação, que Michael nunca foi identificado pela equipe nas diversas visitas e reuniões realizadas com os moradores. “O mesmo também nunca procurou a coordenação para ser cadastrado”, complementa.
MUITA CONVERSA
Inicialmente, segundo a reportagem apurou no local, a prefeitura propôs enviá-lo a um hotel e custear sua estadia pelo período de um ano. Nada feito. “Não tenho mãe, nem pai. Sou sozinho. Consegui comprar essa casa com muito sacrifício e não vou sair”, reiterou o oficial de marcenaria, que, sem emprego na área, está limpando terrenos para sobreviver.
Depois de muita conversa, o coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues, firmou um acordo de mantê-lo no local, descartando necessidade imediata de demolição do imóvel, até que fosse providenciada a inscrição do jovem em programas habitacionais.
“Vamos ver se ele se encaixa na demanda dirigida do Minha Casa Minha Vida. Enquanto são feitos os trâmites, ele não poderá vender o imóvel”, destaca Rodrigues.
Apenas uma parte da casa, onde vivia a família transferida para o residencial, foi derrubada. A demolição, porém, teve de ser feita manualmente (sem uso de máquinas) e Michael Douglas, inclusive, se habilitou para ajudar a equipe e, de fato, colocou a “mão na massa”.
INSEGURANÇA
| Douglas Reis |
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| Os custos para viver no residencial do MCMV levou insegurança a Rosângela Rodrigues |
| Priscila Medeiros/Divulgação |
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| Pertences dos moradores foram levados ainda nessa terça-feira (31) para os residenciais Chácaras das Flores 1 e 2 |
A doméstica Rosângela Rodrigues Oliveira Lara, 37 anos, vive há 23 anos em uma das casas no Jardim Marise “condenadas” pela Defesa Civil. Contrariada com a demolição, embora tenha sido contemplada pelo MCMV, a mulher relutava em deixar o cantinho onde constituiu família por um lugar menor.
“Vivo aqui desde meus 14 anos. Esta casa tem seis cômodos. Se a mudança fosse para outra casa, eu até iria. Mas aquele apartamento é minúsculo. Tenho seis filhos”, justifica, relatando também insegurança para honrar os custos que a família passará a ter no novo lar.
Nesta segunda, o JC mostrou a aflição de algumas dessas famílias, que sonham em deixar seus barracos, frequentemente inundados, mas, vivendo em condições de extrema pobreza, não sabem como pagarão pelo financiamento do imóvel (R$ 88,00), pela taxa de condomínio (R$ 145,00) e pelas contas de água, luz e gás.
Deixar para trás...
Uma mistura de tristeza e esperança. Este era o sentimento da auxilar de limpeza Nadir Najara de Oliveira, 32 anos, durante a mudança, nessa terça-feira (31). “É triste ver a nossa casa ser demolida. O lugar onde vivi muitas histórias e tive meus quatro filhos. Por outro lado, ir para um imóvel melhor é um avanço para a nossa família. Aqui, a enxurrada já estragou muitos móveis”, lembra.
Outras 143 famílias ainda serão transferidas
Até o próximo dia 8, outras 143 famílias serão transferidas de áreas de riscos para residenciais do MCMV. Nesta quarta-feira (1), será a vez de oito famílias do Gerson França pela manhã e 34 da comunidade Piquet à tarde. As 34 famílias da São Manoel vão se mudar nessa quinta-feira (2). Já 14 no Jardim Yolanda, na sexta. Por fim, 53 contempladas do Parque das Nações serão transferidas no dia 8 de fevereiro.
Por conta das chuvas das primeiras semanas de janeiro, a maioria dessas famílias necessita de doações, principalmente de móveis e eletrodomésticos. O Fundo Social de Solidariedade do município segue arrecadando os itens.
As contribuições podem ser levadas diretamente à Regional Independência, localizada na rua Guatemala, quadra 8, das 8h às 16h, ou através dos telefones da presidente do FSS, Lázara Gomes Gazzetta (14) 98136-4368, e da vice, Rosângela Aparecida de Oliveira Gimenez, (14) 99795-1685), que realizarão o agendamento da retirada.
As principais necessidades são: camas, beliches e treliches; armários para quarto e cozinha; geladeiras; máquinas de lavar; mesas e cadeiras; fogões; e aparelhos de TV.
| Priscila Medeiros/Divulgação |
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| Todos os pets cadastrados das famílias transferidas serão identificados pelo CCZ |
Trabalho voltado aos pets também tem início
Paralelamente, teve início o trabalho voltado aos animais de estimação dessas famílias transferidas. Todos os pets cadastrados, independentemente de serem transportados ou disponibilizados para adoção, serão identificados pelo CCZ, através de coleiras numeradas.
O órgão também fará a castração daqueles que as famílias solicitarem e o mesmo trabalho está garantido às ONGs parceiras nesse processo. A Arca da Fé recolheu três animais (dois filhotes de cachorro e um gato) disponibilizados para adoção, para evitar que permanecessem soltos no local.




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