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Creche semeia a esperança na Independência

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Flávio Jun Kitazume, Bruna Padovini e Enilson Komono representam grupo de amigos que idealizou e tirou do papel a creche: agora, uma colorida e promissora realidade em bairro

485 metros quadrados de um sonho que virou realidade e, agora, trará educação e, consequentemente, esperança a dezenas de crianças da Vila Independência. Assim é a Creche Sementinha que, após oito anos de projetos e idealizações, abriu as portas, nessa quinta-feira (2), para atender, gratuitamente e por período integral, 100 pequenos cidadãos por ano.

Mas o que essa creche tem de diferente das outras? A qualidade é a mesma que de qualquer unidade conveniada com a Prefeitura de Bauru. A Sementinha, contudo, nasceu de uma ideologia que virou ação voluntária encabeçada por um grupo de amigos, formado por pedagoga, arquiteta, promotor e policial, que desejava levar educação para perto da população.

Em consulta à prefeitura, eles descobriram que, apesar de ser um dos bairros mais antigos da cidade, a Vila Independência ainda carecia de uma unidade ensino infantil. E foi aí, que o projeto despontou.

SEM TERNO E FARDA

“Há uns 8 anos sonhávamos com algo assim. Com apoio de empresas e de várias pessoas, conseguimos doação do terreno, de material e de dinheiro para construir a creche”, lembra o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, que é comandante da Polícia Militar em Bauru. Ele é o presidente da associação sem fins lucrativos, fundada em 2013, que mantém a creche.

O conselheiro fiscal da associação é o promotor Enilson Komono, que junto com sua esposa e arquiteta, Noemi Komono, viabilizou toda a construção do local. Mas, por lá, nada de fardas e nem de ternos. Na Sementinha, o promotor e o tenente-coronel viram “tios” das 60 crianças, de 2 a 4 anos, que frequentam a unidade.

“Depois de anos no combate ao crime organizado, estou convencido de que a educação é única coisa que pode melhorar a sociedade”, comenta Komono. “Não adianta investir em presídios. É preciso criar mais escolas e tirar crianças das ruas”, completa.

Além deles, outros dez voluntários, ajudam nas atividades diárias da creche, que conta com uma equipe de nove funcionários, coordenada pela pedagoga Bruna Padovini. “Aproveitaremos o vínculo que temos com a PM para realizar atividades e visitas educativas e de conscientização”, considera Bruna.

Douglas Reis
Refeitório da creche, que conta com uma área total de 750 metros quadrados
Brinquedoteca do local; há também banheiros adaptados, dentre outros espaços construídos

ESTRUTURA

A creche conta com uma área total de 750 metros quadrados, dos quais 485 são construídos. Possui quatro salas de aula, brinquedoteca, banheiros adaptados, refeitório adaptado, sala de administração e um quiosque de “contação de histórias” no mesmo ambiente em que fica o playground.

O local possui ainda um consultório dentista, que, logo, deve começar a funcionar. A construção teve início em 2014. Na chamada de matrículas, Bruna lembra que a unidade registrou fila de pais.

“Abrimos com 60 crianças matriculadas, mas temos estrutura e, logo, estenderemos para 100”, comenta Bruna. A creche funciona das 7h às 17h na quadra 3 da rua Maria Rosa.

Facilitou

Durante a saída de alunos ontem, alguns pais elogiaram a unidade. “Valeu a pena enfrentar a concorrência pela vaga. A escola parece muito boa e facilitou a nossa vida, dá para ir e voltar para casa caminhando”, comentou Eduardo Medeiros, de 32 anos, pai de Juliana Gonçalves Medeiros, de 3 anos, que saiu da unidade com sorriso no rosto.

Desempregada, Andreia Moraes, de 36 anos, mãe de Ruan Cabral, de 10 anos, também elogiou a creche. “O pessoal é bem atencioso, gostei. E agora, ficou bem perto para buscá-lo e trazê-lo”, finaliza.

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