Geral

Em uma hora, chove o equivalente a 10 dias; resultado: mais estragos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Samantha Ciuffa
Caminhão que transportou a mudança das famílias da favela São Manoel chegou a atolar na lama
Divulgação
Cratera foi aberta na quadra 3 da rua Altair Leite de Campos, na região do Núcleo Geisel

As chuvas que castigaram Bauru em janeiro voltaram a atingir a cidade nos primeiros dias de fevereiro, gerando um cenário já conhecido pela população no verão: avenida Nações Unidas transformada em rio, ruas alagadas, casas invadidas pela enxurrada, famílias desabrigadas, erosões e carros ilhados.

O saldo é resultado de duas fortes chuvas registradas em menos de 24 horas. Na primeira delas, ocorrida na última hora do dia 1º, choveu cerca de 74 milímetros, volume esperado para cerca de dez dias de fevereiro – mês que, historicamente, acumula uma média de 211 milímetros de precipitações, segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet).

Por volta das 17h dessa quinta-feira (2), uma outra pancada voltou a levar grande quantidade de água para as Nações Unidas, que precisou ser interditada sob o viaduto da antiga Fepasa nas duas ocasiões. Não houve feridos durante as tempestades.

Durante a noite de anteontem, porém, um carro chegou a ser arrastado na quadra 24 da avenida Duque de Caxias. Já no final da tarde dessa quinta (2), a mesma via registrou grande congestionamento de veículos em razão da chuva e do desligamento de alguns semáforos.

Na avenida Rodrigues Alves, um Fiat Uno ficou ilhado, parcialmente submerso, ao tentar

Divulgação
Veículos submersos em plena quadra 7 da rua Joaquim Marques de Figueiredo, Distrito Industrial 

atravessar um alagamento no viaduto sobre a rodovia Marechal Rondon. Diversos veículos estacionados na quadra 7 da rua Joaquim Marques de Figueiredo, no Distrito Industrial 1, foram quase completamente encobertos por água e os proprietários, quase todos trabalhadores de empresas próximas, tiveram de nadar para retirar pertences e resgatar os carros com a ajuda de máquinas.  

Várias casas na região da Baixada do Sambódromo e na rua quadra 3 da Miguel Débia, na Pousada da Esperança, também foram invadidas pela enchente.

O mesmo ocorreu com três imóveis na rua Benedito Ribeiro dos Santos, no Jardim Redentor, e as famílias, desabrigadas, precisaram ser encaminhadas para alojamentos providenciados pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

Já na quadra 23 da avenida Cruzeiro do Sul, a correnteza consumiu parte do asfalto, gerando uma erosão em direção ao córrego Água Comprida. Na Vila Ipiranga, galerias foram danificadas e a erosão já existente no bairro aumentou. Na rua Aurora Gavaldão de Oliveira, no Núcleo José Regino, um carro ficou preso ao cair em um buraco.

Uma cratera ainda maior foi aberta na quadra 3 da rua Altair Leite de Campos, na região do Núcleo Geisel, bloqueando o trânsito de veículos e gerando vazamento na rede de água. No Jardim Carolina, erosões engoliram parte da calçada e do asfalto na quadra 4 da rua Benedito Ribeiro dos Santos. Com a força da água, um muro e parte de uma residência próximos foram derrubados na quadra 4 da rua Olavo Moura.

Remoção de famílias

A situação foi crítica, também, durante a transferência das 35 famílias que viviam em área de risco na favela São Manoel para os residenciais Chácaras das Flores 1 e 2, do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Devido à chuva, o caminhão que realizava as mudanças chegou a atolar em uma rua de terra e precisou ser removido com a ajuda de duas máquinas da Secretaria Municipal de Obras.

A ponte que existia no local, levada pelas chuvas, impediu que veículos chegassem às residências das famílias contempladas. Todos os pertences, incluindo geladeiras, fogões e sofás, tiveram de ser levados a pé pelos moradores e funcionários da prefeitura em um trajeto de cerca de 300 metros.

Até o início da noite dessa quinta (2), os trabalhos, iniciados pela manhã, não haviam sido concluídos. A operação envolveu esforços de equipes da Defesa Civil, Secretaria de Obras, Emdurb, Secretaria de Administrações Regionais (Sear), Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e coordenadoria municipal do MCMV.

Previsão: pancadas

Segundo o IPMet, desta sexta-feira (3) até domingo (5), áreas de baixa pressão, associadas ao calor e à alta umidade, manterão as condições de instabilidade sobre a região de Bauru. Pancadas de chuva e trovoadas isoladas devem ocorrer principalmente entre o final da tarde e período da noite.

“Amanhã (esta sexta-3) e sábado, teremos períodos de melhoria. Já no domingo, as pancadas ocorrem a qualquer hora do dia. As condições de instabilidade só devem melhorar a partir do dia 8 deste mês”, frisa a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emídio.

As temperaturas mínimas, ainda de acordo com ela, oscilarão entre 20 e 21 graus e as máximas atingirão a casa dos 30 graus.

Chuva barra mudanças

Em razão das chuvas, a Prefeitura de Bauru suspendeu a ação de transferência das 14 famílias da área de risco do Jardim Yolanda, programada para hoje. Uma nova data será marcada, possivelmente, na próxima semana.

Além das 35 famílias da favela São Manoel, outras 50 já foram transferidas nesta semana da Comunidade Piquete (próximo ao Núcleo Fortunato Rocha Lima), do Jardim Gérson França e do Jardim Marise. No total, serão transferidas cerca de 150 famílias, incluindo 53 do Parque das Nações.

As chuvas também motivaram a prefeitura a suspender a interdição que seria realizada ontem na quadra 14 da avenida Nuno de Assis para interligação das galerias pluviais da rua Manoel Garcia com a via. Até o fechamento desta edição, a Emdurb não havia divulgado nova data para a execução do serviço.

Comentários

Comentários