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Pintor enfrenta enxurrada para salvar filha e neta em Bauru

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Larissa sorri para a filha Alice, de 1 ano: as duas passaram por momentos de tensão ao verem “rio” se formar na sala de casa
Vanderlei com a neta Alice no colo, após enfrentar enxurrada para salvá-la: “Foi Deus que me ajudou”
Mãe e filha precisaram subir no sofá após nível da água chegar na cintura da jovem
Após perder tudo, Sidney terá que começar do zero: “E o que vamos fazer agora?”

A enxurrada já tinha derrubado o muro e, em fração de segundos, invadiu todos os cômodos da casa. Com a filha de 1 ano no colo e água na altura da cintura, Larissa Rafaeli de Paula se viu obrigada a subir no sofá para escapar do “rio” em que a sua sala havia se transformado durante o temporal que atingiu Bauru nesta quinta à tarde. “Foi desesperador”, lembra.

Do lado de fora da residência, que fica na quadra 4 da rua Olavo Moura, Jardim Carolina, o pai da jovem de 20 anos, Vanderlei de Paula, tentava impedir que o carro fosse arrastado pelas águas revoltas, quando alguém avisou: “Sua filha está ‘presa’ na casa”. “Corri pra lá. Já tinha um metro de água e emperrou a porta. Não dava pra entrar”, relata o pintor, 50 anos.

As grades nas janelas dificultaram ainda mais o resgate. Em meio ao som da chuva e da correnteza em pleno quintal, era possível ouvir os gritos de desespero da neta Alice. Vanderlei encontrou forças onde não tinha. “Quebrei os vidros da porta da cozinha e entrei. Foi Deus que me ajudou”. Parte do telhado caiu sobre o homem, mas, por sorte, ele não se feriu.

‘FOI UMA GUERRA’

O mesmo terreno abriga oito casas. Larissa foi levada até um imóvel vizinho, enquanto Vanderlei encontrava um lugar seguro para a criança em outra residência. “Foi uma guerra sair de lá. Se meu pai não entra, minha filha e eu tínhamos morrido, pois a casa rachou inteira e a estrutura poderia ter caído sobre nós”.

Nessa sexta-feira (3) de manhã, a família contabiliza os prejuízos. “Graças a Deus, a gente não se machucou. Mas a perda foi total. Perdemos roupas, móveis, alimentos e não temos para onde ir”, lamentou Larissa, assim que soube, pelo proprietário do imóvel, que o seguro não cobriria os estragos.

Visivelmente perturbado, o marido dela, Sidney Amorim da Silva, 27 anos - que não estava no imóvel no momento da chuva -, tentava reunir forças para recomeçar.

“Acabamos de nos casar. Foi difícil comprar as coisas. Agora ele (proprietário) oferece apenas um cômodo pra gente. Minha filha sem roupas, minha mulher sem roupas, eu sem roupas. O que eu vou fazer da minha vida?”, lamentava o bartender, enxugando as lágrimas.

“Eu estava pensando em começar uma faculdade com objetivo de proporcionar uma condição melhor para a minha filha. O que vou fazer agora? Teremos que começar do zero”, finaliza.

AJUDA

Quem puder ajudar a família com doações de roupas, alimentos, água e móveis e eletrodomésticos, pode entrar em contato pelo telefone (14) 9 9888-5818.

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