Tribuna do Leitor

Bauru Velha e a Nova Bauru

Luciano Dias Pires ? Jornalista
| Tempo de leitura: 2 min

Quando do início da construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, isso no começo do século XX, a rua que já tinha a denominação de Araújo Leite era a única existente, na qual um pequeno comércio desenvolvia suas atividades e, no meio do mesmo, figuravam as residências dos proprietários das firmas e de outros.


Face aquela movimentação, com a vinda diária de novos moradores, principalmente de comerciantes, estes já faziam uso dos trens da E.F. Sorocabana, a qual desde 1905 ligava Bauru a São Paulo, passando por importantes localidades da época, como Agudos, Lençóis, São Manuel, Botucatu até chegar a Capital do Estado.


Em torno do canteiro de obras da estrada de ferro, foram surgindo modestos estabelecimentos comerciais, a partir da área que futuramente seria a Praça Machado de Mello e atingindo as primeiras quadras do caminho de terra que viria a ser a rua Batista de Carvalho.


Assim, na época nasceram duas expressões: Bauru Velha e Nova Bauru, que distinguiam aqueles dois setores. Às vezes, quando duas ou mais pessoas estavam conversando na futura rua Araújo Leite, ao despedirem, uma delas falava: “até logo, pois vou até a Nova Bauru”, que era uma citação em torno daquele ponto que ligava a Machado de Mello à futura Batista.


Outros, por ocasião de um bate-papo naquele setor, diziam: “vocês me dão licença, pois vou até a Bauru Velha”, em uma referência à Araújo Leite, em seus primórdios. Esses são fatos que agitavam aquela que, no decorrer dos anos, se transformaria na vibrante Bauru de hoje.


O tempo passou, a Noroeste foi inaugurada em 1906, a Cia. Paulista de Estradas de Ferro aqui chegou em 1910, Bauru ganhava o “status” de comarca em 1911. Tinhamos água potável; luz elétrica; telefone e no correr dos anos, centenas de novos benefícios foram conquistados.


Porém, toda a área entre a Araújo Leite e a Batista de Carvalho, foi se estrangulando, visto a presença de novas empresas que se estabeleciam nos espaços ocupados pelas residências, bem como nos terrenos vagos.


Mas, ninguém mais interrompia aquele progresso incessante e aconteceu que, sua expansão ultrapassou divisas. Para surpresa geral, a região sul que iria receber futuros loteamentos com belíssimas residências, ganhou as avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima, nas quais se concentra hoje um comércio vigoroso representado por firmas de alto prestígio, cuja movimentação a transformaram na atual Nova Bauru. Nosso antigo Centro, que já foi autêntica passarela de concentrações políticas, dos inesquecíveis carnavais, de desfiles estudantis etc, não deixa de ser, atualmente, a Bauru Velha.

 

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