Tribuna do Leitor

Ela morreu!

Daniel Melos - jornalista
| Tempo de leitura: 2 min

Morreu! “Bem feito!” “Justiça de Deus!” “Aqui se faz, aqui se paga!”. Pois é… Nunca vi uma morte ser tão comemorada. Também, pudera! Há anos as pessoas estão de saco cheio!


Têm que extravasar de alguma forma, não é? Afinal, todos têm o direito de expressar sua opinião! Veja só, as instituições não funcionam! Uma das mais emblemáticas delas, por exemplo, só vive de aparências. Está cheia de hipócritas! Pessoas que deveriam fazer o bem, mas só o fazem em seu próprio benefício. Você acha que estou falando da política?


Não... Segundo dados do IBGE de 2010, 166 milhões de pessoas se declaram cristãs no Brasil, algo como 85% da população, entre evangélicos e católicos. Por isso, é comum ver, nas redes sociais, a pregação da “palavra”, principalmente daquele versículo mais popular: “Bandido bom é bandido morto”. Ou mesmo aquele campeonato de bondade, que é apostar em qual presídio tem mais internos mortos. E os cidadão de bem?

Ah, aqueles que se autointitulam assim, e enchem o peito para xingar os políticos corruptos com os mais variados nomes - nas redes sociais, diga-se de passagem - mas no dia a dia xingam aquele que for chamar sua atenção por ter feito uma conversão proibida no trânsito, colocando vidas em risco, ou por ter parado na vaga preferencial só porque “era rapidinho”. E tem aquele que acha um desserviço à sociedade o sistema de cotas, mas fura a fila do show quando encontra aquele conhecido ocupando um lugar à frente do fim da fila.

Dentre todos, há exceções, claro. Não se pode generalizar. Mas será sonho realizado para a humanidade quando as frases do início deste texto servirem para comemorar a morte. Mas não a morte de outro ser humano, como a da Marisa Letícia Lula da Silva. Mas a morte da hipocrisia, que prega o bem, mas deseja o mal. Que abomina a corrupção, mas acha que sempre é possível dar um jeitinho. Que faz alguém dizer que é honesto, mas acreditar que sempre é possível levar vantagem.


Nós comemoraremos muito a morte. Mas a morte da falta de respeito à dor do outro, da falta de empatia. A morte da falta de humanidade.

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