Regional

Jaú e Botucatu têm companhias teatrais que contam até com espaço próprio

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 6 min

Marcos Henrique Gusman/Divulgação
O ator Fernando Milani em cena

A mistura da arte circense com a dança e o teatro consagrou nos últimos 13 anos o Circênico Artes Integradas de Jaú. Em Botucatu, há 22 anos a Escola Oficina Livre de Teatro Chafariz se mantém com intensas atividades direcionadas ao teatro infantil. Essas associações praticamente mobilizam novos atores e são responsáveis por incentivar as artes dramáticas em seus municípios, à margem do poder público. À frente de tudo isso estão pessoas idealistas. O zootecnista Fernando Milani deixou a profissão para encarnar o palhaço “Coquinho” e comandar o Circênico. Já a professora aposentada de português Solange Rivas decidiu fazer o que mais gosta, depois que deixou as salas de aula: ensinar a magia do teatro às novas gerações.

Essas duas escolas de teatro são responsáveis atualmente por exibir espetáculos e também revelar novos atores. A Escola Chafariz já participou do Festival de Curitiba, de Festival da Universidade Sagrado Coração (USC) de Bauru e grandes eventos. Fundada em 1995 por Kim Marques, professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP atualmente é administrada e conduzida pela professora Solange Rivas. Marques adoeceu e teve que se afastar do palco. “Pela nossa escola já passaram vários atores que depois seguiram carreira em São Paulo”, conta Solange.

O Circênico de Jaú é uma “usina” de produção cultural. Além de suas oficinas de atores, também mantém uma progaramação mensal de atividades. É um espaço cultural alternativo. Em janeiro, por exemplo, promoveu o chamado “Cabaret”, com releituras da obra de Plínio Marcos que possibilitou espetáculos de dança no próprio Circênico com capacidade para 80 pessoas na rua Olavo Bilac, 121, no Centro.

Simbolicamente, quando abrem-se as cortinas, o Circênico é dança, teatro, circo, alegria, drama e responsável por levar a essência da cultura aos jauenses, um pouco esquecida pelos governantes ainda acostumados aos rigores de orçamento e sem prioridade ao setor cultural. Milani, por exemplo, também divide o palco com seu filho Leandro, de 4 anos, quando ambos encaram dois palhaços engraçados.

Para chegar até o tamanho da atual companhia, Milani começou com um empréstimo de R$ 5 mil no Banco do Povo para a reforma de um barracão que depois abrigaria as oficinas e o palco do Circênico. O projeto cresceu, mas a alegria do circo ajudou a impulsionar as artes dramáticas e demais atividades do grupo.

Circênico tem espaço alternativo

Associação mantém oficinas de teatro, dança e organiza eventos em suas instalações no Centro de Jaú com capacidade para 80 espectadores

Fotos: Marcos Henrique Gusman
Espetáculo Cabaret realizado nas instalações do Circênico de Jaú fez uma releitura do texto  “Balada de um palhaço” de Plinio Marcos
Tatiane Marques, Dayni dos Santos e Lilian Ribeiro Sobral durante espetáculo nas dependências do barracão do Circênico

A história do Circênico de Jaú não se difere de muitos grupos que lutam para manter abertas as portas para promover as artes dramáticas. Com 13 anos de atividades, tudo começou com a reforma de um barracão com dinheiro emprestado do Banco do Povo. De lá até hoje o “picadeiro” e o palco já abrigaram muitas apresentações e espetáculos musicais e teatrais. Em suas instalações mantém um espaço alternativo onde são feitas as apresentações.

A companhia é um grupo de professores abnegados pela arte. À frente está Fernando Milani, o palhaço “Coquinho”. Formado em zootecnia, ele só durou seis meses na profissão. Desistiu para comandar as atividades diversificadas que, inicialmente, também teve influência da linguagem circense.

Com a reforma nas instalações tudo começou com uma mostra de espetáculos feitas pelos alunos batizada de “Encontrão”. “Com o tempo foi desenhando diversas trajetórias e cursos. Saíram diversas pessoas, trabalhamos em determinado momento mais com aulas, depois só espetáculos e com projeto social”, conta Milani.

A atividade circense surgiu no grupo por causa do Julio Simpson que era palhaço e trabalhava com algumas linguagens de circo dentro do teatro. Nesta época apareceu uma família tradicional de circo que estava residindo na cidade. “Com o tempo Ednilson Walasco veio dar aula. Era da quinta geração de família circense e vem trazer um pouco desse conhecimento tradicional do circo. Acabamos misturando um pouco essa linguagem com o teatro”, conta Milani.

Mas o circo até um ano atrás vinha predominando mais nas aulas até como preferência de atividade dos pais. De acordo com Miliani, a linguagem circense se popularizou um pouco mais como prática pedagógica, enquanto o teatro ficou em um segundo plano, mas a arte dramática está voltando. “O teatro é mais trabalhoso, mas já estamos conseguindo trabalhar as duas linguagens juntas”.

A parte teatral, no entanto, é atividade mais de grupos da própria companhia. “Este ano começamos com o Cabaret com o texto ‘Balada de um palhaço’ de Plínio Marcos no barracão nosso. Nos três dias lotou. É para formar público. Dentro do próprio circo fomos incluindo as cenas. É um espetáculo interessante, porque hoje em dia está se fundindo o espetáculo circo e teatro”, conta.

As esquetes antigas de circo são “amarradas” com o roteiro dramatúrgico para tornar-se interessante ao público.

Em Botucatu, ênfase ao teatro infantil

Escola Livre Chafariz foi fundada pelo diretor de teatro Kim Marques e tem 22 anos de atividades no município dedicadas à dramaturgia infantil

Divulgação
Atores em cena da peça “A Linda História de Amor da Jovem Bela Flor e a Horrenda Criatura” 
“Era uma vez, e ainda é” aborda tema como bullying, discriminação, diferenças entre as pessoas  

Com 22 anos de atividades, a Escola Livre de Teatro Chafariz de Botucatu também tem seu espaço próprio para apresentações com capacidade para 60 pessoas. Nesse local é realizada uma vez por mês exibições com os grupos de Botucatu e de Lençóis. É um curso permanente de atores. À frente está a professora aposentada Solange Rivas.

A associação foi fundada em 1995 pelo diretor de teatro Kim Marques com formação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Ele se afastou em 2003 quando adoeceu e quando a professora Solange Rivas assumiu o comando da escola.

Há uma parceria com o Atos & Cenas de Lençóis Paulista, ligado ao ex-diretor de Cultura daquele município, Nilceu Bernardo. “É meu sócio aqui na escola. A gente faz apresentações para crianças com os grupos de Lençóis”, conta.

A Escola de Teatro Chafariz já participou do Festival de Curitiba, de evento de teatro da USC de Bauru e outras mostras. A Chafariz já conseguiu verba por meio de leis de incentivos fiscais do Proac para promover Feira do Livro na região.

Solange é professora de português aposentada e dramaturga. Vários textos encenados é de autoria dela. “É uma escola de atores, mas não de formação, é livre e não dá direito a DRT (sigla da Delegacia Regional do Trabalho referente ao registro profissional de ator) por exemplo. A maior parte que vem à escola é de criança, por isso 90% das atividades são para peças de teatro infantil”.

O teatro é a essência de todas as atividades. Recentemente a companhia de Solange conseguiu por meio da Lei Rouanet o projeto “Pelas águas do Chafariz” em parceria com uma concessionária de pedágio para apresentações infantis de “Fabulosas contadeiras”, “Exercícios de existir” (peça adulta existencialista) e uma releitura de “Chapeuzinho Vermelho” com direção de Nilceu Bernardes com atores de duas companhias (Atos & Cenas e Chafariz).

Solange explica que com o tipo de teatro da companhia é mais voltado para a educação por ter sempre a possibilidade de montar projetos que possam ser levados às escolas. “Trabalhamos muito com a disciplina na sala de aula e com temas específicos, como por exemplo zika. Temos uma peça engraçada que passa um ensinamento e cuidados de prevenção de uma maneira em que as crianças se divertem”, explica.

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