| Aceituno Jr. |
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| Os buracos profundos por alguns trechos da rua Altair Leite de Campos, no Jardim Carolina (acima) dão a impressão de que se caminha sobre um campo minado |
Os buracos profundos espalhados por alguns trechos da rua Altair Leite de Campos, no Jardim Carolina, em Bauru, dão a impressão de que se caminha sobre um campo minado. Este cenário tem se tornado bastante comum nos quatro cantos da cidade, porém, com maior intensidade em sete bairros. Tudo por conta das últimas chuvas.
Entre as quadras 1, 2 e 3 da Altair Leite de Campos, no entorno da Escola Estadual Azarias Leite, o trânsito está impedido e a Secretaria Municipal de Obras trabalha por lá. Enquanto o serviço não é concluído.
O promotor de vendas Luiz Correa, 33, deixa os dois filhos na casa de sua sogra, próxima ao trecho, e enfrenta dificuldades para transitar com as crianças, rumo à residência onde vive, situada no Mary Dota. "Tenho de pegar atalhos e o trajeto acaba ficando maior", reclama.
Márcia Filet, de 50 anos, proprietária de uma mercearia localizada a poucos metros dos buracos, relata que chegou a perder clientes. "Além de tudo, há um vazamento de esgoto. O mau cheiro espanta qualquer um", descreve.
Em nota, a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) informa que o vazamento havia sido recuperado na semana passada, porém, novas crateras abriram-se e a rede de esgoto sofreu rompimento em diversos pontos. O reparo teria sido concluído no final da tarde de ontem.
Na rua Adante Gigo, no Bauru 22, outra via bastante danificada pelas últimas chuvas, a rede de esgoto foi parcialmente destruída.
O conserto seria ainda hoje, assim como o do buraco formado entre a avenida Rodrigues Alves e a rua Agenor Meira, no Centro.
Titular da Secretaria Municipal de Obras, Ricardo Zanini Olivatto estima que, pelo menos, 200 quadras aguardam reparos, sendo que 40 estão intransitáveis. "Os trechos que impedem o acesso das pessoas terão prioridade", acrescenta.
Contudo, Olivatto não estabeleceu qualquer prazo de término dos trabalhos, uma vez que isso depende das condições climáticas.
Só no mês de janeiro, quando choveu um acumulado de 462 milímetros, a pasta desembolsou R$ 2,5 milhões para o serviço.
MAIS AFETADOS
Já os bairros mais afetados são: Vila Ipiranga, Jardim Terra Branca, Vila Santista, Jardim Redentor, Distrito Industrial 1, Jardim Carolina e, ainda, Village Campo Novo.
As obras do PAC Pavimentação no Nova Esperança e no Jardim Tangarás também foram afetadas pelas últimas chuvas. Inclusive, uma grande erosão se formou entre as ruas José Rodrigues Cordeiro e Carlos Teixeira Gomes, no Tangarás.
No total, o secretário acredita que a cidade tenha aproximadamente 6 mil buracos e vai além: segundo ele, o problema se dá, principalmente, pelas ligações irregulares da água da chuva com o esgoto.
"Quando o volume do cano aumenta, as conexões - feitas de manilhas de barro - se afrouxam, levando aos vazamentos. Como o solo da cidade entra em colapso facilmente e cede à água, o asfalto não aguenta o peso de determinados veículos e é rompido", explica.
avaliações
Olivatto reforça, ainda, que esse tipo de ligação é cabível de multa. "O indicado seria que cada morador verificasse se possui ligação irregular em casa. Para tanto, basta jogar um balde d'água no ralo externo. Se o líquido desaparecer, ou seja, não sair pela frente do imóvel, há irregularidade", exemplifica.
Já a assessoria do DAE complementa que, em 2015, a multa passou de R$ 86,00 para R$ 894,36. Em julho do ano passado, houve mais uma alteração e, agora, a penalidade é de R$ 981,11.
Além de quitar a dívida, o morador tem de providenciar a readequação da ligação. Para se ter uma ideia, de janeiro a dezembro de 2016, a autarquia vistoriou 3.804 residências da cidade, sendo que 63 receberam notificação.
Moradores 'ilhados'
A representante comercial Eliane Marques, de 45 anos, está desolada. Há um mês e 15 dias, ela não consegue guardar seu veículo na garagem, porque parte da rua, que é de terra, foi arrastada pelas últimas chuvas. O trecho onde ela vive, entre as quadras 6 e 7 da rua Clóvis da Silva Gomes, na Vila Celina, fica intransitável sempre que chove.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a rua está contemplada no PAC Pavimentação. Inclusive, a rede de galeria estava sendo feita, porém, os trabalhos foram interrompidos por conta do tempo. A previsão é de que sejam retomados na próxima semana, se não chover.
'Barradas'
As famílias que tiveram suas casas interditadas na noite de anteontem, no Jardim Carolina, também por conta das chuvas, foram cadastradas junto à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Conforme o JC noticiou na edição de ontem, nove residências estão impossibilitadas de abrigar moradores.
Titular da Sebes, José Carlos Augusto Fernandes informa que algumas famílias decidiram passar a noite dentro dos imóveis interditados e outras foram até a casa de parentes. "Elas têm condições de bancar o aluguel, inclusive, estavam pagando. Agora, tentam um acordo junto à imobiliária e a expectativa é de que estejam em novas casas ainda hoje (ontem)", finaliza.
Obras realiza 'força-tarefa' para recuperar
Ontem, a Secretaria Municipal de Obras trabalhou na recuperação dos estragos provocados pelas chuvas que caíram no último domingo. Desde as primeiras horas da manhã, os funcionários da Divisão de Pavimentação foram mobilizados para a restauração do asfalto da quadra 3 da rua Adante Gigo, no Jardim Carolina.
Em um trecho aproximado de 100 metros, o asfalto ficou bastante danificado e, por isso, o pavimento teve de ser removido e uma nova capa asfáltica deverá ser aplicada. À tarde, os servidores da pasta deram início à recuperação do pavimento e limpeza da quadra 3 da rua Noé Onofre Teixeira, também no Jardim Carolina.
Com o auxílio de uma máquina retroescavadeira, funcionários da Sear e Obras removeram grande quantidade de lama, arrastada pela enxurrada, na quadra 4 da rua Olavo Moura, ainda no Jardim Carolina.
Houve, ainda, a vistoria das casas interditadas, entre as ruas Olavo Moura e Benedito Ribeiro dos Santos. Apesar de não apresentarem grandes problemas estruturais, os imóveis permanecerão dessa forma por medida de segurança. Já equipes da Drenagem contiveram um buraco que se formou na quadra 10 da avenida Comendador José da Silva Martha, no Jardim Estoril 4.
O afundamento do asfalto se deu por conta de uma avaria na caixa de centro, do sistema de galerias pluviais, que foi danificada pela força da enxurrada, provocando a erosão. A previsão era de que o conserto fosse finalizado no final da tarde de ontem, com a compactação do solo. Posteriormente, a via seria liberada para o trânsito.
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