Polícia

Mesmo com fluxo de clientes e à luz do dia, postos são assaltados

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Em episódio na quinta, posto foi assaltado na zona Sul e cliente acelerou com a bomba acionada

A ousadia de assaltantes tem assustado cada vez mais quem está em postos de combustíveis de Bauru. Crimes têm sido registrados em plena luz do dia e com fluxo de clientes pelos locais, o que gera ainda mais risco e temor.

Na tarde da última quinta-feira, por exemplo, uma mulher, que seguia com uma criança em um carro, acelerou o veículo enquanto ele era abastecido ao perceber que o posto estava sendo assaltado.

No local, havia fila com outros quatro carros em abastecimento. Houve derramamento de combustível no local, mas por sorte nada mais grave aconteceu.

Os bandidos fugiram levando R$ 300,00 em dinheiro do caixa do psto, localizado na avenida Comendador José da Silva Martha.

O fato acendeu novo alerta para o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), entidade que representa os donos de postos.

"Há um desânimo geral da categoria, o pessoal nem registra mais os roubos, de tão constantes que ficaram. Os criminosos perderam a vergonha e começaram assaltar de dia também", comenta Edivaldo Tuschi, diretor da entidade.

Situação que ele pontua como perigosa, já que, como o fluxo de clientes é maior de dia, a probabilidade de reação durante os crimes aumentam, assim como a chance de tragédias ocorrerem.

"Ao cair, o gatilho da bomba poderia ter incendiado e causado uma explosão no posto", comenta Tuschi.

Há vinte dias, o mesmo estabelecimento foi alvo de disparo de arma de fogo, durante a madrugada, em tentativa de assalto. "O tiro poderia ter acertado uma bomba e causado um desastre", ressalta Tuschi.

CONSTANTE

Uma média de, no mínimo, dois assaltos a postos é registrada em Bauru por semana, segundo o JC apurou. Muitos casos, porém, são subnotificados, ou seja, não chegam ao conhecimento das Polícias Civil e Militar. 

"Conversei com outros três donos de postos e todos eles também disseram que são assaltados tanto à luz do dia quanto à noite, mas que desistiram de registrar", pontua o diretor do Sincopetro.

"O pessoal está desacreditado. Devia haver mais rigor nas ações, tanto por parte da Polícia Civil quanto por parte da Polícia Militar", critica.

'PULVERIZADO'

Responsável pela apuração de roubos e outros crimes graves em Bauru, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) diz que tem cumprido seu papel ante às investigações e feito o máximo para minimizar as ocorrências.

"Na semana passada mesmo prendemos duas pessoas, uma deles menor de idade, que cometiam roubos a estabelecimentos diversos, entre eles, postos de combustíveis", frisa o delegado Eduardo Herrera, titular da DIG.

Ele descarta a atuação de uma quadrilha e afirma que os assalto a posto é um crime pulverizado, ou seja, ocorre em todas as regiões da cidade e que acontecem por oportunidade, falta de segurança nesses locais. Fatos estes que dificultam a investigação.

"Geralmente, são crimes cometidos por usuários de drogas em busca de dinheiro para a alimentarem o vício ou quitarem dívidas com traficantes", pontua Herrera.

"Existe preocupação da Polícia Civil em estancar essas ocorrências e, por isso, ressalto a importância do registro do boletim de ocorrência. Só assim é possível investigar", conclui.

PATRULHAMENTO

Já a Polícia Militar diz que o patrulhamento é redirecionado aos locais e horários em que esses crimes mais acontecem, conforme a notificação dos casos.

"O posto de combustível é particular e, assim como qualquer cidadão, também precisa de patrulhamento", comenta o major Fernando Xavier Pinto, comandante interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I).

"Não podemos direcionar o patrulhamento para um posto em específico, mas nos adequamos e reforçamos conforme a necessidade", completa.

Segundo o major, a maior parte desses tipos de crimes ainda é registrada em estabelecimentos que funcionam 24 horas ou que estão situados em locais ermos.

Uma das orientações da polícia para o segmento é a de não deixar acumular altas quantias em dinheiro nos caixas. O Sincopetro diz que a maioria dos estabelecimento tem feito a sua parte, ainda assim, a criminalidade não tem dado trégua.

'Não aguento mais assalto, quero mudar de profissão', diz frentista

Há oito anos trabalhando como frentista, Zé Carlos (nome fictício) está à procura de uma nova profissão.

"Não aguento mais assalto", desabafa. "Infelizmente, neste momento de crise e desemprego, não tenho o que fazer, mas quero arrumar outro trabalho".

Em 30 anos de vida, ele diz nunca ter sido assaltado na rua. Mas, nos últimos quatro anos, contabiliza ter sido vítima de ao menos 11 assaltos durante seu expediente.

"Já colocaram a arma na minha cabeça, já levaram minha carteira... eles sempre aparecem de moto ou a pé. E não tem horário para acontecer. Quando escuto um 'é assalto, é assalto', já paro tudo o que estou fazendo. Tenho medo de levar tiro", comenta o frentista.

Zé Carlos, que não quis se identificar por temer por sua segurança, era o frentista que atendia a mulher que acelerou durante o roubo em posto localizado na avenida Comendador José da Silva Martha.

Desde 2015...

No primeiro semestre de 2015, a onda de roubos a postos de combustíveis gerou ação por parte das polícias de Bauru.

A Polícia Militar, por exemplo, criou um grupo de WhatsApp para estreitar a relação com donos de postos e agir na identificação de autores de roubos. O comandante interino da PM, contudo, não soube dizer se o grupo ainda funciona e se obteve algum resultado. 

Uma reunião entre delegacia Seccional e a DIG, em julho do mesmo ano, resultou na criação de um protocolo de atendimento a essas ocorrências especificamente. Na época, contudo, verificou-se que a maior parte dos crimes era registrada entre 19h e 20h.

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