Não sou e nunca fui reacionário, fosse qual fosse o regime de governo. Mas uma coisa da qual sempre fui contrário foi o direito de greve, por mais justo que ele possa parecer.
A greve de qualquer categoria de trabalhador por maiores salários, participação nos lucros das empresas e até mesmo por salários atrasados sempre prejudicaram outras categorias de empregados.
O que sempre me irritou nas greves é que elas sempre são comandadas por sindicalistas que acham que possuem o direito de atrapalhar a vida de uma cidade, de um estado ou de um país. É sempre um pequeno grupo que insufla um movimento grevista e não mede as consequências de seus atos.
O direito ao trabalho, principalmente num país onde trabalho é coisa cada vez mais rara, é direito de todo cidadão. Para trabalhar não é necessário ter um emprego. A essência do trabalho é a energia que você coloca em algum ponto qualquer. Isso é trabalho.
As pessoas buscam empregos, não trabalho e ter emprego significa exigir do empregador um monte de benefícios, regalias, redução de horas de trabalho e seja lá o que mais for.
Greves de trabalhadores do transporte público, por exemplo, afetam milhões de pessoas, algumas até perdem o emprego por isso. Greve de enfermeiros, médicos e servidores públicos em geral, prejudicam outros milhões de pessoas. Dependendo do caso, algumas até morrem.
Uma coisa que me irrita é greve de professores da rede pública; o ensino já deixa muito a desejar no país até pelo despreparo de muitos professores que ocupam essa função mais em benefício de uma estabilidade no emprego, do que vocação para ensinar. Os prejudicados são os alunos.
Num país que tem mais de doze milhões de desempregados, uma greve da polícia é um atentado à segurança da população. No Espírito Santo a greve dos policiais militares provocou uma verdadeira guerra em algumas cidades, com tiroteios, saques e mais de 75 mortos até agora.
Eu reconheço que todos os profissionais têm o direito de serem bem remunerados. Os salários dos profissionais que mencionei é uma vergonha. Mas onde fica o amor à profissão? Cada um escolheu a sua, se não estiver satisfeito, que procure outra coisa. Sei que não é fácil achar emprego no Brasil. Aqui se exige cursos superiores para atividades que não necessitam disso.
Esta greve de policiais é uma greve da vida, pessoas estão morrendo todos os dias, lojas sendo saqueadas, centenas de carros roubados e a polícia dentro dos quartéis sem fazer nada.
O prejuízo que estão causando ao Estado é muito grande e, com toda certeza, eles não terão o aumento salarial desejado, até porque não merecem, estão sendo negligentes na profissão, não servem para ser policiais.
A quem interessa uma greve? Eu me lembro de um líder sindical metalúrgico que organizou uma greve nas montadoras de veículos, durante o regime militar, época em que as greves eram proibidas e punidas até com a prisão.
Aquela greve atendeu apenas aos interesses das montadoras cujos pátios estavam abarrotados de automóveis. Aquele líder sindical foi um grande traidor da classe operária.
Voltando ao Espírito Santo, na hora em que uma bala perdida encontrar alguém da família de um policial a greve acaba e começará uma busca frenética por vingança. Que Deus nos ajude!