| Sergio Fleury Moraes/Jornal Debate |
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| Sueli Feitosa é levada para a CPJ; atrás, de óculos escuros, o advogado Antonio Godoy Maruca |
A servidora pública Sueli de Fátima Feitosa, suspeita de desviar R$ 3,5 milhões dos cofres da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru), se apresentou nesta quarta-feira (8) ao Ministério Público (MP) e assumiu o crime. Na sequência, foi presa por policiais civis e levada à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde prestava depoimento até o fechamento desta edição.
O promotor Reginaldo Garcia conta que a apresentação de Sueli vinha sendo articulada pelo advogado dela, Antonio Godoy Maruca. Nessa quarta (8), ela chegou ao MP por volta das 10h e foi ouvida nos autos de inquérito civil instaurado para apurar suposto ato de improbidade.
“Daquilo que a gente já tinha a comprovação nos autos, ela assumiu a autoria dos desvios. Mas a gente já tinha uma prova praticamente irrefutável nos autos. Só que ela reconheceu um período menor daquilo que a gente está investigando, de 2008 para cá”, revela.
Segundo o promotor, algumas informações fornecidas pela servidora em seu depoimento ainda serão investigadas no decorrer do inquérito e não podem ser divulgadas neste momento, entre elas o suposto envolvimento de mais pessoas no esquema criminoso.
Ele explica que o trabalho do MP visa à apuração do montante desviado para posterior pedido de ressarcimento ao erário e condenação dos envolvidos na esfera civil. A conduta de Sueli também é investigada por meio de inquérito policial e de processo administrativo.
PRISÃO
Após deixar a promotoria, por volta do meio-dia, a servidora foi presa e conduzida à CPJ. Até o fim da noite, ela ainda prestava depoimento. Por volta das 17h, após cinco horas de oitiva, o delegado Renato Mardegan informou que os trabalhos estavam caminhando bem.
“Temos muitas provas. Para mim foi interessante ela demorar para ser presa porque fui deixando o inquérito com provas substanciosas. Agora fica mais fácil de perguntar”, diz. Ainda nessa quarta-feira (8), Sueli, que foi presa preventivamente, seria levada à Cadeia de Pirajuí.
CRONOLOGIA
Sueli de Fátima Feitosa é suspeita de desviar cerca de R$ 3,5 milhões da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo. Desde 1999, ela exercia a função comissionada de diretora do Departamento de Tesouraria.
Quando as irregularidades foram descobertas, em dezembro de 2016, Sueli foi exonerada do cargo em comissão e afastada de suas funções por 30 dias.
Processo administrativo foi aberto e a Polícia Civil passou a investigar os crimes de peculato, falsificação de documento público e falsidade ideológica.
Em 28 de dezembro, a Polícia Civil apreendeu documentos, computadores e joias na casa da servidora e em cinco endereços de pessoas ligadas a ela.
No dia 31, ela teve a prisão preventiva decretada, mas já não estava mais na cidade e passou a ser considerada foragida.
No dia 26 de janeiro, a mãe de Sueli, Maria da Conceição Feitosa também teve a prisão preventiva decretada e foi encaminhada à Cadeia de Pirajuí.
Segundo a Polícia Civil, ela teria se beneficiado diretamente de todo o dinheiro desviado e ajudado a esconder provas, dificultando a investigação.
No dia 27, dois caminhões pertencentes a um cunhado da servidora que não haviam sido declarados por ele em depoimento foram apreendidos.
No dia 30, a pedido da Polícia Civil, a Justiça determinou o sequestro de sete propriedades registradas no nome de Sueli e de familiares dela.
Recentemente, a Justiça havia bloqueado quatro carros e quatro caminhões pertencentes aos investigados e apreendido um carro, dois caminhões e joias.
No dia 6 de fevereiro, o cunhado da servidora, Adilson Gomes de Souza, também foi preso preventivamente por ocultar bens e obstruir o trabalho da Justiça.
No dia 7, após conseguir liberdade provisória mediante pagamento de fiança de cerca de R$ 10 mil, a mãe de Sueli foi solta. O cunhado dela permanece preso.
Delação premiada
O promotor Reginaldo Garcia conta que ofereceu à Sueli Feitosa a possibilidade de acordo de delação. “A lei prevê a colaboração premiada, mas tem certos requisitos”, diz. “Explicamos que, para a delação, ela teria que dar outros elementos que nos levassem à coautoria ou eventual participação, à identificação do patrimônio lavado e, principalmente, à restituição ao erário do valor desviado”. Segundo ele, contudo, a servidora não se interessou pelo acordo. “O Ministério Público está aguardando”, diz.
