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Forças Armadas assumem segurança do Espírito Santo


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Pauldo Whitaker/ Reuters
Soldados das Forças Armadas foram vistos nessa quarta (8), em patrulhamento nas ruas de Vitória, ES

O governo do Espírito Santo publicou na edição dessa quarta-feira (8) do Diário Oficial do Estado decreto que transfere o controle operacional dos órgãos de segurança pública estadual para o general de brigada Adilson Carlos Katibe, responsável pela força-tarefa que atua no Estado desde a última segunda-feira (6).

Segundo o Ministério da Defesa, essa transferência faz parte da burocracia necessária para o envio de tropas federais - desde segunda-feira agentes das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança estão nas cidades capixabas para substituir os policiais militares, que no último final de semana iniciaram um motim.

Conforme a assessoria de imprensa da pasta da Defesa, procedimento semelhante foi adotado em todas as outras ocasiões em que houve envio de tropas federais - por exemplo, durante a Olimpíada e Paralimpíada no Rio de Janeiro, no ano passado, e no Amazonas e em Roraima, neste ano.

Pelo menos até o dia 16, o comandante das forças públicas de segurança no Estado do Espírito Santo passa a ser Katibe, responsável pelas operações das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem nos municípios capixabas. Essa situação pode ser estendida para além do dia 16.

NÚMEROS

Não há números oficiais da violência no Estado, mas se fala entre 80 e 100 mortes em cinco dias. Mesmo que seja o menor número, o número de mortos,  número de mortos, se confirmado, seria cerca de seis vezes maior que a taxa de homicídios no Estado registrada ao longo do ano passado.

A maior parte da violência está centrada na região metropolitana de Vitória, onde vivem cerca de dois milhões de pessoas.

CHANTAGEM

Mediante uma onda de assaltos, roubos e assassinatos, autoridades locais disseram precisar de centenas de tropas militares a mais para ajudar a compensar a média de 1.800 policiais que normalmente patrulham as ruas do Estado.

A greve, que tem participação de familiares e amigos de policiais que bloquearam acessos a batalhões, acontece à medida que o Espírito Santo, assim como outros Estados, enfrenta dificuldades financeiras para garantir serviços como saúde, educação e segurança.

O governador Paulo Hartung disse ontem que a greve, que fez com que escolas e hospitais fossem fechados e muitos moradores decidissem ficar em casa por medo da violência, é uma “chantagem”. Ele comparou a greve ao “sequestro da liberdade de cidadãos”, com cobrança de um “resgate”.

Paulo Whitaker/ Reuters
Policiais civis votaram a favor da paralisação da classe

Policiais civis decidem parar em apoio à reivindicação dos militares

Uma assembleia de policiais civis do Espírito Santo decidiu por fazer uma paralisação ontem em Vitória. Os agentes da Polícia Civil estão cogitando entrar em greve, assim como fizeram os militares.

Nessa quarta-feira (8), houve um cortejo de policiais nas ruas de Vitória em homenagem ao policial morto, e uma manifestação está prevista para acontecer na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Os policiais civis seguiram a pé até o Quartel do Comando-Geral da PM para demonstrar apoio ao movimento de familiares dos militares. No ato, os agentes de segurança pública criticam o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e reclamam que faltam policiais no Estado.

Sindicato diz que mortos são 95

O número de mortes violentas na Grande Vitória subiu para 95 nessa quarta-feira (8). A informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, Jorge Leal. Segundo ele, as planilhas deixaram de ser atualizadas nesta manhã. “Estou recebendo a informação de policiais de que houve a determinação para que parassem de atualizar os dados. Não foi uma ordem explícita, mas uma ordem velada que partiu do governo. Estamos tentando obter os dados extraoficialmente”, afirmou Leal.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, 60 carros foram roubados ou furtados até o meio-dia de terça-feria.  Na véspera, tinham sido 200. A média diária para o Estado é de 20 veículos roubados.

CASO DUPLO

Leal falou direto do velório do investigador Mário Marcelo Albuquerque, morto nesta terça-feira, em Colatina, noroeste do Espírito Santo. Ele e um colega chegavam à localidade de Baunilha, quando viram um homem sofrendo assalto. Albuquerque reagiu e foi atingido. A região de Colatina também está sem policiamento por causa do motim da PM.

“A culpa não é da paralisação dos policiais militares, mas dessa política do governo, de não valorizar a Segurança Pública. As polícias estão sucateadas, não temos policiais suficientes e o governo não concede nem o direito trabalhista que é a recomposição salarial. Estamos sem aumento salarial há sete anos, e há quatro não temos nem sequer o reajuste da inflação. Isso gerou esse clima de insegurança. É uma tragédia anunciada e o governador não dialoga”, afirmou Leal.

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