| Samantha Ciuffa |
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| Em novo julgamento, ontem, Edilson Sebastião Horácio, teve condenação por homicídio mantida |
O Tribunal do Júri em Bauru manteve decisão e condenou Edilson Sebastião Horácio, conhecido como “Negão”, a 21 anos de prisão por ter assassinado, tentado estuprar e ainda furtado Aline Cristina de Oliveira Moreira, em julho 2013. A jovem, na época com 25 anos, foi morta por asfixia após ser abordada por ele enquanto caminhava até um ponto de ônibus, no Núcleo Beija-flor.
Esta pena é a mesma aplicada em julgamento realizado em fevereiro de 2015. Em junho do ano passado, no entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acolheu recurso da defesa que solicitava a nulidade da sessão.
Na apelação, o advogado Alisson Caridi alegava a falta de provas sobre a imputação da tentativa de estupro ao réu, apontando que o crime teria sido deduzido na tese de investigação da Polícia Civil.
Em novo julgamento, realizado nessa quinta-feira (9), por quatro votos, o Conselho de Sentença, manteve a condenação de 18 anos por homicídio quadruplamente qualificado (morte por asfixia, por motivo torpe, com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e por ter sido praticado para evitar punição de crime anterior – a tentativa de estupro). Edilson recebeu outros dois anos de pena por tentar violentar Aline e um ano por ter furtado o celular da vítima.
Edilson foi absolvido, apenas da acusação, de ocultação de cadáver.
O JULGAMENTO
Em julgamento acalorado, com discussão entre a defesa e a acusação, representada pelo promotor Alex Ravanini, Caridi tentava a absolvição do réu, apontando possíveis falhas na investigação e alegando que o réu teria, por coincidência, estado no local apenas para furtar o celular. Mas a tese não convenceu o Júri.
“Por todas as consequências que permearam este crime, o réu merecia uma pena ainda maior, mas o Júri manteve coerência”, comenta Ravanini.
A anulação do julgamento por um mesmo motivo, segundo ele, é possível uma única vez. Mas, ainda cabe recurso da decisão.
“As provas reforçam o que é apenas uma tese da polícia, não houve testemunhas presenciais”, comenta o advogado de defesa. “Iremos analisar se recorreremos”, completa.
PEGADAS
Edilson, que na época do crime era réu primário, está preso desde o dia 20 de julho de 2013, a partir da localização do celular furtado da vítima. Na residência em que ele vivia, no Núcleo Beija-Flor, a Polícia Civil encontrou um tênis, cujas ranhuras da sola eram idênticas às pegadas deixadas no entorno de onde o corpo de Aline foi abandonado.
Imagens do circuito de segurança de um salão de cabeleireiros, localizado a cerca de 600 metros do local do homicídio, também flagrou o assassino caminhando logo atrás da recuperadora de crédito.
O assassinato
O corpo de Aline foi encontrado por volta das 7h30 da manhã do dia 3 de julho, na quadra 1 da rua Professora Julieta Guedes, no Núcleo Beija-Flor, por pessoas que passavam pelo bairro e acionaram a Polícia Militar. Com o rosto submerso, Aline estava caída no Córrego Barreirinho, sob a ponte que liga o bairro Santa Luzia ao Beija-Flor.
“Só Deus sabe como me dói reviver isso”
Visivelmente arrasada, a mãe da vítima, Tercília Cristina Rocha, lamentava estar novamente no julgamento da morte da filha. “Só Deus sabe como dói reviver isso tudo. É injusto ter que encará-lo novamente (Edilson). E nada disso vai trazê-la de volta”, lamenta a mãe.
