Polícia

Assassino de jovem pega 21 anos após ter 1º julgamento anulado

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Em novo julgamento, ontem, Edilson Sebastião Horácio, teve condenação por homicídio mantida

O Tribunal do Júri em Bauru manteve decisão e condenou Edilson Sebastião Horácio, conhecido como “Negão”, a 21 anos de prisão por ter assassinado, tentado estuprar e ainda furtado Aline Cristina de Oliveira Moreira, em julho 2013. A jovem, na época com 25 anos, foi morta por asfixia após ser abordada por ele enquanto caminhava até um ponto de ônibus, no Núcleo Beija-flor.

Esta pena é a mesma aplicada em julgamento realizado em fevereiro de 2015. Em junho do ano passado, no entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acolheu recurso da defesa que solicitava a nulidade da sessão.

Na apelação, o advogado Alisson Caridi alegava a falta de provas sobre a imputação da tentativa de estupro ao réu, apontando que o crime teria sido deduzido na tese de investigação da Polícia Civil.

Em novo julgamento, realizado nessa quinta-feira (9), por quatro votos, o Conselho de Sentença, manteve a condenação de 18 anos por homicídio quadruplamente qualificado (morte por asfixia, por motivo torpe, com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e por ter sido praticado para evitar punição de crime anterior – a tentativa de estupro). Edilson recebeu outros dois anos de pena por tentar violentar Aline e um ano por ter furtado o celular da vítima.

Edilson foi absolvido, apenas da acusação, de ocultação de cadáver.

O JULGAMENTO

Em julgamento acalorado, com discussão entre a defesa e a acusação, representada pelo promotor Alex Ravanini, Caridi tentava a absolvição do réu, apontando possíveis falhas na investigação e alegando que o réu teria, por coincidência, estado no local apenas para furtar o celular. Mas a tese não convenceu o Júri.

“Por todas as consequências que permearam este crime, o réu merecia uma pena ainda maior, mas o Júri manteve coerência”, comenta Ravanini.

A anulação do julgamento por um mesmo motivo, segundo ele, é possível uma única vez. Mas, ainda cabe recurso da decisão.

“As provas reforçam o que é apenas uma tese da polícia, não houve testemunhas presenciais”, comenta o advogado de defesa. “Iremos analisar se recorreremos”, completa.

PEGADAS

Edilson, que na época do crime era réu primário, está preso desde o dia 20 de julho de 2013, a partir da localização do celular furtado da vítima. Na residência em que ele vivia, no Núcleo Beija-Flor, a Polícia Civil encontrou um tênis, cujas ranhuras da sola eram idênticas às pegadas deixadas no entorno de onde o corpo de Aline foi abandonado.

Imagens do circuito de segurança de um salão de cabeleireiros, localizado a cerca de 600 metros do local do homicídio, também flagrou o assassino caminhando logo atrás da recuperadora de crédito.

O assassinato

O corpo de Aline foi encontrado por volta das 7h30 da manhã do dia 3 de julho, na quadra 1 da rua Professora Julieta Guedes, no Núcleo Beija-Flor, por pessoas que passavam pelo bairro e acionaram a Polícia Militar. Com o rosto submerso, Aline estava caída no Córrego Barreirinho, sob a ponte que liga o bairro Santa Luzia ao Beija-Flor.

“Só Deus sabe como me dói reviver isso”

Visivelmente arrasada, a mãe da vítima, Tercília Cristina Rocha, lamentava estar novamente no julgamento da morte da filha. “Só Deus sabe como dói reviver isso tudo. É injusto ter que encará-lo novamente (Edilson). E nada disso vai trazê-la de volta”, lamenta a mãe.

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