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| Cena comum: quadra 7 da alameda Octávio Pinheiro Brisolla |
Os vazamentos de esgoto incomodam, e o número de ocorrências em Bauru mostra que o problema está longe de uma solução. O professor aposentado Ivan José Mantovani, 68 anos, convive com o mau cheiro há mais de duas semanas. Morador da quadra 7 da alameda Octávio Pinheiro Brisolla, na Vila Universitária, ele já ligou várias vezes para o Departamento de Água e Esgoto (DAE) nesses últimos dias. “Foram umas seis ou sete ligações, pelo menos”, afirma.
O professor aposentado diz que, apesar da via ser bastante movimentada, a autarquia ainda não enviou nenhum funcionário para resolver o vazamento. “Tem duas tampas de ferro bem em frente de casa (poço de visita). Uma já existia, e outra foi feita há alguns anos. E ainda tem uma boca-de-lobo logo abaixo, então os vizinhos não estão sentindo tanto porque o esgoto já cai na boca-de-lobo. Mas é um mau cheiro difícil, a gente já não vê solução, porque liga no DAE e não tem resposta de quando vão resolver isso”, comenta.
A autarquia vem enfrentando dificuldade para dar resposta rápida. Um dos entraves é a falta de material. O presidente do DAE, Eric Fabris, ressalta que são duas formas de solucionar vazamentos de esgoto: com varetas específicas ou através de caminhões hidrojato. “Estamos com apenas dois caminhões para atender toda a demanda. E as varetas estão em falta desde que assumimos a autarquia, em janeiro. A licitação atrasou, e devem chegar cerca de 100 varetas nas próximas duas semanas. Depois, mais 300 serão compradas, para dar conta de trabalhar bem”, pontua.
Volume
A situação de Ivan não é isolada. Apenas em janeiro de 2017, o DAE recebeu 632 queixas relativas a vazamento de esgoto, e conseguiu reparar apenas 228, ou seja, 36% do total. O restante, ficou para trás. E a dificuldade não é de agora. Em 2015, a autarquia conseguiu reparar 2.769 vazamentos, de um total de 5.598 registros (pouco mais de 49%). No ano passado, o índice de resolução caiu pela metade, pois foram apenas 1.622 consertos dos 6.118 registros (26%). Os números são do próprio DAE, que informou o JC após pedido da reportagem. Eric Fabris salienta que em meses de chuva, o volume de reclamações aumenta.
“Parou de chover há uma semana: é agora que percebemos uma quantidade maior de reclamações. Infelizmente, existem muitas ligações de água da chuva que vão para a rede de esgoto, o que é irregular. Queremos aumentar a fiscalização, notificando e se necessário multando quem faz isso. É uma fiscalização difícil de ser feita”, acrescenta.
De acordo com o presidente do DAE, o número de equipes precisa ser ampliado. “São apenas duas equipes para fiscalizar esse tipo de situação. Nossa intenção é aumentar ao longo do ano. Essas ligações irregulares atrapalham muito, pois em dias de chuva a rede de esgoto não dá conta e acaba retornando esgoto inclusive em casas, nas partes mais baixas dos bairros, além dos vazamentos”, conclui Fabris.
Mutirão
O DAE realiza neste sábado (11) um mutirão para atacar vazamentos de água e esgoto, e para tapar buracos abertos nos últimos dias. Serão 107 funcionários da autarquia deslocados para atuar em diversos bairros.
A autarquia promove os reparos de tapa-buraco e de vazamento de esgoto de segunda a sexta-feira, mas em situações excepcionais pode executar o serviço aos finais de semana - além dos mutirões, como o deste sábado. Já os vazamentos de água costumam receber reparos mesmo aos finais de semana.
“Esse mutirão é necessário no momento. Estamos com 450 pontos em aberto para receber massa asfáltica, sendo que a nossa média é de 150. Vamos tentar reduzir isso”, afirma o presidente do DAE, Eric Fabris. Sobre a quantidade de equipes voltadas exclusivamente para resolver vazamentos de esgoto, ele lembra que autarquia trabalha com a média de registros, para não haver equipes ociosas em meses com menor demanda, mas que o DAE procura reforçar esse serviço em época de chuva.
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