Cultura

Filipe Flakes apresenta seu trabalho inquieto e criativo em Bauru

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 6 min

Divulgação
A banda Filipe Flakes e o Subverso Coletivo terá seu "QG" em São Paulo a partir deste ano; por enquanto, o cantor e compositor se apresenta solo em Bauru e região

Basta conversar alguns minutos com Filipe Flakes para não ter dúvida: ele tem alma de artista. Não por acaso é cantor, instrumentista, compositor, palhaço, mágico e produtor, tocando vários projetos. "Eu me defino como insone e inquieto. Não consigo para de criar! Não vejo a arte só como uma profissão, é o que eu sou", conta em bate-papo com a reportagem do Jornal da Cidade.

Aliás, a conversa poderia ter durado horas, porque não faltam a Filipe boas histórias e experiência artísticas interessantíssimas para contar. E olha que ele só tem 29 anos.

Natural de Bauru, foi para Fortaleza (CE) aos 3 anos de idade. Aos 14 compunha e aos 16 anos já trabalhava com música. Por isso, ficou na capital cearense quando parte da família voltou para cá. Agora é a sua vez.

"Fico em Bauru até o começo do segundo semestre. Tenho agenda aqui (quinta, dia 16, às 21h30, toca no Joker Bar) e na região. Depois me mudo para São Paulo, Capital, com a banda 'Filipe Flakes e o Subverso Coletivo'. De lá fica mais fácil fazer as conexões com várias cidades, incluindo Fortaleza", conta ela.

Desde a adolescência ele toca com o baixista Caio Faris. Mais recentemente entrou para a turma o baterista PH Von Sohsten.

"Senti a necessidade de ter um senso mais de banda e em 2012 foquei no trabalho autoral. Eu brinco dizendo que é uma banda de roqueiros tentando tocar MPB! Então, é uma mistura dos dois. Tem música bem rock, outra bem MPB e misturo samba rock, reggae... É uma música brasileira".

Em janeiro de 2015, o grupo lançou o disco digital "O que importa", com grande repercussão nas plataformas musicais da internet.

O próximo já está a caminho. Para ver e ouvir, vale a pena degustar os vídeos no canal Filipe Flakes e o Subverso Coletivo no YouTube, incluindo o delicioso clipe da canção "E se". Acompanhe essa conversa.

JC - Como você concilia tantas vertentes artísticas?

Filipe - A música veio primeiro. Estudo desde os 8 anos. Em 2008 veio o circo. Sempre gostei de teatro, mas eu não tinha coragem de atuar. Sou tímido. No palco não, porque me escondo atrás do microfone e do instrumento. Eu tinha um projeto de música infantil e sugeriram fazer vestido de palhaço. Achei legal e comecei a estudar as coisas do circo, até malabares, mas me identifiquei mais com o palhaço dramático e a mágica. Meu palhaço, o Omar Chinelo, começou na rua em um grupo com outros palhaços. Dessas experimentações nasceu o projeto solo dele "Eu quero ser mágico". A linha de circo que eu sigo é a contemporânea, de teatro e de rua. A minha sensação é que eu tenho muita coisa a dizer e eu não consigo só através da música, não que ela seja pouco. Já me perguntaram o que eu escolheria se fosse para fazer só uma coisa. Acho desleal, porque são coisas completamente diferentes.

JC - Uma arte influencia a outra?

Filipe - Sim! O meu palhaço traz minha bagagem de música (as trilhas das mágicas fui eu que escrevi) e na música eu trago um pouco do palhaço, com coisas que me ajudam muito no palco enquanto cantor. As coisas se somam, mas não dá para girar o tempo todo os dois pratos, há momentos que eu foco mais em um projeto e faço um respiro criativo do outro.

JC - E como é trabalhar rock no Nordeste?

Filipe - O Nordeste tem uma força do rock que está vindo bem legal. A música autoral demorou para ganhar peso, para ter uma valorização, não existia muito a cultura de consumir. As pessoas deram uma despertada pra isso e a cena atual é bem legal e tem muita gente boa produzindo música, do rock a MPB, do reggae ao rap. Lá também é forte o forró e o sertanejo. Só que um artista desconhecido na grande mídia não lota um show no Sesc de Fortaleza como lota aqui em Bauru.

JC - Como tem sido essa transição para Bauru?

Filipe - Estou amando. Acho bem parecido com Fortaleza, no custo e estilo de vida. Apesar de lá ser uma cidade bem maior, a quantidade de bares legais é quase a mesma. A noite aqui é muito boa. Estou apostando nos bares para o público bauruense conhecer meu trabalho. Faço uma parte do repertório com releituras e outra com meu som autoral. Gosto muito de tocar em casas de shows e teatro. Estou encantando com o Teatro Municipal de Bauru, é acessível, bem conservado e tem boa estrutura. Quero trazer para cá nossos shows especiais e alguns projetos que tenho com outros artistas.

JC - O que inspira o processo criativo?

Filipe - Gosto de pensar o disco como se fosse um livro, que conta uma história. "O que importa" é um CD bem good vibes. E a temática das 10 faixas gira em torno do que importa para a gente: amizade, amor, esperança, justiça social... O valor de quem somos e não do que a gente tem. A faixa Alegria é um relato do meu palhaço, do trabalho voluntário que fiz com ele no hospital do câncer em Fortaleza, de como foi tentar injetar alegria nas crianças. Também fiz uma música para um menino de rua que conheci e outra a partir de uma conversa com um mendigo. Um desafio criativo que me coloquei foi fazer um post no Facebook no final do ano passado, dizendo que eu faria uma música inspirada na história das 10 primeiras pessoas que comentassem. A maioria eu não conhecia e ouvi um monte de histórias legais. Daqui um mês vou começar a postar essas músicas. Gera uma interação muito grande.

JC - Como é trabalhado esse disco?

Filipe - Não temos o disco físico. A gente apostou no digital. Eu defendo a música livre e o download é gratuito. As pessoas precisam ter acesso. Elas ouvem na internet sem conhecer o artista, se gostarem vão atrás das redes sociais dele, lá veem onde está fazendo show, vão pro show e, se gostarem muito, compram o CD. Agora que estou sentindo a necessidade de ter ele em mãos, porque estão pedindo depois dos shows. Vou fazer as cópias aqui em Bauru. Hoje não se ganha mais com a venda de CD, ele é um cartão de visita e quem compra é porque quer apoiar diretamente o trabalho. A gente ganha um pouco a cada play, em qualquer plataforma digital. Ganharia mais se disco fosse vendido como antigamente, só que o mundo mudou. Não adianta lamentar, a gente tem que se reinventar e achar soluções. Hoje é muita informação e até por isso o próximo será um EP, com quatro ou cinco faixas, para a pessoa escutar inteiro de casa até o trabalho.

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