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Jovem faz ensaio fotográfico por prótese

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Celso Mellani
Alessandra Gianinni, 25 anos, que sofreu acidente na rodovia: recomeço

Faz seis meses que Alessandra Cristina Ferreira Gianinni, 25 anos, teve a vida virada do avesso. Em julho de 2016, ela planejava se casar no fim daquele ano, trabalhava como auxiliar administrativa em um escritório de advocacia e cursava o primeiro ano da faculdade de direito. Era uma vida comum, como da maioria das pessoas, e cheia de sonhos.

Os projetos de Alessandra, contudo, foram interrompidos no dia 24 daquele mês. Ela e o noivo, o professor de música Heros José de Toledo Filho, 41 anos, voltavam de moto do distrito de Tibiriçá para Bauru e foram colhidos por um veículo na rodovia Marechal Rondon.

Heros morreu antes que pudesse receber socorro e Alessandra teve a perna esquerda amputada. Seis meses depois, ela luta, a passos lentos, para reconstruir a vida. Com a autoestima quase totalmente recuperada, decidiu fazer um ensaio fotográfico com temática pin-up - de estética retrô, pop e sensual - para arrecadar fundos com o objetivo de comprar uma prótese.

"Foi uma amiga minha, a fotógrafa Dani Yamauti, quem deu a ideia e mobilizou lojas e um estúdio para fazer toda a produção das fotos, que foram editadas para serem transformadas em um calendário. Mas, agora, gostaria de pedir a ajuda de empresas que trabalham com impressão ou para qualquer pessoa que possa ajudar a tornar este projeto realidade", diz.

A ideia é vender cada calendário a R$ 35,00 e tentar arrecadar o máximo de dinheiro possível para custear o equipamento. Alessandra teve a perna amputada acima do joelho e a prótese articulada mais barata, ela diz, custa em torno de R$ 30 mil.

"A top de linha, que dá segurança até para descer rampas e vias inclinadas, chega a R$ 130 mil. Mas a mais simples já me permitiria voltar a andar sem precisar das muletas e ter mais independência", observa.

Celso Mellani
A ideia é vender cada calendário a R$ 35,00 e tentar arrecadar o máximo de dinheiro possível para custear a prótese

REDE DE SOLIDARIEDADE

Desde que sofreu o acidente, a jovem vem realizando campanhas para custear as despesas decorrentes do tratamento de saúde. Eventos beneficentes realizados pelos proprietários do Armazén Bar e do Exílio Art Pub, assim como uma rifa de tatuagem doada pelo tatuador Marcelo Paro, arrecadaram mais de R$ 6 mil entre o ano passado e início deste ano.

Os recursos vem sendo utilizados para pagar medicamentos e sessões de fisioterapia. "A possibilidade de custear a terapia particular permitiu que minha recuperação fosse muito mais rápida", completa ela, que ficou quase dois meses internada devido à amputação e também à fratura sofrida no quadril e a uma lesão na coluna.

A convivência com fisioterapeutas, aliás, estimulou Alessandra a retomar um sonho antigo. "Quando sofri o acidente, tinha começado a cursar direito porque trabalhava em um escritório de advocacia, mas tive que me afastar de ambas as atividades. A verdade é que eu sempre gostei de fisioterapia e, agora, ainda mais. Quero voltar a estudar, assim que for possível", completa.

Interessados em ajudar a jovem devem entrar em contato pelo telefone (14) 99860-1862 (ligação ou WhatsApp).  

Celso Mellani
Alessandra Cristina Ferreira Gianinni, 25 anos

O acidente

Alessandra e Heros voltavam de uma festa no distrito de Tibiriçá, onde haviam convidado alguns amigos para serem padrinhos do casamento que ocorreria em outubro do ano passado. Em uma moto Suzuki Intruder, eles saíram do local na madrugada do dia 24 de julho e foram colhidos por um Cruze na altura do quilômetro 356 da rodovia Marechal Rondon.

"O impacto foi tão violento, que não lembro de nada do que aconteceu naquele momento. Mas a polícia entendeu que o carro bateu na traseira e na lateral esquerda da moto, ao tentar, tardiamente, desviar. Foi quando minha perna foi atingida", conta a jovem.

Segundo Alessandra, o condutor do Cruze parou o veículo, mas não chamou socorro e, quando o Policiamento Rodoviário chegou, se recusou a fazer o teste do bafômetro. "Ele tinha se oferecido para me levar para o hospital no carro dele e disse que não poderia chamar a polícia. Eu coloquei minha perna já praticamente amputada no colo, me arrastei sozinha do meio da rodovia até o acostamento e liguei para os meus amigos, que acionaram o resgate", relembra.

Como não ficou constatada a embriaguez do motorista, ele não foi preso. Mas Alessandra ingressou com ação na Justiça contra ele para reivindicar indenização pela morte do noivo e pelas lesões causadas.

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