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Heineken compra Kirin por R$ 2,2 bi e vira vice-líder em cervejas no Brasil

Estadão Conteúdo
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A compra da Brasil Kirin, dona de marcas como Schin e Devassa, pela Heineken vai elevar a holandesa à vice-liderança do mercado de cervejas no Brasil. A japonesa decidiu vender seus ativos seis anos após adquirir a Schincariol por mais de R$ 6 bilhões. Depois de perder quase R$ 800 milhões no País em 2015 e 2016, a Kirin optou por estancar a "sangria". Vendeu sua operação brasileira por ¤ 664 milhões (R$ 2,2 bilhões), ou pouco mais de um terço do que pagou ao entrar. Incluindo dívidas, o negócio soma ¤ 1,025 bilhão (R$ 3,3 bilhões).

Os maus anos da Kirin no mercado brasileiro coincidiram com o período de bonança da Heineken. Somadas, as participações da Kirin e da Heineken são suficientes para a segunda posição do mercado, com 18%, atrás da tradicional líder Ambev e à frente da Petrópolis, dona da Itaipava. Conforme adiantou o jornal "O Estado de S. Paulo", a negociação com a Heineken começou em julho de 2016 e foi tocada diretamente pelas matrizes.

As dificuldades da Kirin, segundo fontes, começariam pelo portfólio de marcas. A tentativa de ter dois rótulos de volume - Schin e Devassa - não produziu os resultados esperados. Com isso, a empresa viu sua fatia de mercado encolher em 25% entre 2010 e 2016.

Em 2015, a empresa teve seus piores resultados - as vendas no País caíram 25% em relação ao ano anterior. Diante desse resultado, seu extenso parque fabril - principal ponto de atração para a Heineken - ficou subutilizado, com altos índices de ociosidade. Os sucessivos maus resultados levaram a três trocas de presidente em seis anos. André Salles, que assumiu o cargo em agosto de 2015, disse ontem à reportagem que deverá comandar o negócio até o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a operação.

Marcas

Agora, o setor de bebidas espera para ver como a Heineken vai organizar seu novo portfólio. Para o consultor Adalberto Viviani, uma das alternativas seria separar os rótulos por região, focando onde cada um é mais forte. "A Schin poderia ser uma marca para o Norte e Nordeste. Pelo posicionamento de preço, não poderia se sobrepor à Kaiser, que é forte em Minas Gerais e no Paraná", exemplificou o especialista.

Outro ponto a ser resolvido será o segmento de bebidas não alcoólicas da Kirin, que inclui marcas como Itubaína e tem 2% de participação no mercado nacional. O negócio não interessaria à nova dona, que mantém uma parceria de distribuição com a Coca-Cola no País.

Ao longo do último ano, segundo analistas, a Brasil Kirin vinha adotando uma política excessivamente agressiva de preços. Para evitar perder ainda mais participação de mercado, barateou seus produtos num esforço para ganhar fatia de mercado num momento em que o setor de bebidas brasileiro sofreu em meio à inflação e a deterioração do consumo.

O movimento, porém, causou desconforto entre os cerca de 180 distribuidores exclusivos da empresa no País, que teriam se sentido prejudicados pelo movimento (leia ao lado).

A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) aponta que o faturamento do setor de bebidas no Brasil teve um crescimento de 7,2% em 2016, na comparação com 2015 - o resultado ficou, porém, abaixo da inflação do período. A receita da Brasil Kirin teve crescimento ainda mais modesto, de 0,2% no ano, para R$ 3,706 bilhões.

Concorrência

Para analistas, apesar de ganhar um concorrente mais forte, a líder de mercado Ambev pode até lucrar com a união de Heineken e Kirin no curto prazo. O BTG Pactual destacou, em relatório, que a Kirin vinha adotando uma postura muito agressiva de preços recentemente. Outra fonte do setor disse que a Petrópolis, embora perca posição no ranking de cervejas, também pode ser beneficiada. Isso porque, caso algum outro gigante do mercado de bebidas resolva entrar no Brasil, a brasileira passa a ser a única opção de aquisição. 

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