| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Protesto de mães e crianças na avenida Castelo Branco |
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Com palavras de ordem, cerca de 50 pessoas, entre pais e alunos de escolas estaduais, efetuaram bloqueio do trânsito na quadra 32 da avenida Castelo Branco com entulhos em protesto, nessa terça-feira (14) à tarde, em Bauru. Eles criticam corte do transporte escolar por parte do Estado desde o início deste ano.
Mesmo sem alteração de endereços, dezenas de crianças moradoras da cidade tiveram o benefício suspenso após a implantação de um novo programa de georeferenciamento no sistema da Diretoria Regional de Ensino (DRE), que administra as vagas.
Em tempo: o município é o responsável apenas pelo transporte dos alunos, mas a lista dos contemplados é de responsabilidade do Estado.
Nem a Secretaria de Estado da Educação e nem a DRE informaram quantos alunos efetivamente perderam o benefício com a adequação do sistema em Bauru.
O PROTESTO
O protesto dessa terça-feira (14) foi organizado por pais de estudantes da Escola Estadual (E.E.) Professor Antônio Serralvo Sobrinho, no bairro Vila Ipiranga. Na semana passada, no entanto, o JC já havia recebido reclamações de pais de alunos da E.E. João Maringoni, no Núcleo Beija-Flor. São estudantes que há anos eram beneficiados e perderam o direito com a sistematização do processo.
“Não temos carro e nem condições de pagar perua particular. A escola é mais de dois quilômetros e o bairro é perigoso para ela andar sozinha. E não tenho condições de sair neste sol, todos os dias, com um bebê de 7 meses”, reclama a cuidadora Roberta Francine da Silva Cunha, com a filha Rafaela no colo. Ela também é mãe da Tatielly, de 7 anos, aluna da 3.ª série da E.E. Antônio Serralvo.
Divide o mesmo drama a do lar Rosalina Nunes de Camargo, que cuida de três netos, de 8,6 e 7 anos, e uma sobrinha de 9, todos estudantes da E.E. Antônio Serralvo.
“O Estado fala tanto do direito das crianças em estudar, mas foi o primeiro a tirar o transporte que garante isso. O bairro é muito perigoso, cheio de ‘nóia’ na rua; o transporte ajuda a gente a contornar isso”, acrescenta Rosalina.
“Sem o ônibus, temos que acordar antes das 6h para ir pra escola, é muito ruim”, critica a estudante Eloá Martins, de 9 anos, estudante da 5.ª série da E.E. Antônio Serralvo.
Durante o protesto, o fluxo da avenida precisou ser desviado pela Polícia Militar, que registrou um boletim de ocorrência sobre o movimento. O ato foi pacífico e, por isso mesmo, não houve registro de incidentes.
O CÁLCULO
Em nota, a DRE informou que a geolocalização é um sistema disponível através de plataforma da Secretaria Escolar Digital e que é aplicado em todo o Estado. “O procedimento calcula a distância exata entre escola e residência. Antes, os endereços eram cadastrados conforme o pedido das famílias”, diz a secretaria.
Dirigente do órgão, Gina Sanchez pontuou que o benefício é concedido automaticamente pelo sistema conforme uma resolução de 2011, que diz que todo aluno morador de zona rural ou de local em que haja barreiras físicas, como rodovias sem passarelas, rios, matas e lixões, por exemplo, deve receber transporte escolar.
“Avenidas com fluxo intenso não são barreiras, desde que tenha faixas de pedestre e semáforos. Inclusive, em outubro, fizemos solicitação de mais sinalizações ao município em vários pontos”, comenta Gina.
O corte do benefício, contudo, ocorreu antes da adequação. Haja vista que a avenida Castelo Branco, palco do protesto, não possui semáforos e faixas de pedestre em grande parte de sua extensão.
Pessoas no sistema
Provocada pela população, a Promotoria da Infância e Juventude já estaria ciente do problema, segundo a DRE. “Se houver o entendimento [do promotor] de que o transporte precisa retornar para esses estudantes, assim o faremos. Sem isso, não temos autonomia para incluir pessoas no sistema”, finaliza a dirigente regional do Ensino Gina Sanchez, ao Jornal da Cidade.


