O conceito de criatividade é histórico e social, isto é, varia de acordo com o tempo e sociedade. No entanto, ainda se faz presente no imaginário popular o mito de que é necessário ter dom para criar. Esta concepção carrega consigo a ideia de segregação, pois de acordo com esta quem não tiver a sorte de nascer com este presente divino não será capaz de criar.
A mitificação acerca do conceito de criatividade contribui para distorção do papel da importância de ações educativas acerca desta. Por meio desta ideologia, ainda enraizada em nossa cultura, mesmo diante de avanços em pesquisas e ações educativas, se propaga a ideia de que ações educativas com ênfase as artes e a criatividade tenham importância marginal para a formação artística das pessoas em maior ou menor grau, para seu reconhecimento social.
Por outro lado, podemos observar que a criatividade tem sido um termo imperativo e vem ocupando lugar de destaque entre as exigências profissionais e pessoais, como traço de personalidade. De acordo com Maria Lúcia Oliveira, mestre e doutora em psicologia clínica:
“Ao figurar como mandamento a ser observado no cotidiano, evoca-se uma reflexão sobre se aquilo que exibimos de fato não seria o que mais nos faz falta. Isso nos leva a crer que muito do que é chamado de criatividade em nosso mundo e ocupa tanto espaço talvez seja confundido com produtividade, em seu caráter massificador, descartável e mutante – mas à semelhança de produções primitivas maníacas, de aparente novidade (enquanto simples descarga, voracidade), do que produções que as superem e se caracterizem por realizações significativas, valorizadoras da renovação da vida e da capacidade de convívio.”
Desta forma, se fazem necessárias ações educativas que possibilitem a reflexão de mitos que contribuem para a perpetuação de concepções equivocadas sobre o conceito de criatividade.
É necessário que o indivíduo compreenda que esta é uma habilidade natural de todo o ser humano, e que por meio desta ele pode transformar sua realidade quer seja através de percepções ou de pequenas e grandes realizações.
A autora é graduada em Educação Artística – habilitação em Artes Plásticas, pela Unesp Bauru.