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Rodrigo Agostinho agora trabalha em projeto de cidades sustentáveis

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan/JC Imagens
Ex-prefeito Rodrigo Agostinho passa a semana em São Paulo

O ex-prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) é agora o gerente-executivo do Programa Cidades e Territórios, do Instituto Arapyaú. Ele assumiu a função nesta semana e terá como rotina trabalhos administrativos na sede da entidade, em São Paulo, e viagens periódicas a diversas cidades brasileiras onde a instituição atua.

O Instituto foi criado pelo empresário Guilherme Leal, proprietário da empresa Natura. Até hoje, ele é o principal financiador da entidade, juntamente com outras pessoas físicas e empresas. O “Cidades e Territórios” é um dos braços de atuação do Arapyaú, voltado à promoção de cidades mais sustentáveis no aspecto socioambiental. O Instituto fomenta projetos em diversos municípios.

Rodrigo vem experimentando a nova rotina desde o final de janeiro, apesar de ter sido oficializado no cargo apenas agora. “Já estou há um mês morando em São Paulo, fico de segunda a sexta-feira, e aos finais de semana retorno para Bauru. Não quero perder o vínculo com Bauru. Neste momento foi uma oportunidade, sair do poder público e trabalhar no Terceiro Setor, que tem uma organização e sistema de trabalho da iniciativa privada”, resume o ex-prefeito, em entrevista para o JC.

“Muito do meu trabalho será interno, avaliando projetos, a prestação de contas. Mas em algumas ocasiões vou viajar também, acompanhar de perto o que está sendo desenvolvido. São vários projetos que o Instituto apoia, em diversos lugares”, comenta. Rodrigo assumiu a função que era desenvolvida até o final do ano passado por Alexandre Schneider, que é agora o secretário municipal de Educação de São Paulo, na gestão de João Dória (PSDB).

E A POLÍTICA?

Após administrar Bauru por 8 anos, entre 2009 e 2016 (Rodrigo foi eleito em 2008 e reeleito em 2012, com o recorde de votos já registrado na cidade até hoje), seria natural o questionamento: e o futuro na política? Rodrigo Agostinho diz que, neste momento, este afastamento era necessário. “Acho que o momento era de buscar outros desafios, então aceitei o convite do Instituto Arapyaú. Neste ano pretendo ficar um pouco afastado desse dia a dia da política. Estamos em um momento em que a política nacional está muito desgastada. Mas não deixo de acompanhar, inclusive o que acontece em Bauru”, aponta.

Sobre a pretensão de se candidatar a deputado federal em 2018, ideia já anunciada desde 2014, Rodrigo cita que vai deixar para pensar nisso mais para frente. “Quero disputar a eleição do ano que vem, mas no momento não vou pensar muito nisso. Quero me dedicar mesmo ao novo projeto, ficar alguns meses mais afastado da política”, acredita.

GAZZETTA

Rodrigo conversou poucas vezes com o atual prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) após deixar o mandato. “Falei três vezes com ele, no mês passado. Mesmo sem estar no dia a dia em Bauru, procuro acompanhar o que acontece na cidade. O Gazzetta está buscando acertar, indo atrás de recursos, dialogando com vários setores, isso é importante. Estou torcendo para que ele faça um grande mandato”, relata o ex-prefeito.

O Instituto

O Instituto Arapyaú foi criado pelo empresário Guilherme Leal, da Natura (ele concorreu à vice-presidência do Brasil em 2014, na chapa de Marina Silva). A entidade possui diretoria e conselho próprios e seleciona projetos em diversos municípios, com foco na área ambiental e de transparência e controle social. Além do “Cidades e Territórios”, o Instituto atua na área de política, procurando formar novos líderes, entre outras ações.

Transição

Logo após passar o mandato para Gazzetta, o ex-prefeito passou 15 dias no litoral norte de São Paulo. Depois, já começou a desenvolver o trabalho no Arapyaú. “É diferente, na prefeitura eu administrava quase 8 mil servidores, entre administração direta e indireta, e era uma demanda muito grande. Agora trabalho com mais três pessoas, é uma equipe bastante enxuta. A mentalidade é de iniciativa privada, mesmo sendo uma entidade do Terceiro Setor, a diretoria cobra resultados, tudo é auditado”, conta.

Sobre a rotina que teve por oito anos no Palácio das Cerejeiras, Rodrigo diz que agora está acostumando e mudando o ritmo. “É um ritmo completamente diferente. Quando era prefeito, eram ligações e mensagens o dia inteiro, por conta de problemas na prefeitura, demandas da população, imprensa. Depois que saí do mandato, já muda bastante. Tem noite que chego a sonhar que vou acordar e ir para a prefeitura, de tanto tempo que foi nesse ritmo (risos). Mas agora já estou mais acostumado a uma outra rotina”, explica.

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