Cultura

Coroa Imperial da Grande Cidade conta a lenda da guerreira indígena Anahí

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

Aceituno Jr.
Ritmistas que compõem a Monstros da Bateria ensaiam diariamente: “Meninada nova e fiel”, diz Olívia

Existem no Brasil belas histórias ainda pouco conhecidas. Pensando nisso, a Coroa Imperial irá apresentar uma lenda da Amazônia no enredo “Sou índia guerreira, lançada à fogueira, eu sou Anahí”.

O desfile no Sambódromo, com 400 integrantes, 9 alas e três carros alegóricos será na segunda de Carnaval, dia 27. “Quem desfilou sábado, quer sair de novo. O pessoal está ainda mais animado e a gente promete um Carnaval bonito, técnico e cheio de alegria”, destaca o carnavalesco Ademir de Oliveira, que retorna à agremiação após três anos.

Ele lembra que os Monstros da Bateria, com 60 ritmistas, recebeu nota 10, assim como o casal de mestre-sala e porta-bandeira. A escola chegou ao 3º lugar em 2016, pertinho das campeãs. “Essas notas são conquistadas com garra. A gente pode não ganhar, mas quando passa o povo arrepia!”.

E é o sentimento pelo Carnaval que mantém a Coroa. “As dificuldades são muitas. Só 40% da verba será entregue agora, a oito dias do Carnaval. Quando coloca na ponta do lápis, tem prejuízo. Só que a gente faz o possível, por amor, para se divertir e alegrar o público”, comenta Olívia Arantes de Souza, diretora da agremiação. Ela é irmã do seu Avelino, o presidente, que aos 84 anos segue firme nas coordenadas.

“A escola é uma família, em que um apoia o outro. Somos gratos à comunidade e aos amigos de outros bairros. Todos são bem-vindos!”, convida Olívia.

CULTURAS E DESAFIOS

Para contar a história da indígena Anahí, cujo povo sofria com a exploração espanhola na Amazônia de séculos atrás, a Coroa Imperial irá destacar não só as belezas naturais da região, mas também a mistura de culturas. “Ela cantava divinamente e toda a floresta parava para ouvi-la. Em uma luta, Anahí matou um soldado espanhol e foi acusada de bruxaria, sendo condenada à fogueira. Diz a lenda que pássaros dançavam em volta dela enquanto queimava e que neste lugar nasceu uma linda flor”, conta Ademir.

“Mesmo condenada por defender seu povo, Anahí é um símbolo de esperança e da importância de respeitar a floresta e as culturas que nela surgiram. Outra mensagem é a preservação na natureza”. Por isso mesmo, cerca de 80% de todo material usado no desfile é reciclado. “Aí vem a criatividade. É um desafio que dá resultado e fica bonito”, afirma.

Outro desafio é transformar essa história em música. A tarefa, mais uma vez, ficou a cargo do sambista Léo do Rasi. “Tem que ter começo, meio e fim, além de um refrão que conquiste a plateia. Faço letra e melodia a partir das ideias do carnavalesco e a bateria incrementa”, explica o compositor.

Ele é também um dos intérpretes do samba-enredo. “A música tem uns três minutos, a gente canta durante mais de uma hora no desfile... Repete muitas vezes! E todo ano a emoção é como se fosse a primeira vez, fico arrepiado e a lágrima escorre”.

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