| Fotos: Paulo Guerra/Divulgação |
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| Gavião Caramujeiro em pleno voo em flagrante feito na Marambaia, essa é uma das 185 aves que foram catalogadas nessa área rural |
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| Tuiuiú, conhecido como Jaburu e símbolo do Pantanal mato-grossense, é encontrada na região |
Uma imensa área com aves características do Pantanal tem atraído observadores da região de todo o país. Localizada entre os municípios de Jaú, Itapuí e Bariri, o bairro rural Marambaia no passado chegou a ser populoso e teve até uma estação de trem, antigo ramal da Estrada de Ferro Dourado desativada em 1964. Com a construção da hidrelétrica Álvaro de Souza Lima, entre os municípios de Bariri e Boraceia, parte dessa área ficou alagada em 1965 o que fez desaparecer a fauna e a vegetação, mas ao longo dos anos ressurgiu várzeas e brejos com aparecimento de aves migratórias.
Entre 10 e 12 de fevereiro, um grupo de fotógrafos de natureza, biólogos composto de mais de 30 pessoas de diversas cidades, promoveu uma expedição a essa região localizada perto de Jaú para divulgar a importância de preservar a área de reserva legal.
De acordo com o supervisor de Ensino de Jaú, Paulo Guerra, coordenador do grupo, há três anos é feita campanha para divulgar o local. “Tem muita água, brejo e várzea. Quando chove muito alaga e chega muita ave migratória do Pantanal e do Sul do País, mas infelizmente o local dá sinais de degradação”, cita o professor que, nas horas vagas, tem o hobby de fazer fotos da natureza já com premiação em exposições nacionais e internacionais.
Mas a Marambaia encanta tanto para os observadores de aves como para atividades de turismo, o local já é considerado um dos melhores destinos para observação de aves no Estado de São Paulo. A bióloga Martha Argel, de São Paulo, conheceu a área no ano passado e foi a incentivadora da expedição deste ano. “Toda essa área não é natural foi criada quando o reservatório de Bariri encheu. Existe vegetação e até mata ciliar, mas ela surgiu a partir da formação da represa”, conta a bióloga e ornitóloga que, na quarta-feira, estava se preparando para uma viagem à Colômbia onde ia participar de um evento sobre aves.
A biólogo explica que a Marambaia é uma grande área úmida que abrange a foz do Rio Jaú até o Rio Tietê, na altura do remanso da Usina Hidrelétrica entre Bariri e Boraceia. Neste local onde há uma avifauna, já foram fotografados o tuiuiú (ave símbolo do Pantanal mato-grossense), colhereiro, cabeça-seca, anhuma, entre outras aves.
“Você percebe muito bem a supressão das matas ciliares pela cor do Rio Jaú a montante da Marambaia: é um rio marrom. Essa cor nada mais é do que a terra que foi carregada para dentro do manancial pela água da chuva. Se tem a mata ciliar e vegetação nativa, as enxurradas são barradas, porque tem a possibilidade dessa água se infiltrar no solo e depositar essa terra antes de chegar ao rio. Quando tem o desmantamento toda essa proteção desaparece”, explica a bióloga. A área tem as mesmas características do chamado Pantaninho existente em Ibitinga.
Grupo defende a preservação da Marambaia
| Junior Esteves |
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| Porto de Areia no Rio Jaú, localizado na Marambaia |
| Alessandra Orfão/Divulgação |
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| Arthur com o pai Gustavo fazem observação na área durante Expedição Marambaia na semana passada |
| Alessandra Orfão |
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| Macaco comendo milho é flagrado por fotógrafa em árvore |
A Marambaia ganhou atenção dos fotógrafos de natureza, ornitólogos e biólogos que visitam o local com frequência nos últimos anos, porque faltam ações concretas para a preservação e há sinais de degradação. Mas não é só isso: o local é um potencial espaço para o turismo ecológico, porém esquecido pelos municípios de Jaú, Itapuí e Bariri.
“O jauense mais velho conhece a Marambaia. No passado foi uma área rural bem populosa”, conta Paulo Guerra, supervisor de ensino e fotógrafo de natureza. Ele tem um mapa bem antigo com demarcação da estação ferroviária da Marambaia, o ramal de Jaú-Dourado que foi inaugurado em 1913, partindo de Posto Rangel, no ramal de Bariri, também da Douradense, e chegando à estação de Jaú-Dourado, próximo à estação Paulista. Esse ramal desapareceu em 1964 e o local foi inundado pela represa Bariri no ano seguinte.
O engenheiro agrônomo e atual diretor regional da Coordenadoria de Assistência Integral (Cati) em Jaú, João de Almeida Prado, é um dos entusiastas pela preservação da Marambaia. Também conhece o local pelas incursões que faz nos finais de semana para fotografias de natureza, seu hobby preferido. “Vamos sempre à Marambaia para a prática de fotografia e passeio ecológico. Ao longo do tempo, temos visto que essa área não está tendo a atenção necessária para ser preservada e de sustentabilidade. Encontramos muito lixo e nenhum tipo de cuidado. Estamos preocupados com uma área tão linda”, conta Almeida Prado.
Conforme a bióloga Martha Argel, a Expedição Marambaia desenvolvida na semana passada foi organizada para dar maior visibilidade a essa região, que até o momento não conta com nenhuma proteção legal.
O engenheiro agrônomo da Cati explica que a partir dessa expedição pretende criar mecanismos para a criação de uma unidade de preservação da Marambaia. “Ela pode ser municipal, estadual ou federal. Tem várias modalidades. Assim a área fica protegida por lei”, explica Almeida Prado.
A região é formada na foz do Rio Jaú com o Rio Tietê. Com o represamento da barragem de Bariri ficou alagada. “Toda a área de alagamento pertence a AES Tietê (concessionária) por isso ela é responsável pela manutenção das bordas, despoluição e plantio de árvores, mas fora dessa área de concessão há sítios e fazendas de particulares. Também interfere devido a ocorrência de erosão e uso do solo. Então é um trabalho na bacia inteira”, afirma o engenheiro agrônomo.
O tamanho da área ainda não foi dimensiondo. O grupo pretende fazer o levantamento para demarcar onde fica a área de avifauna. “Não temos os dados, mas para se ter ideia o ponto inicial é do Ribeirão Pouso Alegre até o Rio Tietê numa extensão de cerca de 10 quilômetros, onde há muitos alagados, porque na época de chuva o Rio Jaú transborda e forma os brejos e várzeas. No inverno, vai secando e vem as aves migratórias”, cita.
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| Alessandra Orfão |
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| Fazenda Salto São Pedro foi a base da expedição |
Incursões nas matas duram um dia
Expedição Marambaia ocorreu entre os dias 10 e 12 de fevereiro com participação de fotógrafos, biólogos e jornalistas; no local foi possível captar várias tipos de fotos
A Expedição Marambaia usou a Fazenda Salto São Pedro para reunir mais de trinta participantes de cidades de Jaú, Bauru, São Paulo, Barra Bonita, Mineiros do Tietê, Americana, Bragança Paulista, Sorocaba e Mairinque. No grupo havia os chamados fotógrafos de natureza e que trabalham com observação de aves, dentre eles Paulo Guerra, João André Almeida Prado, Junior Esteves, Waldete Cesari, Alessandra Órfão entre outros.
| Junior Esteves/Divulgação |
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| Porteira de fazenda na Marambaia possibilita também imagens mais bucólicas, o local é conhecido por possuir mais de 185 espécies de aves |
O JC conversou com Junior Esteves, de Bauru, que desde julho do ano passado descobriu a Marambaia para fotografar. Ele é dono da empresa ClickNatureza.com e esteve junto com Alessandra Órfão fazendo várias fotos.
JC - Que tipo de foto você se especializou?
Junior Esteves - Na fotografia de natureza, astronômica, macro fotografia e Birdwatching. Desde o primeiro contato com a Marambaia, que foi em julho do ano passado, apresentado por uma amigo de Jaú, me apaixonei por lá. É uma explosão de vida. Rica em avifauna, paisagens e insetos de vários tipos...O que me proporcionou uma experiência completa.
JC - Nessas incursões nas matas você fica dias para conseguir fotos de animais e insetos? São tiradas centenas de fotos? Como é o procedimento para fazer as fotos?
Junior - As incursões normalmente são na parte da manhã e de apenas um dia. A gente acampa lá e fica uns três dias para aprimorar a experiência, normalmente chegamos a fazer um pouco mais de 100 fotos. Quando as aves estão em voo configuro a máquina no modo de prioridade de velocidade para aves que costumam ficar em galhos e para as macros (insetos), configuro no modo manual e usando sempre que possível o monopé. Outro acessório muito usado é o flash dedicado (uso só do flash em foto de coruja e outros animais em matas fechadas).
| Gabriel Bitencourt/Divulgação |
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| Os fotógrafos, com poderosas lentes, aguardam o melhor momento para fotos em área de alagado |
JC - Dessas fotos que você tirou tem material seu publicado em revista especializada?
Junior - Ainda não, mas faço parte do projeto de levantamento da avifauna do município de Bauru, juntamento com outros fotógrafos, projeto do Zoológico de Bauru. Esse projeto resultará na confecção de um guia de aves que será distribuído nas escolas dos município. E também fui convidado para participar de um calendário de uma empresa na cidade de Jaú.
JC - A Marambaia tem potencial para só observação ou turismo?
Junior Esteves - Acredito que tem grande potencial para a observação de fauna, flora, como também grande potencial turístico, porém muito tem que ser feito lá. A área esta sob ameaça, há informações de que existe uma empresa graxeira, que é altamente poluente, para se instalar em uma área de 1 alqueire que foi comprada por uma mineradora, para criação de um porto de areia, por isso que entrei na luta por essa bela e importante área.
Bióloga se encantou com a beleza da área
A bióloga Martha Argel se encantou com a Marambaia depois que visitou no ano passado o local. Autora de vários livros, incluindo os guias Aves do Brasil - Mata Atlântica do Sudeste e Aves do Brasil, Pantanal e Cerrado, ela considera o local como um dos melhores destinos para observação de aves do Estado de São Paulo.
O professor Paulo Guerra afirma que a ideia de realizar a Expedição Marambaia partiu da bióloga para divulgar a avifauna riquíssima, que inclui aves características do Pantanal, como tuiuiú, cabeça-seca, água-pescadora, colhereiro e anhuma.
Para a reportagem entrevistar Martha foi via WhatsApp antes de ela embarcar para uma viagem à Colômbia onde faria palestra em uma Feira Internacional de Aves. “Desculpe, mas é corrido”, disse.
Conforme a professora, o cenário da área onde se insere o baixo curso do Rio Jaú é uma paisagem muito alterada pelo ser humano. “Pode se dizer degradada. As matas e o cerrado que existiam deram lugar a plantações e pastos. Com isso se perdeu uma parte da fauna original da região. Então, quando você percorre ao longo do Rio Jaú nota que a mata ciliar foi muito sacrificada e o ideal seria que se voltasse a plantar novas muda de árvores nessa porção ribeirinha”, citou.
A bióloga afirma que essa revegetação proporcionaria a volta de aves e outros animais também. “Essa revegetação é uma questão polêmica em todo o Estado de São Paulo. A maior parte do estado foi toda desmatada. A perda de diversidade é espantosa, mas depende de parceria do poder público, parceria e conscientização dos proprietários que os benefícios poderão ter com o aumento da área florestada, principalmente à beira do rio para proteger o lençol freático e de erosões”, declarou Martha.








