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Repensar o cotidiano por meio do teatro

Renato Dias Baptista
| Tempo de leitura: 2 min

A ação de ‘Lavar’ tem sido a melhor maneira para se encontrar uma deterioração. A cada dia são reveladas novas descobertas, e todas indicam um grande volume de danos sociais que reverberam nos indivíduos que, como um ciclo, retroalimentam as mazelas sociais. Tal qual a esfinge de Tebas, tudo passa a ser um enigma não decifrado e na expectativa de ser devorado.


Entretanto, essas ações não são suficientes para aflorar novas brisas. Em algum momento será preciso parar a ‘produção da sombra’. E não é exagero afirmar que uma das maneiras – frise-se - de atenuação desse lado ‘sombrio’ possa ser obtida mediante a ampliação de investimentos em Cultura.


A cultura reflete as concepções humanas por meio de extensas manifestações. Em ênfase ao momento artístico que ocorre na cidade, destaco o Teatro, já que na semana de 20 de janeiro a 5 de fevereiro de 2017 ocorreu a XVI Mostra de Teatro Paulo Neves. Nos espaços exíguos ou num Teatro Municipal que pode ser aprimorado, percorrem brilhantes manifestações de sentimentos.


Essa face da arte vivenciada em Bauru, revela a disposição daqueles que - com talento e responsabilidade - dirigem, assessoram, atuam ou apoiam o evento. Com satisfação, recupero aqui alguns pensamentos do professor Jorge Albuquerque Vieira da PUC/SP. Considero que suas ideias estão em sincronia ao momento e ao que representa a Arte; uma ação que redimensiona a nossa maneira de interagir no mundo. Numa sociedade agônica, não existe saída se estivermos longe de nossa identidade coletiva.  


Para Albuquerque Vieira, o artista é um produtor do conhecimento e trabalha com as possibilidades do real. Arte é uma forma de conhecimento e toda forma de conhecimento é um processo evolutivo.


Não apreendemos a realidade do mesmo modo, já que a filtramos pela percepção.  Esse mecanismo cria uma “bolha” individual, um jeito restrito de observar e captar a existência.


E a Arte, destaca, pode perfurar essa “bolha”, pode ampliar nossa visão de mundo.  Essa é uma lógica que tem amparo na teoria da Umwelt de Jakob von Uexküll.


Diante desse ponto de vista, e com subsídio tácito nas representações que a população pode aferir nestes dias, é oportuno destacar que a ampliação de investimentos em Cultura possibilitaria atenuar a nebulosidade da sociedade. Essa ‘bela esquecida’ das políticas públicas, deve ser concebida como um dos pontos de partida para isso.


Sim, o teatro expande a consciência ameaçada pelo cotidiano.

O autor é doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC, professor doutor da Unesp. E-mail: rdbapt@gmail.com

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