Entre as palavras sim e não, existe a palavra talvez, significando um tempo para pensar. Meu falecido pai falava: "quando a cabeça pensa, o corpo não padece". Uma vez li uma resposta interessante para a pergunta "para que servem as pernas? A resposta era: "para levar o corpo onde a cabeça manda". A Sagrada Escritura diz: "dizer sim ao sim, e não ao não". A palavra talvez pode significar a dúvida de um sim ou um não convicto.
A consulta interior ao nosso patrimônio cultural e educacional influenciará nossa decisão. Esse patrimônio é construído com informações escolares e familiares. Brincando de aluno, onde minha neta de 6 anos é a professora, fico surpreso com os conceitos de sociedade, humanismo, respeito, direitos e obrigações que são passados pelos professores do colégio onde estuda. Os conceitos de amor, serviço, obediência procuramos ensinar em casa que é a responsável pela educação da boa convivência social. Esse patrimônio marca valores que, indelevelmente, ficarão no subconsciente, onde haverá ou não conflitos com as decisões que tomamos e que no fundo já sabemos de seus riscos e consequências. Vejo o difícil momento que o povo brasileiro está passando, atribuindo à crise moral a maior parcela dessa fatura.
Pela manhã desta segunda-feira, nas imediações da Faculdade de Odontologia de Bauru - USP, foi desanimador qualificar a educação das pessoas que realizaram um encontro pré-carnavalesco nessas imediações. Garrafas, copos, papéis, latinhas de bebidas, espalhadas por toda a parte, dando a impressão que aqueles que o fizeram, tenham o mesmo comportamento dentro de suas casas. O que é público não é entendido como extensão de sua casa e pode ser "detonado". Esse lixo é o mesmo que entupirá os bueiros trazendo as tragédias sociais e de saúde, para aqueles menos favorecidos na localização de suas moradias. Eles estão ali apenas por ser a única opção viável naquele momento, pois gostariam, com certeza, de morar em casas mais bem localizadas, construídas e confortáveis. Diariamente, as notícias sobre a pluralidade de fatos nefastos, invadem a imprensa e quanto mais contundentes, marcam seus ouvintes. Até nem dá vontade de acordar, ouvir e ainda encontrar forças para mais um dia. O número de desempregados é maior que a população da cidade de São Paulo e, principalmente, os mais qualificados são os mais prejudicados, inversamente ao que se propõe em oferecer ensino de qualidade para melhores perspectivas.
As informações que nos chegam da capital do país, e muitas delas maquiadas para impressionar os menos atentos, revelam as imoralidades ali circulantes, alianças espúrias, tramoias para "aliviar" a gravidade dos fatos e penas a serem imputadas aos delitos cometidos. Quantas gerações ainda serão necessárias para extirpar esses comportamentos e seus respectivos malefícios?
A educação é o nosso maior problema e vemos a sua falta em pequenos atos, como esse de jogar lixo ou cuspir nas ruas, onde se expõe a verdade oculta de cada um, sobre o que significa direito e obrigação. Conheço algumas pessoas que desistiram do Brasil e residem no exterior onde nos mandam notícias. Algumas são aterrorizantes e pontuais, como os crimes cometidos por fanáticos religiosos, mas na grande maioria a qualidade de vida, o respeito às leis, à cultura, aos direitos individuais estimulam suas permanências, contrapondo-se ao modo de vida que aqui temos, com crimes cada vez mais bárbaros e motivos fúteis, tudo em nome da impunidade que se alastra neste momento. Tanto o ensino público como o privado também são alvos desse desmonte social. Vi uma reportagem onde a mãe, ajudada pelo filho, agride uma vice-diretora que os reuniu para tratar do comportamento do jovem com seus colegas. A cabeça (Brasília) está fazendo o corpo (o Brasil) sofrer por falta de pensamentos voltados ao bem-estar daqueles que os elegeram representantes. A construção de uma sala de aula, evita a construção de uma cela prisional.
O voto de cada cidadão, tem a força de mudar o rumo da história de seu país. Vamos dar a volta por cima do que não queremos para nós, sim ou não?